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Aline Deparis, fundadora e CEO da Privacy Tools, com o primeiro filho, recé-nascido, Antonio (Edivan Rosa, divulgação/Divulgação)
Editor da Região Sul
Publicado em 8 de maio de 2026 às 12h32.
Última atualização em 8 de maio de 2026 às 19h17.
Para a gaúcha Aline Deparis, 2026 já entrou para o calendário como único. Aos 41 anos, a fundadora e CEO da Privacy Tools, de Porto Alegre, vive uma transformação dupla: há pouco mais de 20 dias, deu à luz seu primeiro filho, Antonio, ao mesmo tempo em que lidera a fase mais intensa de crescimento da startup criada por ela em 2019 — hoje uma das principais referências em privacidade e governança de dados no Brasil.
A empresa projeta alcançar um faturamento de R$ 20 milhões nos próximos meses e já se prepara para a internacionalização, marcando um novo ciclo de expansão.
“Tem sido uma loucura bonita”, resume Aline. “As pessoas me perguntam como eu consigo fazer tudo ao mesmo tempo. E eu respondo que nunca toquei tanta coisa ao mesmo tempo na vida, e nunca estive tão realizada.”
A maternidade, nesse contexto, não surge como contraponto à carreira. Pelo contrário: se integra a ela. A chegada do primeiro filho acontece em meio a uma rotina de decisões estratégicas, expansão internacional e amadurecimento de mercado — um cenário que, para Aline, não representa conflito, mas coexistência.
O momento da empresa acompanha uma transformação mais ampla do setor. Com o fortalecimento da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e a entrada em vigor do chamado ECA Digital, aumentou a pressão para que empresas estruturem, de fato, suas práticas de governança de dados.
“O mercado mudou de patamar. Não é mais possível falar de proteção de dados, inteligência artificial ou qualquer nova regulação sem resolver a base: a governança das informações. A privacidade deixou de ser somente uma agenda jurídica e passou a ser uma agenda de negócio”, afirma.
Os números refletem essa virada. Apenas no primeiro trimestre de 2026, a Privacy Tools igualou em novas vendas todo o volume registrado no primeiro semestre do ano anterior. A empresa projeta crescimento de 35% no ano, mantendo uma trajetória consistente após ciclos iniciais de expansão acelerada.
A startup já atendeu mais de 700 organizações, entre grandes empresas e instituições públicas, e avança na estratégia de internacionalização, com operações no Chile e planos de expansão na América Latina. O lançamento recente de um módulo voltado à governança de inteligência artificial reforça o posicionamento da companhia em um mercado cada vez mais estratégico.
Quem vê Aline Deparis conduzindo reuniões com executivos de multinacionais talvez não imagine que sua história começou em Viadutos, cidade de pouco mais de 4 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul.
Filha de agricultores, ela cresceu entre plantações e longos trajetos até a escola — seis quilômetros percorridos a cavalo ou de bicicleta, com paradas para colher frutas no caminho. Foi ali que teve o primeiro contato com o empreendedorismo, observando o pai lidar com as incertezas do campo.“Toda vez que ele colhia uma safra ruim, dizia: ‘Ano que vem a gente planta de novo e vai dar tudo certo’. E na área de tecnologia não é muito diferente”, relembra.
A virada veio em 2019, com a aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Nascia ali a Privacy Tools, criada para ajudar empresas a estruturar programas de privacidade e governança de dados. Foi a primeira privacy tech do país — e também um movimento no timing certo.
Desde então, a empresa cresceu em ritmo acelerado: 101% em 2021, 51% em 2022, 51% em 2023, 37% em 2024 e 20% em 2025. Hoje, conta com mais de 60 colaboradores e uma base consolidada de clientes.
Ao longo de quase duas décadas empreendendo em tecnologia — setor onde mulheres ainda são minoria nas cadeiras de liderança — Aline aprendeu a não esperar permissão. A gravidez do primeiro filho não veio como pausa, mas como mais um capítulo de uma trajetória que se recusa a colocar vida pessoal e profissional em caixas separadas.
“Por muito tempo se ouviu que mulheres precisavam escolher: carreira ou família, liderança ou maternidade. Eu não aceito essa divisão”, afirma. “O Antonio chegou em um momento em que a empresa está mais forte do que nunca. E eu também.”
Para Aline, ser mãe e CEO de uma startup em crescimento acelerado não é heroísmo, mas consequência de ter construído uma empresa baseada em time, processo e propósito.“Nenhuma plantação prospera sem cuidado constante. No empreendedorismo, nenhuma empresa cresce sem pessoas que acreditam juntas”, pontua.