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As empresas gastam mal em treinamento, diz Jay Cross

Jay Cross estudou em Princeton e Harvard, foi empreendedor na área de ensino, fundou uma universidade e escreveu diversos livros sobre aprendizado

Jay Cross: "Os profissionais conseguem, juntos,encontrar soluções para questões que muitas vezes escapam a um especialista" (Reprodução)

Jay Cross: "Os profissionais conseguem, juntos,encontrar soluções para questões que muitas vezes escapam a um especialista" (Reprodução)

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José Eduardo Costa

Publicado em 2 de julho de 2012 às 17h44.

São Paulo - As empresas empregam mal o dinheiro que têm para treinamento?

É isso mesmo. O dinheiro é quase sempre posto em treinamentos superficiais, ministrados por consultores. É um método ineficiente. O aprendizado se dá pela troca de experiências. O mentoring é uma forma de o jovem aprender com um profissional sênior. Se bem feito, o resultado é sensacional.

Qual é a diferença entre treinamento e aprendizado?

Treinar é aperfeiçoar uma habilidade que a pessoa já tem. O treinamento pode ser feito de forma rápida. O aprendizado tem a ver com desbravar uma área do conhecimento. Requer tempo. Poucas empresas criam o ambiente interno que o processo de aprendizagem requer. Um bom exemplo é a iBM, que há dez anos investe no que eu chamo de aprendizado social, que é basicamente possibilitar que as pessoas aprendam umas com as outras, aproveitando o conhecimento instalado na companhia. Os funcionários são conectados online por meio de uma rede social interna.

Que vantagens o senhor vê no que chama de aprendizado social?

Os profissionais conseguem, juntos,encontrar soluções para questões que muitas vezes escapam a um especialista. É comum em empresas de tecnologia. Em organizações que têm escritórios em diversos países, é possível dividir o trabalho de forma mais eficiente e operar 24 horas, sete dias por semana. Isso permite que o trabalho seja feito mais rápido e com a mesma qualidade.

Se a empresa não opera dessa forma, como o funcionário pode se beneficiar desse mecanismo?

Ele deve criar sua própria rede de relacionamentos. Esse exercício implica encontrar gente, dentro e fora da companhia, que tenha interesse em conhecer, e evitar quem não agrega conhecimento. Há pessoas que são tóxicas, que não estão dispostas a trocar. esse tipo não serve para a rede de contatos.

Qual o melhor jeito de capacitar os funcionários?

Em vez de dizer o que devem aprender, a empresa precisa promover a conversa produtiva, a troca de experiências, informalmente. Para isso, as organizações devem apostar em plataformas digitais. Parece um exercício bobo, mas, numa companhia com 1 000 empregados, as pessoas de diferentes áreas não se conversam.

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