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O medo de avião fez ele faturar R$ 60 milhões vendendo barcos

O ticket médio ultrapassa R$ 1 milhão e 700 mil; um dos barcos pode chegar a R$ 7 milhões

Fernando Assinato, fundador da Armatti: ticket médio ultrapassa R$ 1 milhão e 700 mil (Armatti/Divulgação)

Fernando Assinato, fundador da Armatti: ticket médio ultrapassa R$ 1 milhão e 700 mil (Armatti/Divulgação)

Isadora Aires
Isadora Aires

Freelancer

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 09h56.

O mercado de embarcações segue em ritmo irregular no Brasil. Oscila por renda, por clima e por um estigma antigo: barco é “coisa de rico”. A pressão por custos e a incerteza da demanda travam a escala dos estaleiros e deixam o setor dependente de ciclos curtos e margens apertadas.

O Grupo Armatti & Fishing tenta quebrar esse padrão. Instalado em Santa Catarina, o estaleiro produz cerca de 50 barcos por ano e já passa de R$ 60 milhões em faturamento. O número tende a subir com a chegada a Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, onde montou estrutura própria de montagem e pós-venda.

A pauta ganhou força porque Fernando Assinato, fundador do grupo, lançou três modelos — Fishing 510 Super Sport, Fishing 440 Raptor e Armatti 400 Sport Coupé — e negocia a primeira parceria de peso nos EUA. Segundo o executivo, o mercado americano costuma ser bastante fechado para marcas estrangeiras.

“Quero muito que o mercado náutico seja visto como lazer e não como algo exclusivo para gente rica”, afirma Assinato.

No futuro, ele pretende dobrar o tamanho da operação com o avanço nos EUA e abrir base na Europa. Assinato também busca reduzir a dependência das revendas, já que muitas não conseguem assumir barcos de troca. “A revenda não tem dinheiro para segurar”, explica.

Segundo o executivo, o Brasil compra cerca de 200 mil motores por ano, puxado pelos modelos pequenos. Nos Estados Unidos, são 4 mil motores acima de 150 hp — menos volume, mas maior ticket. “O mercado é gigantesco, mas é muito bairrista”, afirma.

Ainda assim, o grupo exporta para Austrália, Tailândia, Paraguai e Argentina, além da base na Flórida.

Armatti 400 Sport Coupé: a Armatti foi criada por um engenheiro brasileiro (Divulgação/Divulgação)

A história de quem fugia de avião e acabou no mar

Do ABC paulista, Assinato entrou na Yamaha aos 17 anos após insistir por telefone. “Liguei várias vezes para o RH e a funcionária me prometeu: se abrir vaga, eu te ligo”, conta. Virou chefe de departamento em um ano e chegou a aumentar vendas em 70%.

A passagem seguinte foi na Mercury, fabricante americana de motores marítimos. Apesar de ter colocado o primeiro pé no setor marítimo, foi uma viagem de avião que o fez decidir empreender.

“Tive um voo muito ruim e falei: não vou voar mais. Eu não preciso disso”, diz. Pediu demissão e abriu a empresa de revenda BoatSP em 2011. No primeiro ano, vendeu 60 barcos. O negócio cresceu até ocupar um galpão de 1.300m², alugado com garantia pessoal, já que a empresa não possuía lastro.

A virada industrial veio com a compra da Fishing Raptor e a criação da Armatti. Neste processo, uma parceria inicial para produzir os barcos não avançou. Ele resolveu retirar todos moldes do espaço antigo e levar a Santa Catarina. “Parei na estrada e chorei muito de raiva... Mas pensei: se eles fazem, eu também posso fazer”, diz. Em três meses, abriu o estaleiro.

O que vem por aí?

Hoje, o grupo ocupa mais de 9 mil m², tem 120 funcionários e atua no segmento premium. Os modelos Fishing Raptor 44 e 51 pés passam de 140 km/h, enquanto a Armatti opera no segmento de lazer. O ticket médio ultrapassa R$ 1 milhão e 700 mil; a Fishing 510 chega a R$ 7 milhões.

“É muito mais fácil ficar fazendo ‘Golzinho’. Agora, fazer uma Ferrari não é para qualquer um”, brinca. Para viabilizar as trocas, ele mantém R$ 42 milhões em estoque.

Para 2025, o grupo estima faturar R$ 40 milhões. Em 2026, Assinato projeta crescer entre 30% e 40%, alcançando algo entre R$ 52 milhões e R$ 56 milhões. “Hoje eu já podia parar. Mas nunca foi sobre dinheiro. Eu quero deixar um legado”, afirma.

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