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“Um líder precisa estar disposto a mudar”, disse Jack Welch à EXAME

Jack Welch, ex-presidente da General Electric, morreu na noite deste domingo, 1º de março, aos 84 anos.

Jack Welch: para especialistas, o título de "Gestor do Século", que Welch ganhou em 1999 pela Fortune, se deve a uma carreira provocativa (Getty Images/Reprodução)

Jack Welch: para especialistas, o título de "Gestor do Século", que Welch ganhou em 1999 pela Fortune, se deve a uma carreira provocativa (Getty Images/Reprodução)

Marina Filippe

Marina Filippe

Publicado em 2 de março de 2020 às 12h17.

Última atualização em 2 de março de 2020 às 13h12.

Jack Welch, ex-presidente da General Electric, morreu na noite deste domingo, 1º de março, aos 84 anos. A informação foi confirmada pela esposa do empresário na manhã desta segunda-feira.

Durante sua gestão, entre 1981 e 2001, Welch foi responsável por grande parte do crescimento da empresa. Um exemplo foi quando o valor de mercado cresceu de 12 bilhões para cerca de 410 bilhões de dólares em 2000, fazendo da companhia a mais valiosa do mundo. Atualmente, a GE vale 95 bilhões de dólares, após uma série de crises e vendas de ativos que fizeram a empresa perder parte de seu valor e reputação frente aos investidores.

Ao longo da carreira, Welch deixou diversas lições para empreendedores, empresários e executivos.

Em sua passagem pelo Brasil em 2010, ele disse que a gestão de um negócio é tão simples quanto a condução de um time de futebol: basta saber selecionar os jogadores. “São os funcionários que implementarão o seu plano e te farão atingir o objetivo”, afirmou. “De nada adianta um bom líder se não houver uma boa equipe.”

Para o sucesso também é preciso o que chamava de  “5 Es e 1 P”: energia própria (em inglês, energy), energia passada a outros (energize), capacidade de decisão (edge to say yes or no), capacidade de execução (execute) e paixão pelo trabalho (passion).

Para especialistas, o título de "Gestor do Século", que Welch ganhou em 1999 pela Fortune, se deve a uma carreira provocativa, que focava não apenas na execução de normas e processos, mas dava aos líderes o papel de  fundamental para o desenvolvimento da organização a partir de estratégias de diferenciação e aculturamento.

No início dos anos 90, com os lucros e o preço das ações subindo acentuadamente, a G.E parecia oferecer um modelo para tornar as grandes empresas mais ágeis e competitivas. "Era uma maneira diferente de administrar e se estabelecer", disse ao The New York Times Joseph L. Bower, professor emérito da Harvard Business School, que escreveu um estudo de caso amplamente ensinado de Welch e o entrevistou ao longo dos anos.

Welch trabalhou para que se tornasse clara a missão das empresas no dia a dia dos funcionários. "Detalhar o motivo pelo qual a empresa existe e colocá-lo em prática é até hoje um desafio", diz Fabian Salum, Professor de estratégia e inovação da Fundação Dom Cabral.  

Para o professor, outro destaque de Welch foi a diferenciação. "No livro A Paixão por Vencer ele deixa claro que o produto e o serviço não podem ser mais do mesmo", afirma. Para isso, a liderança tem que estar sempre aberta ao diálogo e em busca de inovação.

Mas não são apenas os acertos que compõem a carreira de Jack Welch. Entre os seus maiores desafios estava a alta velocidade das aquisições, que gerou dificuldades na implementação de uma cultura unitária entre todas as unidades da companhia ao redor do mundo.

Entrevista

Jack Welch concedeu uma entrevista a EXAME em 2017, em que explica como as mudanças tecnológicas afetam a tomada de decisão e exigem ainda mais agilidade da liderança na tomada de decisão:

"A principal mudança é que a tecnologia tornou as coisas muito mais rápidas e muito mais transparentes. As organizações precisam usar isto como vantagem, e não ficarem paralisadas por causa deste motivo. Portanto, um líder precisa agir rapidamente. Precisa estar disposto a mudar de direção. Adaptabilidade é a característica mais importante que uma empresa pode ter atualmente. Ela precisa ser flexível. Isso exige muitas tentativas e erros. Quando você tenta algo novo e aquilo não funciona, é preciso ser rápido em deixar o projeto de lado e buscar outro. Se a empresa tem uma estratégia rígida e não é capaz de se adaptar, ela acabará morta. Porque tudo está mudando em questão de dias, e não em semanas ou meses. Também é importante que todos os funcionários estejam familiarizados com todas as informações da empresa, para que eles possam responder com rapidez. Não pode haver segredos.", disse.

A entrevista completa, e inédita, estará na próxima edição da revista EXAME

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