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Mineira Lambe Lambe investe R$ 1,5 milhão e lança bebida sem álcool no Carnaval

Marca de bebidas de Belo Horizonte amplia portfólio com versão alcoólica e sem álcool, produz 1,2 milhão de latas para o Carnaval e inaugura o primeiro bar fora de Minas

Peter Bresser, Kalinka Campos e Edson Segundo, da Lambe Lambe: aposta no Rio de Janeiro como pontapé para presença nacional (Leticia Teixeira/Divulgação)

Peter Bresser, Kalinka Campos e Edson Segundo, da Lambe Lambe: aposta no Rio de Janeiro como pontapé para presença nacional (Leticia Teixeira/Divulgação)

Karla Dunder
Karla Dunder

Freelancer

Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 08h01.

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O Carnaval virou o principal campo de batalha para marcas de bebidas no Brasil. É quando consumo, calor, logística e visibilidade se concentram em poucos dias — e qualquer erro custa caro.

É nesse cenário que a Lambe Lambe, marca mineira criada em Belo Horizonte em 2019, chega à Folia de 2026 com dois lançamentos, um investimento relevante e um movimento claro de transição: deixar de ser uma marca local para operar com ambição nacional.

Agora a empresa decidiu acelerar em duas frentes ao mesmo tempo. Amplia o portfólio, com um drink alcoólico e outro sem álcool, e inaugura o primeiro bar fora de Minas Gerais, no Rio de Janeiro, colocando à prova sua capacidade de escalar sem perder identidade.

“O que sustenta a Lambe Lambe não é o teor alcoólico, mas a forma de fazer drinks naturais, com fruta de verdade, baixo açúcar e uma relação muito forte com a rua e com o público”, afirma Kalinka Campos, sócia executiva e diretora de Comunicação e Estratégia. “Essa clareza nos permitiu ampliar o portfólio sem diluir a marca.”

O próximo passo já está em execução. Para o Carnaval de 2026, a empresa investiu mais de R$ 1,5 milhão, produziu 1,2 milhão de latas e projeta crescimento de cerca de 30% em volume e faturamento, usando a Folia como vitrine e laboratório.

Da cena local ao crescimento estruturado

Fundada em 2019, em Belo Horizonte, a Lambe Lambe nasceu com uma proposta simples: drinks prontos em lata, feitos com frutas de verdade, receitas autorais e perfil refrescante. A aposta encontrou espaço em um mercado saturado de bebidas industrializadas.

Hoje, a empresa produz mais de 400 mil litros por ano, entre latas e barris, distribuídos em lojas próprias, e-commerce e pontos de venda em estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo e Distrito Federal. O faturamento anual gira em torno de R$ 4 milhões.

O crescimento, porém, nunca foi linear. Segundo os fundadores, a decisão mais difícil da jornada foi frear a velocidade para manter controle criativo e produtivo.

“Houve momentos em que acelerar mais rápido parecia tentador, mas isso significaria abrir mão de processos que sustentam a marca no longo prazo”, afirma Kalinka. “Optar por um crescimento mais estruturado foi arriscado, mas fundamental para chegar até aqui com consistência.”

Dois lançamentos e um ponto de inflexão

Para o Carnaval de 2026, a Lambe Lambe lança dois novos sabores em lata. O Manga & Maracujá reforça a linha alcoólica da marca, mantendo o perfil tropical e refrescante que ajudou a popularizar sabores como Tangerina, Limão e Sal e Limonada Rosa.

A segunda novidade é mais estratégica. O Zen marca a entrada da empresa no segmento de drinks sem álcool, um movimento ainda cercado de dúvidas no setor.

“A dúvida interna não era sobre mercado, mas sobre identidade”, diz Kalinka. “O receio era lançar algo sem álcool que fosse percebido como distante da essência da marca.”

A decisão veio após pesquisas de comportamento e consumo. Segundo a empresa, o hábito de “beber menos” deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina de um público que já consome a marca.

“O Zen nasce porque entendemos que muitas pessoas alternam momentos com e sem álcool, seja por saúde, trabalho ou escolha pessoal”, afirma.

Sem álcool, mas com experiência

O Zen foi desenvolvido para não ocupar o espaço de um refrigerante. A receita combina frutas, especiarias, flores e ingredientes fermentados, como caju, framboesa, limão, gengibre, ginseng, hibisco, jambú, pimenta-rosa, cravo, canela e missô.

O resultado é um drink frisante, aromático, com perfil levemente ácido e final refrescante. Cada porção tem 24 calorias. A proposta é ampliar ocasiões de consumo sem substituir a linha alcoólica.

“A linha sem álcool não compete com a alcoólica. Ela complementa”, afirma Kalinka. “O consumidor alterna, e isso aumenta o tempo de relação com a marca ao longo do dia.”

Carnaval: aposta alta, risco calculado

O Carnaval concentra boa parte do faturamento anual da Lambe Lambe. Em 2025, a empresa produziu cerca de 1,2 milhão de latas para o período. Para 2026, a projeção é crescer cerca de 30%, impulsionada pela ampliação da distribuição e pelo novo portfólio.

Investir mais de R$ 1,5 milhão em um único período aumenta o risco do negócio, especialmente para uma marca independente. A mitigação vem de planejamento técnico, previsões de demanda e dados acumulados desde a fundação.

“O Carnaval é um pico de vendas, mas também um grande laboratório de marca”, diz Kalinka. “Testamos produto, discurso e presença de rua de forma concentrada.”

Neste ano, a Lambe Lambe apoia mais de 20 blocos em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, reforçando a estratégia de estar onde a marca nasceu: na rua.

O teste do Rio e a ambição nacional

A inauguração do primeiro bar fora de Minas Gerais, no Rio de Janeiro, marca uma mudança simbólica. Localizada na Rua Morais e Vale, na Lapa, a unidade testa a capacidade da Lambe Lambe de operar fora do território onde já é reconhecida.

“No Rio, precisamos nos apresentar, disputar atenção e construir relevância cotidiana”, afirma Kalinka. “Isso testa gestão, linguagem, operação financeira e consistência de experiência.”

São Paulo é o próximo passo no plano de expansão. A Bahia aparece no radar para o próximo verão. O desafio, segundo os fundadores, não é crescer rápido, mas crescer sem perder controle.

“Crescer rápido é capital. Crescer com coerência é cultura”, diz Kalinka. “A expansão só faz sentido se cada novo produto ou unidade carregar o mesmo rigor que construiu a marca até aqui.”

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