Com coronavírus, inadimplência nas faculdades privadas sobe 72% em abril

Quase três em cada dez alunos atrasou as mensalidades no mês passado, segundo estudo do Instituto Semesp. Queda foi maior em cursos presenciais

No primeiro mês completo de quarentena, o impacto do coronavírus nas faculdades privadas começa a se mostrar. Um estudo do Instituto Semesp, que representa as faculdades privadas, analisou o cenário econômico das instituições em abril com base em uma amostra de 146 instituições. O resultado é que mais alunos estão atrasando as mensalidades ou desistindo de fazer os cursos nos quais estão matriculados.

A inadimplência subiu 72,4% em abril em relação ao mesmo período de 2019, na média entre cursos presenciais e cursos à distância. A taxa de inadimplência ficou em 26,3% no mês, ante 14,8% em abril do ano passado.

A alta na inadimplência foi maior entre alunos de cursos presenciais: a taxa subiu de 14,8% em abril de 2019 para 26% em 2020. Nos cursos à distância, foi de 15,4% para 23,2%.

As faculdades ouvidas são tanto de pequeno ou médio porte (até 7.000 alunos, representando 75% do total) quanto de grande porte (mais de 7.000 alunos, 25% do total).

As instituições de pequeno e médio porte foram mais afetadas pela inadimplência, com alta de 88% nos atrasos em pagamentos. Nas de grande porte, a inadimplência subiu menos, 45%.

Evasão

Além de não pagar a mensalidade, muitos alunos optaram por abandonar os cursos. A taxa de evasão subiu 32,5% em abril na comparação com 2019.

Os cursos presenciais novamente foram mais afetados: a evasão nessa modalidade subiu 47%. Nos cursos à distância, praticamente não houve alteração, e a taxa de evasão chegou inclusive a cair 2,6%.

Os que mais desistem são calouros ainda no primeiro ano de curso. Novamente, a desistência é maior em instituições menores. Uma descoberta do estudo é que a evasão no estado de São Paulo subiu 20,5%, variação menor do que na média do Brasil.

Estudo do Instituto Locomotiva do começo de abril já mostrava que, na ocasião, mais da metade dos brasileiros havia tido a renda impactada pela pandemia, que fechou ou paralisou por tempo indeterminado as operações de uma série de empresas. É essa redução na renda que já se mostra nos resultado das faculdades privadas, com alunos menos aptos a arcar com as mensalidades ou tomando desde já a decisão de paralisar o curso com medo de perder renda.

O que esperar no futuro?

Outro impacto para o Ensino Superior privado deve vir no próximo semestre, com menos alunos se matriculando para cursos que começam no meio do ano. Estimativa da consultoria Atmã Educar publicada pela EXAME prevê que, por causa da pandemia, apenas 180.000 alunos ingressarão no segundo semestre, ante 625.000 previstos.

No total, 6,5 milhões de alunos estão hoje nas redes de ensino superior privado — dos quais cerca de 2 milhões são à distância. O problema é que a modalidade à distância têm mensalidade muito mais barata que a presencial — 280 reais ante 780 reais. Agora, com todos em casa, os alunos presenciais podem achar que pagam pelo que não recebem, o que pode explicar em parte a maior inadimplência e evasão nos cursos presencias.

Para as faculdades, é uma péssima notícia. Embora o EaD represente uma redução nos custos, com menos professores, a infraestrutura tecnológica para as aulas à distância exige altos investimentos, além das mensalidades mais baratas. Instituições que não estavam tecnologicamente preparadas para este momento também devem sofrer mais.

Para as grandes redes, como Cogna (ex-Kroton) e Yduqs (ex-Estácio), apesar da queda nas ações neste ano, a expectativa de analistas é que saiam vencedoras no longo prazo por já terem estrutura preparada para o ensino à distância.

Estudo da consultoria Educa Insights encomendado pela ABMES, associação que também representa faculdades privadas, mostrou que, dos 145 alunos ouvidos, 20% pretendia ingressar no Ensino Superior no meio do ano. Mais de 70% preferia esperar a situação se normalizar ou começar em 2021.

Dos que mantiveram a decisão de ingressar no meio do ano, a maior parte pretende fazer um curso a distância, o que reforça o menor impacto da pandemia no EaD. Para os cursos presenciais, o maior problema é que não se sabe quando essa volta ao normal pode vir.

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