Luis Eduardo Magalhães Filho, Luciana Villas Boas e Paulo Góes, do Camarote Salvador: festival de música dentro de um dos maiores carnavais do país (Divulgação/Divulgação)
Editor de Negócios e Carreira
Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 08h03.
Última atualização em 24 de janeiro de 2026 às 11h56.
O Camarote Salvador, um dos principais eventos do Carnaval baiano, chega à edição de 2026 com mudanças na cenografia, atrações internacionais e um reforço na estratégia para atrair a Geração Z.
A festa acontece entre os dias 12 e 17 de fevereiro no circuito Barra-Ondina, em Salvador, e deve movimentar R$ 210 milhões na economia da cidade, somando vendas de ingressos, patrocínios, gastos de turistas com passagens, hospedagem e alimentação.Com 26 anos de história, o Camarote Salvador surgiu em 2000 como uma estrutura mais confortável para acompanhar os trios elétricos, criado por Luiz Eduardo Magalhães Filho e Paulo Góes, ligados à Rede Bahia, afiliada local da TV Globo.
Desde então, o espaço se transformou em um festival com palcos próprios, estrutura premium e programação musical paralela aos desfiles.
A edição de 2026 terá como tema o escapismo, com o conceito “Todos os Encantos”. O espaço será ambientado como um universo sensorial guiado por personagens inspirados em cartas de baralho.
A proposta é criar um percurso visual e interativo que conecta diferentes áreas da festa, como palcos, mirantes e áreas de descanso.
“Queremos que o folião entre no Camarote Salvador e viva uma experiência do começo ao fim, com estímulos visuais, cenográficos e musicais que ampliem o encantamento da festa”, diz Luciana Villas Boas, CEO da Premium Entretenimento, empresa que organiza o evento desde sua fundação.
Villas Boas é administradora formada pela UFBA, com passagens pela Rede Bahia e pela gestão pública.
Desde 2013, ela comanda o Camarote Salvador como CEO da Premium Entretenimento, à frente do processo de profissionalização do evento e da sua transformação em um festival com programação própria e estrutura ampliada.
A cenografia deste ano inclui releituras de instrumentos clássicos como a guitarra baiana e o timbal, além de uma fachada com elementos tecnológicos.
A estrutura de 12 mil metros quadrados está dividida entre o Palco Praia, voltado para atrações brasileiras, e o Salvador Club, com foco em música eletrônica.
Entre os destaques do line-up estão artistas como Ivete Sangalo, Ne-Yo, Pedro Sampaio, João Gomes, Leo Santana, Timbalada, Dennis, BaianaSystem com Lazzo Matumbi, além de DJs como Vintage Culture, Mochakk e Bob Moses.Na quinta-feira, o camarote terá uma noite dedicada à cultura baiana, com shows de BaianaSystem, Olodum e participações especiais.
Na segunda-feira, o projeto African Sessions reúne DJs negros em um set voltado para a música eletrônica com influência africana.
“O desafio é dialogar com as novas gerações, que consomem o Carnaval de forma diferente. A Geração Z, por exemplo, quer diversidade, propósito e ambientes onde possa interagir com liberdade. Abrimos os palcos, transformamos eles em pista, repensamos a comunicação visual e ampliamos a curadoria musical para refletir esse novo comportamento”, diz Luciana.
Segundo a organização, 90% do público do Camarote Salvador vem de fora da cidade.
Para atender a essa demanda, o evento inclui um modelo de negócio baseado na verticalização da jornada do cliente.
Os foliões podem comprar pacotes completos com hospedagem no Novotel Rio Vermelho, hotel oficial do camarote, que inclui transfer até a entrada da festa, salão de beleza, customização de camisas, festas no rooftop e atendimento personalizado.
“Nosso objetivo é estar presente em toda a jornada do cliente, do momento em que ele acorda até o retorno da folia. A ideia é oferecer uma experiência contínua, segura e sem fricção”, afirma a executiva.
O evento também aposta na sustentabilidade como fator estratégico. A organização investiu quase R$ 1 milhão em iniciativas ambientais e sociais, com a meta de se tornar um evento lixo zero.
Há ainda projetos de capacitação de comunidades do entorno, práticas de gestão de resíduos e ações voltadas à diversidade na curadoria musical.
Camarote Salvador: programação diversa e atenção à cenografia (Divulgação/Divulgação)
O Camarote Salvador contará com a participação de marcas patrocinadoras como Grupo Petrópolis (Petra), Pernod Ricard, Red Bull e Reserva.
Estreiam neste ano o iFood e o Grupo Boticário, enquanto o grupo Mondelēz retorna após alguns anos fora do evento.As práticas de ESG têm ajudado na negociação com patrocinadores.
“Hoje as marcas não querem só visibilidade, elas querem conteúdo, propósito e alinhamento com o comportamento do público. O ESG deixou de ser diferencial, passou a ser uma exigência”, afirma Luciana.
Com capacidade controlada de público e um modelo centrado em serviços premium, o Camarote Salvador projeta um crescimento de 20% no faturamento para este ano.
A equipe fixa de 25 pessoas trabalha o ano inteiro exclusivamente no projeto. A ideia, segundo a CEO, é manter o foco em um único produto e garantir sua longevidade.
“Somos um festival de música dentro do Carnaval. A cada ano, o desafio é entender o que o público espera e entregar uma experiência que mantenha a relevância do evento”, diz.