Negócios

Henrique Maderite: como o 'sextou, bb' virou um império

Influenciador mineiro transformou um bordão informal em negócio digital estruturado e audiência milionária

Henrique Madeirite: influenciador morreu na sexta-feira, 7

Henrique Madeirite: influenciador morreu na sexta-feira, 7

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 7 de fevereiro de 2026 às 11h03.

Henrique Costa Ferreira construiu sua fama repetindo um ritual simples: toda sexta-feira, ao meio-dia, um vídeo curto convidando o público a aproveitar a vida.

O bordão “Sextou, BB”, sempre acompanhado de um copo de cerveja e tom bem-humorado, transformou o empresário mineiro em um dos influenciadores mais conhecidos do país e em um caso singular de profissionalização do entretenimento digital.

Conhecido como Henrique Maderite, ele reuniu mais de 2,3 milhões de seguidores nas redes sociais e estruturou um negócio baseado em engajamento previsível, público fiel e parcerias comerciais de longo prazo.

A trajetória foi interrompida nesta sexta-feira, 6, quando Maderite morreu aos 50 anos, em Ouro Preto (MG). A causa foi um infarto fulminante, segundo a própria família do influenciador.

De acordo com a Polícia Militar, o corpo foi encontrado já sem sinais vitais na Estrada do Maracujá, área rural onde funciona o Haras Henrique Maderite.

Da construção civil ao marketing digital

Natural de Belo Horizonte, Maderite atuava no setor da construção civil, como sócio de uma construtora voltada a habitações populares em Minas Gerais, antes de ganhar projeção nacional nas redes.

O início como influenciador foi informal: vídeos gravados durante almoços de sexta-feira com amigos e enviados por WhatsApp passaram a circular fora do círculo pessoal e alcançar desconhecidos.

O crescimento chamou atenção dentro de casa. Segundo o próprio empresário, foi a esposa, Fernanda Maciel, quem sugeriu transformar a popularidade em negócio. A partir daí, o que parecia espontâneo ganhou método, frequência e estratégia.

Empresa familiar e estratégia definida

Ao lado de Fernanda, sócia direta, e da filha Ana Clara, que também atuava nos negócios, Maderite estruturou uma empresa dedicada à produção de conteúdo, negociação com marcas e gestão de audiência. Funcionários cuidavam da edição dos vídeos, da interação com seguidores e das parcerias comerciais.

Em entrevista à EXAME, em 2022, ele explicou que seu público estava concentrado na faixa de 25 a 57 anos. “É um público prático. Ele quer ver, rir ou comprar”, afirmou. A lógica se refletia no volume de engajamento e no interesse crescente de marcas de diferentes setores.

O primeiro acordo comercial foi com uma cervejaria mineira, inicialmente por meio de permuta. Com o crescimento, vieram contratos formais e parcerias com empresas do mercado financeiro, telecomunicações e reciclagem. “Agora, sexta-feira eu vou para o bar e digo que estou indo trabalhar”, costumava brincar.

Mobilização além da publicidade

O alcance das redes mostrou força além do marketing. Em janeiro de 2022, após fortes chuvas atingirem dezenas de cidades mineiras, Maderite usou seus perfis para pedir doações. Em um único fim de semana, arrecadou R$ 2,6 milhões.

Para garantir transparência, criou um site com atualização em tempo real da destinação dos recursos. A iniciativa beneficiou moradores de mais de 40 municípios, com a compra e entrega de alimentos, eletrodomésticos e outros itens essenciais.

Última sexta-feira

Mesmo associado ao lazer, o influenciador reforçava que seu diferencial estava na qualidade do engajamento, não apenas no número de seguidores. “Meu diferencial está na qualidade dos acessos, e não no volume”, disse.

Na manhã de sexta-feira, como em tantas outras, publicou sua mensagem habitual desejando boas energias aos seguidores.

Acompanhe tudo sobre:InfluenciadoresMortes

Mais de Negócios

2 mil pessoas e 3 toneladas de comida: por dentro do único resort all inclusive do sul do país

Causa da morte de Henrique Maderite é confirmada pela família

Mocotó Inbasa: o que aconteceu com o 'whey protein' dos anos 80

Em cinco anos, uma gráfica criada no fundo de casa chegou a R$ 2,3 milhões