Segundo especialista, bioma pode ser o primeiro a chegar ao ‘desmatamento zero (Bússola/Divulgação)
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Publicado em 22 de maio de 2026 às 21h16.
Um levantamento divulgado pela SOS Mata Atlântica no dia 13 deste mês indicou que em 2025 houve uma queda de 28% no desmatamento em relação ao ano anterior, saindo de 53.303 para 38.385 hectares desmatados.
Outra pesquisa, desta vez em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) sobre o mesmo período, chamada de “Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica”, mostrou uma redução ainda mais expressiva, de 14.366 para 8.668 hectares — cerca de 40%.
O Atlas é feito desde 1985 e, em mais de quatro décadas de pesquisas, essa foi a primeira vez que o desmatamento anual ficou abaixo de 10 mil hectares.
“A queda é explicada por medidas eficazes de combate e de repressão ao desmatamento, além de acabar com a impressão de impunidade. Essas ações vão direto no bolso do desmatador e cria a sensação de que a lei está sendo aplicada e que é extremamente importante para a redução do desmatamento”, disse o Diretor Executivo da SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto.
A Mata Atlântica está presente em 17 estados do Brasil. Segundo o Atlas, em 11 deles houve redução significativa da exploração. Apesar disso, quase toda a destruição registrada pelo sistema,cerca de 96%, foi convertida para uso agropecuário — grande parte com indício de ilegalidade, segundo a SOS Mata Atlântica.
Proteção legal
O governo, por meio da Operação Mata Atlântica em Pé, combateu desmatamentos ilegais, aplicou embargos e restringiu a oferta de créditos para áreas atacadas. A operação une órgãos ambientais e forças de segurança, usando imagens de satélite e sobrevoos para identificar áreas devastadas e responsabilizar os infratores civil e criminalmente.
A partir da fiscalização do MapBiomas, órgãos como o Ministério Público, a Secretaria de
Meio Ambiente e a Polícia Militar atuam para multar e prender os responsáveis, além de apreender equipamentos utilizados nos crimes, como escavadeiras, carregadeiras e motosserras.
Continuidade
Segundo a SOS Mata Atlântica, o bioma tem condições de se tornar o primeiro no País a alcançar o desmatamento zero e avançar em uma agenda de restauração florestal em grande escala.
“A Mata Atlântica vai ser o primeiro bioma do Brasil, e talvez do mundo, a reverter a história de destruição de uma floresta tropical. A gente tem tudo para que ela seja o primeiro bioma a alcançar o desmatamento zero, a restauração em grande escala, e ser um exemplo para se aplicar em outros biomas nacionais e em todo o mundo”, afirmou o diretor da SOS Mata Atlântica.
Em 2025, o Congresso Nacional aprovou a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Lei da Licença Ambiental Especial, que enfraquecem a autonomia de órgãos como o Ibama e sobrecarregam municípios sem estrutura técnica para lidar com o desmatamento.
De acordo com o Atlas da Mata Atlântica, restam hoje apenas 24% do bioma original, sendo que pouco mais da metade disso (12,4%) são referentes às florestas maduras — ambientes de maior importância para a biodiversidade e o estoque de carbono.
Nesta sexta-feira e sábado, 22 e 23, durante o Fórum Esfera, lideranças políticas, empresariais e de agências regulatórias nacionais discutem assuntos sobre o futuro do País, inclusive sobre a preservação dos biomas e de recursos naturais importantes.
“A manutenção e reestruturação da Mata Atlântica é importante em nível nacional para evitar desastres naturais como os que aconteceram na Paraíba, em Pernambuco, em Minas Gerais, no Rio Grande do Sul e em Petrópolis [RJ]”, concluiu Guedes Pinto.