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Trump encerra ofensiva migratória em Minnesota após mortes e protestos

Medida representa um recuo em relação à iniciativa que promoveu detenções em grande número, desencadeou protestos e esteve associada à morte de dois cidadãos norte-americano

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 15h22.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitou encerrar as operações federais de imigração conduzidas em larga escala no estado de Minnesota. A decisão foi informada nesta quinta-feira, 12, pelo responsável pela política de fronteiras da Casa Branca, Tom Homan, conhecido como “czar da fronteira”.

A medida representa um recuo em relação à iniciativa que promoveu detenções em grande número, desencadeou protestos e esteve associada à morte de dois cidadãos norte-americanos.

"Eu propus, e o presidente Trump concordou, que essa operação de reforço seja concluída. Uma retirada significativa de agentes já começou nesta semana e continuará na próxima", explicou Tom Homan em entrevista coletiva realizada simultaneamente a uma audiência no Senado dos Estados Unidos sobre fiscalização migratória.

A decisão sinaliza uma tentativa de reduzir a tensão em torno da ofensiva de imigração, que provocou manifestações e levou parlamentares a questionar, no Congresso, os métodos adotados pela administração Trump. Desde o início da operação, no fim do ano passado, agentes federais afirmam ter realizado mais de 4 mil prisões em Minnesota, segundo dados divulgados pelo Departamento de Segurança Interna. O órgão não informou quantos dos detidos respondiam a acusações criminais.

De acordo com Tom Homan, mais de 200 pessoas também foram presas sob a acusação de obstrução às ações das forças de segurança. Durante a operação, agentes de imigração atiraram e mataram dois cidadãos americanos, Renee Good, 37 anos, e Alex Pretti, 37, em ocorrências distintas. Em outro episódio, um agente disparou contra um imigrante venezuelano que, segundo as autoridades, estava em situação irregular no país, deixando-o ferido.

"Não quero ver mais derramamento de sangue. Rezo todas as noites pela segurança dos agentes da lei e pela segurança de pessoas da comunidade, estejam elas aqui legal ou ilegalmente. Não quero ver ninguém ferido", disse Homan nesta quinta-feira.

O governo federal buscou caracterizar Renee e Pretti como terroristas domésticos e sustentou essa versão mesmo após a divulgação de vídeos que colocaram em dúvida a narrativa oficial. Os episódios desencadearam protestos em diversas cidades dos Estados Unidos, e a reação de parlamentares de diferentes partidos diante da morte de Pretti levou a uma mudança de postura por parte da administração.

Gregory Bovino, então comandante da Patrulha de Fronteira responsável pela coordenação da ofensiva, foi afastado da função. Na sequência, Tom Homan foi enviado a Minnesota, onde passou a adotar um tom mais moderado nas declarações públicas sobre a operação.

"Como disse na minha primeira entrevista coletiva, algumas semanas atrás, Trump não me enviou para cá porque as operações estavam sendo conduzidas perfeitamente. Vim para identificar problemas e encontrar soluções para melhorar a execução da nossa missão. Vimos uma grande mudança aqui nas últimas semanas. E são todas mudanças positivas".

Ofensiva contra imigrantes

Intitulada Operação Metro Surge, a ofensiva começou em dezembro, quando o governo federal deslocou milhares de agentes para a área conhecida como Cidades Gêmeas — denominação usada para Minneapolis e Saint Paul. A presença de equipes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e da Patrulha de Fronteira passou a ser acompanhada por manifestantes, que utilizavam apitos para avisar moradores sobre a atuação dos agentes. Em diversos episódios, houve reação com uso de força considerada excessiva.

Cerca de 3 mil agentes foram mobilizados para Minnesota, número superior ao efetivo das forças policiais locais. O governo estadual, liderado por democratas, classificou a iniciativa como uma ocupação ilegal. Em Washington, parlamentares republicanos acusaram autoridades locais de dificultar as ações federais e abriram investigações criminais. Organizações e ativistas relataram emprego de ameaças, gás lacrimogêneo e força física contra manifestantes descritos como não violentos.

No mês anterior, uma juíza federal determinou restrições temporárias à atuação dos agentes em relação aos protestos, mas a decisão foi posteriormente suspensa por um tribunal de apelação. O governo de Donald Trump sustentou que a operação respondia à cooperação limitada das autoridades estaduais e a suspeitas de fraudes em programas locais de assistência social.

Na semana passada, Tom Homan informou que 700 agentes retornariam às suas bases, atribuindo a medida à maior coordenação entre cadeias dos condados e autoridades federais de imigração, o que teria facilitado a custódia de alvos. Mesmo com a redução, aproximadamente 3 mil agentes permaneceram no estado — patamar acima dos cerca de 150 que costumam atuar na região. Agora, Homan afirmou que as ações de fiscalização seguirão com um contingente menor.

(Com informações da agência AFP)

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