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Ele quer provar que IA pode ir além do hype — e gerar resultado real

Criado no Centro de Excelência em Inteligência Artificial em Goiás, a Hug Labs promete reduzir custos operacionais em até 80% e gerar retorno em menos de seis meses

Laura Pancini
Laura Pancini

Repórter

Publicado em 6 de abril de 2026 às 11h01.

Transformar inteligência artificial em resultado concreto ainda é um dos principais desafios das empresas. A promessa é antiga, mas a execução trava: projetos que não saem do piloto, integrações que não funcionam e retorno difícil de medir.

É esse espaço que a Hug Labs tenta ocupar. De Goiás, a startup brasileira desenvolve sistemas de IA capazes de atender clientes, organizar dados e executar tarefas dentro das empresas — tudo em tempo real.

A promessa é reduzir custos operacionais em até 80% e gerar retorno em menos de seis meses. A empresa já fatura cerca de R$ 1,7 milhão e atende dezenas de clientes, em áreas que vão de atendimento ao cliente à gestão interna.

O foco não é a tecnologia em si, mas o que ela resolve. “O problema não é acessar IA. É fazer funcionar dentro da empresa”, diz Raul Mata, fundador da Hug.

Enquanto modelos tradicionais ainda dependem de fluxos mais lentos e validações manuais, a Hug opera com respostas quase imediatas. Segundo Mata, o tempo de resposta fica abaixo de um segundo, contra até 10 minutos em abordagens mais tradicionais.

Esse ganho vem de uma escolha técnica e estratégica: antes de aplicar IA, a empresa organiza os dados e conecta sistemas que, em muitos casos, nunca “conversaram” entre si.

Do interior à IA

Engenheiro de IA, Raul Mata cresceu no interior de São Paulo, montando computadores com peças usadas e aprendendo a programar sozinho.

Seguiu um caminho diferente ao entrar no direito, mas a escolha não durou. Durante a pandemia, decidiu abandonar a carreira e voltar ao que fazia desde os oito anos. “Eu lembrei que era muito feliz mexendo com computador”, diz.

A volta foi acelerada. Em poucos meses, desenvolveu um algoritmo de análise de mercado financeiro com taxa de acerto superior a 70%, que acabou sendo adquirido por um family office.

O ponto de inflexão veio no contato com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ali, Mata passou a atuar próximo de pesquisa de ponta e viu uma lacuna clara: muita tecnologia avançada, mas pouca aplicação real nas empresas.

A Hug nasce desse encontro entre pesquisa e operação.

Onde a IA deixa de ser teste

Um dos casos mais emblemáticos está no setor industrial. A Hug criou um “gêmeo digital”, uma réplica virtual da operação, para simular mudanças antes da implementação.

Em cerca de quatro meses, o projeto reduziu em até 70% o trabalho manual da diretoria, especialmente na análise de dados e tomada de decisão. Tarefas repetitivas deixam de ocupar tempo executivo, e a gestão passa a operar com mais previsibilidade.

Agora, a empresa prepara novos produtos para ampliar o uso da IA dentro das organizações. Entre eles, um assistente capaz de atuar na aquisição de clientes e conduzir etapas comerciais de forma automatizada.

Outro lançamento previsto é um sistema de detecção de deepfakes de voz, que será disponibilizado gratuitamente — uma resposta ao avanço de fraudes com IA.

Hoje, a Hug Labs reúne cerca de 30 engenheiros e pesquisadores e atende aproximadamente 40 clientes, com operação distribuída entre Brasil e Europa.

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