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Elon Musk chega mais perto do 1º trilhão

Com fortuna de US$ 788,1 bilhões, Musk supera Rockefeller e Barão de Mauá, mas ainda perde para Augusto César em influência relativa

Elon Musk: bilionário é CEO do X (antigo Twitter), Tesla e da SpaceX  (Montagem EXAME / Andrew Harnik / Equipe/Getty Images)

Elon Musk: bilionário é CEO do X (antigo Twitter), Tesla e da SpaceX (Montagem EXAME / Andrew Harnik / Equipe/Getty Images)

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 05h55.

O bilionário Elon Musk está cada vez mais rico. Nesta sexta-feira, 23, o CEO da Tesla e da SpaceX viu a sua fortuna subir US$ 12,8 bilhões (cerca de R$ 67,7 bilhões em reais), em uma alta de 1,66%, segundo a Forbes, o que o colocou ainda mais perto do título inédito de trilionário. Agora, Musk tem uma riqueza estimada em US$ 788,1 bilhões (cerca de R$ 4,17 trilhões) — mais de US$ 500 bilhões (cerca de R$ 2,65 trilhões) a mais que o segundo colocado, Larry Page, do Google.

Antes do primeiro trilhão, no entanto, Musk pode bater o valor recorde de US$ 800 bilhões. E, mesmo sem chegar lá, já é a pessoa mais rica da história. A fortuna já ultrapassou grandes nomes como John Davison Rockefeller, Barão de Mauá e Mansa Musa. 

Por que Musk é o mais rico da história?

Antes da era digital, a riqueza das pessoas era medida principalmente pelo impacto no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, e não apenas pela soma nominal de ativos. A métrica considerava o domínio econômico de uma pessoa em seu tempo.

Em termos proporcionais ao PIB, nomes históricos ainda rivalizam ou superam Musk. Rockefeller, por exemplo, controlava cerca de 1,5% a 1,6% da economia dos Estados Unidos em 1913, o que chega bem perto do 1,61% de Musk em 2025.

Jakob Fugger, banqueiro europeu do século XVI, chegou a deter cerca de 2% do PIB da Europa, equivalente a aproximadamente US$ 400 bilhões ajustados pelos valores atuais.

Mansa Musa, imperador do Mali entre 1312 e 1337, é frequentemente apontado como o mais rico da história, mas historiadores alertam para a imprecisão desses cálculos. Durante sua peregrinação a Meca, distribuiu tanto ouro que desvalorizou o metal no Egito por mais de uma década.

Já o imperador romano Augusto César controlava de forma direta ou indireta até 30% da economia global de sua época. Estimativas sugerem que isso equivaleria hoje a até US$ 4,9 trilhões — mas especialistas reconhecem um alto grau de especulação nessa estimativa.

Riqueza nominal vs. influência econômica

No critério de riqueza nominal (a soma absoluta em dólares) Musk lidera com folga.

Rockefeller, frequentemente citado como o homem mais rico da era industrial, acumulou US$ 900 milhões em 1913, o que corresponderia a cerca de US$ 26 a US$ 29 bilhões em valores atuais — uma diferença de até 2260% em relação a Musk.

A diferença entre riqueza nominal e poder econômico contextualizado é o que complica as comparações históricas.

Enquanto Musk detém seu patrimônio majoritariamente em ações de empresas de tecnologia, figuras como Rockefeller ou Fugger operavam com ativos tangíveis, como petróleo e metais preciosos.

E o Barão de Mauá?

No Brasil, Irineu Evangelista de Sousa, o barão de Mauá, foi considerado o homem mais rico do país no século XIX.

Em seu auge, controlava oito das dez maiores empresas nacionais, além de bancos, ferrovias, estaleiros e companhias de navegação que modernizaram a economia brasileira. Sua atuação também se estendia ao exterior, com negócios na Inglaterra, Uruguai e Argentina.

O impacto de sua fortuna era tão grande que, em meados de 1867, ela ultrapassava o próprio orçamento do Império do Brasil. Segundo estimativas, seu patrimônio acumulado chegaria hoje a cerca de US$ 80 bilhões — valor expressivo, mas ainda distante dos atuais quase US$ 500 bilhões de Musk.

