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Turquia ameaça cancelar acordo com Grécia e UE sobre migrantes

Na véspera, Ancara já havia anunciado que procederia à revisão de suas relações com a Grécia

Imigrantes: Atenas começou a se preocupar com o endurecimento do governo turco (Bulent Kilic / AFP)

Imigrantes: Atenas começou a se preocupar com o endurecimento do governo turco (Bulent Kilic / AFP)

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AFP

Publicado em 27 de janeiro de 2017 às 11h53.

A Turquia pode anular o acordo de readmissão de migrantes assinado com a Grécia e a UE após a negativa de Atenas de extraditar oito militares turcos, acusados de participar do golpe de Estado frustrado de 15 de julho, informou o ministro turco das Relações Exteriores.

"Tomaremos as medidas necessárias, inclusive o cancelamento deste acordo de readmissão" de migrantes, advertiu nesta sexta-feira Mevlüt Cavusoglu em uma entrevista à rede pública TRT.

Na véspera, Ancara já havia anunciado que procederia à revisão de suas relações com a Grécia.

Ancara emitiu uma nova ordem de prisão contra oito militares que fugiram para a Grécia depois da tentativa de golpe e voltou a renovar o pedido de extradição ante Atenas.

Os militares - quatro capitães, dois comandantes e dois sargentos - foram postos sob prisão temporária desde sua aterrissagem de helicóptero no nordeste da Grécia, perto da fronteira entre ambos os países, em 16 de julho.

A Suprema Corte grega acolheu o pedido do Ministério Público, o qual se pronunciou, há dez dias, contra a extradição dos militares. O MP alega que não há garantias de que os réus terão um julgamento justo na Turquia.

"Independentemente de sua (suposta) culpabilidade, sua extradição não foi autorizada, já que seus direitos estão em perigo" na Turquia, justificou o tribunal, cujo presidente destacou o risco de "torturas".

Esse caso é complicado para Atenas, que mantém, há tempos, relações delicadas com Ancara. A Grécia conta com a Turquia, em particular, para conter o fluxo migratório pelo mar Egeu, com base no acordo entre Ancara e a União Europeia (UE) firmado em março passado.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, foi um dos primeiros líderes a manifestar seu apoio "ao governo democraticamente eleito" na Turquia, em 15 de julho, durante o golpe frustrado.

Depois, Atenas começou a se preocupar com o endurecimento do governo turco, incluindo as contendas bilaterais tradicionais de soberania no Egeu.

O ministro grego da Justiça, Stavros Kontonis, preferiu manter distância da polêmica. Em caso de uma decisão afirmativa sobre a extradição, ele teria a última palavra sobre sua aplicação.

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