Momento é perfeito para tirar startups do papel, diz CEO de incubadora que deu origem à Rappi

Mariajosé Gallo, CEO da Imaginamos SAS, incubadora colombiana, falou à EXAME sobre apoio a startups da América Latina e oportunidades em meio a cenário de crise entre empresas maduras
Mariajosé Gallo, CEO da Imaginamos (Imaginamos/Divulgação)
Mariajosé Gallo, CEO da Imaginamos (Imaginamos/Divulgação)
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Maria Clara DiasPublicado em 30/06/2022 às 17:46.

A Imaginamos SAS nasceu da premissa de que grandes ideias precisam de um certo empurrão para darem certo, um racional comum entre incubadoras de startups que tradicionalmente se dedicam a ajudar pequenas companhias a amadurecerem antes de irem ao mercado. E a pensata parece funcionar: em poucos anos, a incubadora colombiana já lançou grandes companhias como a Chiper e o unicórnio de entregas Rappi.

À frente dessa operação está Mariajosé Gallo, CEO da Imaginamos, responsável por comandar a empresa com 160 funcionários e com foco em formar os novos unicórnios da América Latina. De passagem pelo Brasil para a conferência APIX 2022, evento organizado pela companhia de tecnologia de integrações Sensedia, Gallou falou com exclusividade à EXAME sobre os planos da incubadora, relação entre startups e grandes corporações e as tendências de inovação na América Latina, especialmente em um momento delicado para startups em todo o mundo.

Qual é a mensagem central da sua participação em um evento de tecnologia no momento atual, e que dicas serão dadas a empresas?

Considerando que o evento todo falará sobre aberturas e inovação, o foco será falar sobre como essa conjuntura de colaboração pode ser vantajosa para empresas. O foco será mostrar para empresas porque é tão importante continuar inovando, mesmo com inflação, perdas de emprego e outras diversas dificuldades que acontecem neste momento.

Quero que a necessidade de repensar processos e culturais continue sendo visto como algo urgente, mesmo quando as coisas não saem como esperado no ambiente macroeconômico e como startups podem aprender com grandes empresas e grandes empresas com startups nesse cenário.

Essa necessidade de conexão contínua de startups e grandes corporações já é algo que ouvimos falar há anos. O que mudou? Por que ainda parece tão importante falar disso?

Não diria que houve uma resistência em entender a necessidade disso. A questão é que continua não sendo fácil para grandes empresas entender essa necessidade e mudar seus rumos — seja por opiniões de conselheiros ou pelo medo de abandonar uma postura de mercado que vem dando certo há muitos anos. É uma questão que assusta, pode ser cara e é desafiadora. Mas a boa notícia é que hoje é claro que é muito mais caro não inovar, do que inovar.

Falando em startups, existem pontos em comum quando falamos nas oportunidades que surgem em meio a crises para empresas do Brasil, Colômbia ou outros países latinos?

Acredito que isso é algo global. Mesmo que o Brasil represente, numericamente e em tamanho, grande parte do ecossistema, ainda somos muito similares. Isso acontece na maneira como aprendemos, como compramos, nas desigualdades sociais, etc.

Uma das principais oportunidades pode estar na união de diferentes startups, de diferentes países, na criação de soluções. Uma fintech brasileira, por exemplo, pode oferecer seus serviços financeiros para varejistas na Colômbia e vice-versa. O mesmo acontece com grandes empresas, uma vez que startups têm acesso mais ágil a uma imensa base de dados com essa integração. Esse pode ser um momento muito adequado para novas colaborações.

Como o cenário global atual impacta o desenvolvimento de novas startups em toda a América Latina, especialmente no Brasil? Há um impacto direto na maneira como incubadoras trabalham?

Estamos muito na ponta da inovação, na fase em que startups ainda estão no começo da jornada e muito distantes do IPO. Acredito que o impacto é bem menor nesse caso. Em modelos de negócio como o nosso, toda crise é uma oportunidade. Muitas ideias surgem nesse contexto de crise, então é o momento perfeito para que novas ideias e startups saiam do papel e cresçam a partir de uma incubação ou apoio.