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Jovem fatura R$ 20 mi com vending machines: 'demorei para confiar no simples'

Com operação própria e franquias, a Avend soma 184 máquinas em funcionamento e aposta em modelo home based para escalar o varejo automatizado

Guilherme Álvares, da Avend: 90 unidades vendidas em apenas oito meses de franchising (Divulgação/Divulgação)

Guilherme Álvares, da Avend: 90 unidades vendidas em apenas oito meses de franchising (Divulgação/Divulgação)

Karla Dunder
Karla Dunder

Freelancer

Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 14h03.

Última atualização em 7 de janeiro de 2026 às 10h39.

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O brasileiro já se acostumou a pagar com Pix, mas ainda estranha comprar sem atendente. Mesmo assim, vending machines avançam em hospitais, empresas e universidades, ocupando espaços onde o varejo tradicional não chega.

A Avend é uma franquia brasileira de vending machines fundada por Guilherme Álvares, 29 anos. A empresa opera hoje 184 máquinas no país — 113 próprias e 71 franqueadas — e fatura cerca de R$ 20 milhões por ano.

Em apenas oito meses de franchising, a Avend vendeu 90 unidades e mudou o ritmo do negócio. A operação própria, antes limitada a São José do Rio Preto e região, ganhou escala nacional.

“Eu demorei a confiar no simples. Tentava negócios complexos, quando a resposta estava na minha frente desde 2015”, diz Guilherme. “Quando foquei 100% nas vending machines, tudo acelerou.”

O plano agora é crescer rápido. A meta é chegar a 300 franquias em 2026 e avançar para fora do Brasil.

Da faculdade à primeira máquina

Guilherme entrou em administração no Mackenzie em 2015. No mesmo ano, comprou sua primeira vending machine usada, encontrada no Google. Era um teste. Sem plano de expansão, sem equipe estruturada.

“Era um negócio que eu conseguia conciliar com faculdade e vida social”, diz. “Uma máquina virou duas, depois quatro. Quando vi, não dava mais para ignorar.”

Enquanto testava e-commerce, e-sports, e até pensava em trabalhar na empresa do pai, na área da construção civil, as máquinas seguiam rodando. Hospitais, clínicas e empresas pediam soluções que ninguém entregava.

O ponto de virada veio quando a operação cresceu demais para ser gerida à distância. As máquinas ficavam no interior paulista. Guilherme estava em São Paulo. A logística travava.

O limite da operação própria

Com 113 máquinas próprias espalhadas por cidades como Rio Preto, Mirassol e Barretos, a Avend chegou a um teto. Para abastecer, era preciso centro de distribuição, estoque local e equipe fixa.

“Eu não conseguia ir para capitais ou outros estados mantendo qualidade”, afirma. “A franquia resolveu esse problema.”

A primeira unidade franqueada foi vendida em 25 de abril de 2025. Em 29 de dezembro, a rede fechou o ano com 90 contratos assinados.

Hoje, o faturamento mensal da operação própria gira perto de R$ 1 milhão. A franquia passou a ser o motor de crescimento.

Tecnologia para tirar a complexidade

O setor de vending machines no Brasil ainda sofre com baixa profissionalização. Máquinas diferentes, sistemas desconectados, precificação no chute.

A Avend atacou esse ponto com padronização. Todas as máquinas operam com pagamento digital — cartão e Pix — e telemetria, sistema que monitora vendas e estoque em tempo real.

“O franqueado não precisa descobrir tudo sozinho. A gente já errou antes”, diz Guilherme.

O painel mostra vendas por produto, horário de pico, necessidade de reposição e alertas técnicos. O mix é definido pela franqueadora e ajustado conforme o ponto.

Hospitais, por exemplo, estão entre os locais que mais faturam.

Quanto custa e quanto rende

O modelo é home based, ou seja, sem loja e sem funcionários. O investimento inicial começa em R$ 50.000. Desse total, R$ 10.000 são taxa de franquia e R$ 40.000 cobrem a máquina.

O custo inicial de estoque e transporte fica entre R$ 4.000 e R$ 5.000. O capital de giro gira em torno de R$ 3.000.

Já o faturamento médio por máquina fica entre R$ 10.000 e R$ 12.000 por mês. Há casos de R$ 30.000, segundo a empresa. A margem líquida média é de 40%.

“Uma máquina que fatura R$ 10.000 deixa cerca de R$ 4.000 limpos”, afirma Guilherme.

Os royalties são de 5% sobre o faturamento bruto, além de taxa de publicidade de R$ 100 e software de R$ 95. O retorno, segundo a rede, varia de 10 a 16 meses.

O desempenho depende do fluxo de pessoas. Universidades, academias, hospitais e ambientes corporativos concentram o melhor resultado.

A Avend participa da escolha do local. Usa dados de geomarketing, histórico das máquinas próprias e análise de comportamento do consumidor.

Próximo passo: escalar

A meta para 2026 é chegar a 300 franquias ativas. Em um cenário conservador, Guilherme projeta faturamento de R$ 30 milhões. Num cenário mais otimista, até R$ 45 milhões.

A empresa já opera em 10 estados e no Distrito Federal. As próximas inaugurações incluem Rio de Janeiro, Goiânia, Salvador e Florianópolis.

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Máquina do Grupo Avend: faturamento mensal da operação própria gira perto de R$ 1 milhão (Divulgação/Divulgação)

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