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Energético de SC desafia gigantes, compra fábrica e não para de ganhar mercado

Vinda de uma cidade de 115 mil habitantes no sul de Santa Catarina, a Baly superou gigantes e agora acelera com novo parque industrial em SC

Dayane Titon Cardoso, diretora comercial e de marketing da Baly: "O impossível é só uma questão de opinião, e esse não é apenas o lema da Baly" (Leandro Fonseca /Exame)

Dayane Titon Cardoso, diretora comercial e de marketing da Baly: "O impossível é só uma questão de opinião, e esse não é apenas o lema da Baly" (Leandro Fonseca /Exame)

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 11h34.

Vem de Tubarão, uma cidade de 115 mil habitantes no sul de Santa Catarina, a empresa que desbancou duas das maiores marcas globais de bebidas energéticas.

Com latas coloridas, sabores inusitados e foco em distribuição agressiva, a Baly Brasil fechou 2025 como a líder de vendas no país, superando Red Bull e Monster — esta última, até então, dona do topo no ranking nacional.

A informação é da empresa, citando Scanntech.

Para além dos bons números, a empresa acaba de anunciar, nesta segunda-feira, 26, um novo investimento: a aquisição de um parque industrial de 500.000 metros quadrados em Araranguá (SC), que servirá como base para novas categorias de bebidas e expansão logística.

"A Baly conquistou relevância no mercado brasileiro e internacional, e isso carrega uma responsabilidade enorme", afirma Jânio Nandi Cardoso, um dos diretores da empresa. "Crescer nesse ritmo significa gerar empregos, movimentar economias locais e mostrar que uma empresa nacional pode competir e liderar frente às multinacionais."

Criada em 1997 por Mário Cardoso e o sobrinho Jânio, a Baly nasceu como fabricante de cachaças e vinhos.

Mas foi em 2009, com a entrada no mercado de energéticos, que a empresa iniciou a guinada que a colocaria entre as protagonistas do setor.

Hoje, seus produtos estão em todo o Brasil e já chegam a outros países da América do Sul.

A nova planta é a quarta da companhia e deve ampliar a operação tanto em volume quanto em portfólio.

“Com estrutura moderna e mais eficiente, o novo parque fabril nasce para sustentar algo que poucos conseguem: crescer mais rápido que o mercado e manter a liderança”, afirma Mário Júnior Cardoso, diretor de operações da empresa.

Como a Baly superou as multinacionais

Entre 2022 e 2025, a Baly cresceu 42%, o dobro do mercado de energéticos no Brasil, que avançou 21% no mesmo período, segundo dados da NielsenIQ.

Em 2025, liderou o mercado em volume de vendas em quatro meses — março, abril, julho e dezembro — e fechou o ano com 34,9% de participação, contra 30,3% da Monster, segundo a ScannShare, da Scanntech.

A estratégia da empresa combina três pilares: sabores variados, produção nacional com distribuição eficiente e escuta ativa dos pontos de venda.

"A produção nacional nos dá agilidade e preço competitivo. Isso democratizou o consumo de energético e permitiu que a gente atendesse uma demanda que as grandes marcas não olhavam", diz Dayane Titon Cardoso, diretora comercial e de marketing da empresa.

Nova fábrica: mais que produção, uma aposta em categorias

O novo complexo adquirido da Alliance One Brasil, com 100.000 metros quadrados de área construída, permitirá não só aumento de capacidade, mas também o lançamento de novos produtos.

A empresa já havia adquirido, em setembro de 2025, as instalações da Itagres Revestimentos Cerâmicos, também em Santa Catarina, para reforçar a operação logística.

A nova planta é vista internamente como um “divisor de águas” na estrutura da companhia.

“O impossível é só uma questão de opinião, e esse não é apenas o lema da Baly, é a realidade que temos construído dia após dia”, afirma Dayane.

Atualmente, a empresa conta com mais de 5.000 empregos diretos e indiretos.

A prefeitura de Araranguá declarou apoio total à operação, que deve começar a ser estruturada nos próximos meses.

Qual é a história da Baly

Mário Júnior Cardoso, Mário Cardoso, Dayane Titon Cardoso e Jânio Nandi Cardoso, da Baly Brasil: família já produz energético há 16 anos (Ricardo Beppler / Baly Brasil/Divulgação)

Se hoje o energético é o carro-chefe, a trajetória da Baly começou com outra proposta.

Quando Mário Cardoso e o sobrinho fundaram a empresa, em 1997, o foco era a comercialização de cachaças e vinhos — atividade que seguiu por mais de uma década.

A guinada veio em 2009, durante o Carnaval, quando a Baly viu a oportunidade de lançar energéticos em embalagens PET, uma inovação em um mercado ainda concentrado em latinhas. "A chegada das garrafas PET às prateleiras democratizou a bebida entre novos consumidores, especialmente nos grupos de amigos e famílias", afirma Dayane Titon Cardoso, diretora comercial e de marketing da Baly.

A estratégia funcionou e impulsionou o energético a assumir a liderança no portfólio da empresa, enquanto as bebidas alcoólicas foram gradualmente deixadas de lado. Apenas em 2017 a Baly voltaria a atuar nesse segmento, com o lançamento de uma linha de cervejas.

Como a Baly cresceu e mudou o mercado

O salto da Baly foi potencializado a partir de 2017, quando Dayane e Mário Cardoso assumiram a gestão com foco total na leitura do mercado e no atendimento às novas demandas dos consumidores brasileiros.

Uma das principais lacunas identificadas era a oferta de produtos saborizados, segmento ainda pouco explorado pelas multinacionais de energético.

"Como temos produção nacional, conseguimos preços mais competitivos e ajudamos a democratizar o mercado de sabores, que era carente", afirma Dayane. "Durante a pandemia, isso ficou muito claro. Fomos lançando vários sabores diferentes, e todos com aderência do público."

Um dos diferenciais do crescimento foi a proximidade com os pontos de venda.

"Valorizamos muito onde o produto está", afirma Dayane. "Estamos gastando bastante sola de sapato para saber o máximo de necessidade que o cliente tem, e o ponto de venda dá muitas informações, da necessidade às ausências."

Exemplo dessa escuta ativa foi a percepção da ausência de um energético sabor Maçã Verde, muito usado por bartenders em drinques. A Baly não perdeu tempo e transformou a demanda em produto, que rapidamente se tornou um dos mais vendidos.

Desafios à frente: manter a liderança e crescer sem perder fôlego

O maior desafio da Baly agora é manter o ritmo — e a liderança — em um setor que exige capilaridade de distribuição, inovação constante e margem apertada.

Mas o mercado de energéticos, mesmo em alta, tende à concentração.

Para seguir competindo com multinacionais que operam com musculatura global, a empresa precisa escalar sem perder eficiência — e sem se afastar da lógica que a fez crescer: atenção ao ponto de venda, inovação no portfólio e proximidade com o consumidor final.

“A liderança é só o começo de uma nova fase. Crescer exige decisões rápidas, planejamento de longo prazo e coragem de seguir fazendo diferente”, diz Dayane.

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