A principal diferença entre os dois está na escala econômica em que atuavam. Enquanto Mauá dominava amplamente uma economia de base agrária e industrial incipiente, Musk concentra sua riqueza em setores de alta tecnologia em uma das maiores economias do mundo.

As fortunas do século XIX também eram baseadas em ativos tangíveis — terras, navios, infraestrutura, metais —, ao passo que a de Musk é composta majoritariamente por ações de companhias de capital aberto, cujas avaliações flutuam com o mercado.

Apesar de sua relevância econômica, o império de Mauá enfrentou forte resistência da elite conservadora da época, especialmente após a Guerra do Paraguai, e colapsou em meio a uma crise financeira.

Ao final da vida, ele voltou à atividade como corretor de café e morreu com recursos bastante reduzidos em relação à sua antiga fortuna.

Por que os parâmetros de riqueza mudaram?

Até o início do século XX, era comum avaliar a riqueza de uma pessoa com base na fatia que ela detinha do PIB de seu país ou região.

Essa métrica refletia o poder econômico relativo, mostrando quanto da produção nacional estava concentrada nas mãos de um único indivíduo.

A mudança de paradigma começou com a consolidação dos mercados de capitais e da globalização financeira.

Com o avanço das bolsas de valores, tornou-se mais relevante medir fortunas pela valorização de ativos líquidos, como ações, participações em empresas e investimentos privados.

Isso levou à adoção do conceito moderno de net worth — ou patrimônio líquido — calculado com base na soma de ativos menos passivos.

O PIB também se mostrou impreciso para comparar contextos econômicos diferentes. Enquanto o império romano representava até 30% da economia global no tempo de Augusto César, o PIB atual é fragmentado entre centenas de países com realidades distintas.

Outro desafio é que o PIB mede produção anual, e não acumulação de riqueza ao longo do tempo. Uma pessoa pode ser dona de empresas avaliadas em bilhões mesmo que o país onde reside tenha um PIB relativamente pequeno, como ocorre com bilionários em países emergentes.

Hoje, o PIB ainda é usado como métrica auxiliar, sobretudo para indicar o peso econômico de uma fortuna em seu contexto nacional. Mas o cálculo principal passou a considerar o valor de mercado dos ativos controlados.

O que é considerado atualmente para calcular a fortuna de um bilionário?

Para calcular o patrimônio líquido do homem mais rico do mundo e de outros bilionários, sites como a Forbes e a Bloomberg combinam dados públicos e análises especializadas.

As estimativas de fortuna consideram o valor total dos ativos do indivíduo — como participações em empresas, imóveis, obras de arte e dinheiro em caixa — subtraindo as dívidas e outras obrigações financeiras.

Na Forbes, participações em companhias listadas na bolsa são avaliadas com base em documentos da SEC e preços de ações. Já para empresas privadas, o processo exige entrevistas com sócios, concorrentes, consultores financeiros e análise de dados de mercado.

De Musk a Larry Ellison: o manual das finanças bilionárias e como eles lucraram US$ 730 bi em 1 ano

Também entram na conta: imóveis, terras, coleções de arte, aviões, iates e joias. Esses itens são avaliados com base em vendas recentes e registros públicos. Após reunir todas as informações, a Forbes subtrai dívidas declaradas para estimar o valor líquido final.

A Bloomberg segue uma metodologia similar, mas com algumas particularidades: atualiza os números diariamente, às 17h30 (no horário de Nova York), com base na variação das ações. Para ativos privados, utiliza fontes como registros judiciais, reportagens e documentos empresariais.

Diferente da Forbes, a Bloomberg aplica descontos com base nas alíquotas máximas de impostos sobre renda, dividendos e ganhos de capital, dependendo do país de residência do bilionário. Também estima o retorno dos investimentos em dinheiro e ativos líquidos, considerando uma combinação de ações, títulos públicos e commodities.

No caso de fortunas familiares, a Bloomberg atribui o valor ao membro da família que tem controle direto dos ativos, mesmo que eles estejam registrados em nome de parentes.

O veredito

Se o critério for a riqueza nominal ajustada, Musk é o mais rico da história registrada.

Mas, em influência proporcional sobre o sistema econômico de seu tempo, ele empata com gigantes como Rockefeller e Fugger, e fica atrás de figuras como Mansa Musa e Augusto César — cuja fortuna, mesmo incerta, representava fatias maiores de suas respectivas economias.

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