Réveillon Arcanjos Nº1, em Barra de São Miguel, Alagoas: de festa entre amigos para uma das maiores viradas de ano do Brasil (Divulgação/Divulgação)
Editor de Negócios e Carreira
Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 15h55.
Última atualização em 22 de janeiro de 2026 às 18h27.
A praia da Barra de São Miguel, no litoral sul de Alagoas, tem atraído a atenção de quem busca um destino de réveillon mais tranquilo, com boa estrutura e menos perrengue.
Mas foi a chegada do Réveillon Arcanjos Nº1 que colocou o município de vez no mapa das festas de fim de ano que movimentam cifras milionárias no Brasil.
Na edição mais recente, que marcou a virada para 2026, o evento gerou mais de R$ 70 milhões para a economia local, empregou cerca de 3.000 pessoas direta e indiretamente e atraiu 3.000 convidados por noite, entre os dias 27 de dezembro e 2 de janeiro.
O projeto começou como uma festa entre amigos, na virada de 2020, liderado por jovens empreendedores — entre eles Marcos Salomão, Gabriel Lopes, Gustavo Usero, Bruno de Lucca, Mário Sérgio Assunção, Theo Braga e Antônio Oliva, filho e sucessor de José Victor Oliva, do Camarote Nº1 na Sapucaí.
O evento cresceu com apoio da Holding Clube, grupo de marketing de experiência que tem entre os sócios Ju Ferraz, Marcio Esher e Priscila Pellegrini.
O grupo tem sob o seu guarda-chuva o Clube Nº1, marca por trás de eventos como o próprio camarote na Marquês de Sapucaí e experiências no Tomorrowland Brasil.
“Nos consolidamos como um dos maiores réveillons do país por meio de uma entrega 100% dedicada a criar um momento inesquecível ao nosso público”, diz Mário Sérgio Assunção, um dos fundadores.
“É uma operação minuciosa para que tudo saia como esperado, que vai desde o horário do transfer, um bar sem filas e um show que começa no horário marcado.”
Mário Sérgio Assunção, Marcio Esher e Antônio Oliva, do Réveillon Arcanjos Nº1: foco no jovem que quer experiência (Divulgação/Divulgação)
A primeira edição do Arcanjos foi realizada por um grupo de amigos alagoanos que buscavam um réveillon mais intimista, sem as multidões de outras festas famosas do Nordeste.
A escolha pela Barra de São Miguel veio da familiaridade com a região e pela beleza natural da praia, que, à época, era pouco movimentada no fim do ano.
“A cidade era praticamente morta em dezembro. Hoje tem restaurante abrindo, hotel cheio e casa sendo construída para alugar na temporada. A festa ajudou a transformar o destino”, conta Antônio Oliva, sócio do projeto.
Nos primeiros anos, o Arcanjos se destacou pelo clima de “festa entre amigos”, com público reduzido e programação variada. Mas faltava estrutura para crescer.
Foi aí que entrou o Nº1, selo de eventos proprietários da Holding Clube, que já buscava um novo local para investir depois de encerrar suas operações em Itacaré, na Bahia.
Segundo Marcio Esher, sócio da Holding Clube e responsável pelo Réveillon Arcanjos Nº1, a parceria foi uma oportunidade de unir forças.
“Eles tinham um projeto com alma, com um público fiel. A gente entrou para profissionalizar. Trouxemos governança, time comercial, equipe de operação. Transformamos a brincadeira em negócio”, afirma.
O Arcanjos Nº1 optou por um modelo mais enxuto do que outros réveillons da região.
Enquanto festas em destinos como Trancoso, Pipa ou Carneiros chegam a reunir até 5.000 pessoas por noite, o Arcanjos limita o público a 2.500 ou 3.000 pessoas.
Não há camarotes, nem áreas VIP: todos os convidados têm acesso igual à estrutura do evento.
O objetivo é manter o clima de festa, não de festival.
“A gente não quer virar um show de arena. Queremos que as pessoas se sintam em casa, encontrem os amigos, aproveitem a estrutura sem fila, com conforto”, explica Esher.
Essa decisão também tem efeito direto no modelo de negócios. Ao limitar a escala, o Arcanjos consegue manter o ticket médio alto e entregar uma experiência mais controlada.
A monetização vem da venda de ingressos e de patrocínios, com apoio de marcas como Ambev, Pernod Ricard, BYD, Red Bull e Salton, que assinam contratos de médio prazo com o selo Nº1.
A estratégia do Arcanjos Nº1 vai além da programação noturna. A organização atua de forma direta na gestão da estadia dos convidados, alugando casas, contratando staff doméstico e oferecendo serviços de concierge personalizados.
Só na edição de 2026, foram mais de 50 casas administradas diretamente pela produção.
A cidade conta também com hotéis como o Kenoa, o Ritz e o Village, além de um mercado de aluguel de alto padrão que cresceu nos últimos anos com a demanda do evento.
Durante o dia, a programação inclui atividades como yoga, beach tennis, funcional, banheira de gelo e massagens, todas oferecidas no espaço Heaven Lounge Nº1, que impactou mais de 2.000 pessoas e somou mais de 49 horas de atividades em cinco dias.
“A nova geração quer conforto e bem-estar. O tempo do perrengue passou. Hoje, o jovem quer se divertir, mas também quer treinar, comer bem, ter tudo funcionando”, diz Esher.
Um dos trunfos da Barra de São Miguel é a facilidade de acesso. O município fica a cerca de 40 minutos do aeroporto de Maceió, com estrada duplicada e estrutura de cidade turística, o que elimina parte dos desafios enfrentados por quem viaja para réveillons em locais mais remotos.
Essa localização estratégica permite ao evento atrair um público majoritariamente de São Paulo (cerca de 60%), com faixa etária média entre 22 e 25 anos, que busca festa, mas também praticidade.
Com o crescimento da última edição, a expectativa dos organizadores é ampliar o alcance do projeto sem perder a escala atual. A 7ª edição já está confirmada para o fim de 2026, e as datas devem ser divulgadas em breve.
“A gente quer continuar fazendo uma entrega cada vez melhor, mas sem perder a essência. Esse é o segredo para durar”, afirma Oliva.
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