Mercado Imobiliário

O Eike Batista chinês está pronto para gastar

Zong Qinghou, um dos homens mais ricos da China, prepara a expansão de sua empresa de bebidas Wahaha e também a estreia no setor imobiliário e na mineração

Zong Qinghou: o homem mais rico da China tem fortuna avaliada em 8 bilhões de dólares (Reprodução)

Zong Qinghou: o homem mais rico da China tem fortuna avaliada em 8 bilhões de dólares (Reprodução)

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Da Redação

Publicado em 5 de abril de 2011 às 10h32.

São Paulo – À frente da Wahaha, a maior fabricante de bebidas da China, o empresário Zong Qinghou está preparado para, finalmente, gastar mais. Ele costuma dizer que gasta diariamente, no máximo 20 dólares. “É por pura falta de tempo.” Mas a situação está preste a mudar. 

No final de março, o executivo de 65 anos afirmou que prepara sua estreia no setor imobiliário, em mineração e na expansão de sua companhia de bebidas. A declaração foi feita no final de um congresso do Partido Comunista da China, do qual é membro. Sem entrar em detalhes, Zong afirmou que os negócios estão mais difíceis para quem trabalha com manufaturados.

Zong se tornou o homem mais rico da China no final do ano passado, com uma fortuna calculada em 8 bilhões de dólares, mas neste ano caiu para a 3ª colocação. Com a diversificação de investimentos, assim como Eike Batista, ele pretende reverter essa situação. A fortuna do chinês está distante, por exemplo, do brasileiro, que acumula 30 bilhões de dólares na conta, o que o coloca na oitava posição entre os mais ricos do mundo pelo segundo ano consecutivo no ranking da revista Forbes. Zong fica com a “modesta” 169ª posição.

Com os novos investimentos previstos por ele, a lista pode mudar nos próximos anos. A Wahaha tem 2 bilhões de dólares disponíveis para a ampliar sua atuação, o que inclui a abertura de 100 novas lojas. “Quero estar entre as 500 maiores empresas do mundo em cinco anos”, disse Zong.

O caminho para alcançar esse objetivo será longo, mas Wahaha caminha na direção correta. A empresa tem 7,2% do mercado chinês, contra 6,6% da Pepsico. Mas perde para a Coca-Cola, que conta com 17,2%, segundo dados da consultoria Euromonitor International. Novas lojas de departamentos e em supermercados ajudarão a empresa a aumentar a fatia do mercado.

As grandes cidades chinesas já foram tomadas por tradicionais marcas de refrigerantes. A opção estudada por Zong é ingressar em cidades da zona rural chinesa. A Wahaha já negocia com algumas pequenas cidades do país, já que precisará comprar terras para suas novas lojas.

A Wahaha (que significa “bebê sorridente”, em mandarim) foi fundada por Zong em 1987, como uma pequena mercearia na cidade de Hangzhou, 1.300 quilômetros ao sul de Pequim. Em 2009, a companhia faturou 6,1 bilhões de dólares, com lucro de 1,3 bilhão de dólares. No ano passado, o faturamento atingiu 8,4 bilhões de dólares, mas o lucro ficou em torno de 917 milhões de dólares.

O caso Danone – O nome de Zong ganhou notoriedade – não muito positiva, diga-se -- numa das mais intensas disputas da era pós-abertura econômica da China. Em setembro de 2009, a Wahaha encerrou amigavelmente uma briga com a francesa – e então sócia -- Danone, que se arrastava havia dois anos.

Os franceses acusaram a Wahaha de vender os produtos da associação estabelecida em 1996 com outras marcas. Assim, o dinheiro ia todo para o bolso dos chineses. A Danone decidiu vender sua parcela de 51% na joint-venture de volta à Wahaha. Na época, não foram divulgados valores da operação.

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