Jack Welch, ex-CEO da General Eletric, morre aos 84 anos

Welch coordenou a General Eletric de 1981 a 2001, fazendo seu valor de mercado crescer de 12 bilhões para 410 bilhões de dólares

São Paulo — O ex-presidente da General Electric Jack Welch morreu na noite deste domingo, 1º de março, aos 84 anos, por insuficiência renal. A informação foi confirmada pela esposa do empresário na manhã desta segunda-feira, 2.

Welch já foi apontado como gestor do século pela revista Fortune, em 1999. O executivo comandou a GE de 1981 a 2001, fazendo seu valor de mercado crescer de 12 bilhões para até 410 bilhões de dólares em 2000, quando a empresa chegou a ser a mais valiosa do mundo. Atualmente, a GE vale 95 bilhões de dólares, após uma série de crises e vendas de ativos que fizeram a companhia perder parte de seu valor e reputação frente aos investidores.

John Welch nasceu John Francis Welch Jr. em 1935, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos e com ascendência irlandesa. Sua mãe era dona de casa e seu pai um motorista de trem. Welch estudou engenharia química na Universidade de Massachusetts Amherst e fez doutorado na Universidade de Illinois, em Chigago, na década de 1960.

Foi também em 1960 que ele chegou à GE, então como engenheiro da divisão de plásticos, e se tornou vice-presidente em 1972 e vice-presidente do conselho anos depois. Por fim, chegou ao cargo de presidente-executivo e presidente do conselho em 1981, aos 45 anos.

Quando se aposentou da GE, em 2001, Welch foi chamado em um editorial do jornal The New York Times de "revolucionário". "Nós tínhamos uma filosofia na GE, e eu tenho uma filosofia, de que sempre existe um concorrente fazendo algo melhor", disse Welch em entrevista exclusiva à EXAME em 2017. "As respostas podem vir de qualquer lugar, de dentro ou de fora."

Welch foi um dos marcos de uma empresa que, ela própria, é até hoje um dos símbolos do capitalismo americano. A GE foi fundada em 1878 com o nome de Edison Electric Light Company por Thomas Edison, um ano antes de o inventor lançar sua lendária patente da lâmpada elétrica. Com o tempo, além de energia, a empresa passou a atuar em seguimentos tão diversos quanto aviação, saúde, indústria digital e finanças. Uma empresa que, ao mesmo tempo, era proprietária de um banco e de uma emissora de televisão, a NBC.

Embora tenha se tornado uma lenda no mundo dos negócios, seu prestígio caiu nos anos seguintes a sua aposentadoria, à medida em que a situação da GE se deteriorou. A empresa teve de sobreviver à bolha da internet, nos anos 2000, ao atentado de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e, por fim, à recessão de 2008. Desde então, a GE precisou vender uma série de ativos que totalizam mais de 200 bilhões de dólares, como a rede de mídia NBCUniversal.

Além de grande, o negócio da GE se tornou complexo. O maior exemplo do gigantismo da companhia era a GE Capital, uma financeira que se tornou o maior negócio da companhia e uma das maiores empresas de finanças dos EUA. E boa parte dos bons resultados era indecifrável para os analistas, e a empresa chegou a responder a processos bilionários por problemas na contabilidade. Nos últimos cinco anos, o valor de mercado da empresa caiu mais de 50%.

Revoluções na gestão

Além da expansão das frentes de atuação, a gestão de Welch à frente da GE foi marcada por uma espécie de luta contra a burocracia, dando a gerentes e diretores autonomia para tomar decisões que eles considerassem importantes. Welch também foi responsável por grandes cortes: em seus primeiros cinco anos como presidente, a força de trabalho na GE foi de 411.000 para 299.000 pessoas. Por isso, ele recebeu o apelido de "Neutron Jack" -- como a bomba criada para matar sem destruir cidades.

Welch classificava os diretores e gerentes em três grupos, na chamada "curva de vitalidade" que inventou. Os primeiros 20% estavam no grupo A, com paixão e comprometidos a fazer as coisas acontecerem, conforme Welch explicou em seu livro "Jack", de 2001 (publicado em inglês como "Jack: Straight From the Gut"). Outros 70% estavam no grupo considerado "vital", essenciais para a companhia e que eram encorajados a fazer parte da elite no grupo A. Por fim, os últimos 10%, no grupo C, eram considerados abaixo da média, os underperformers, em inglês. "Os underperformers, no geral, tinham de ser demitidos", disse Welch em seu livro.

O executivo deixa sua esposa, Suzy Welch, e quatro filhos.

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