Repórter
Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 14h43.
Os Estados Unidos estão em negociação para garantir "acesso total" à Groenlândia, segundo o presidente norte-americano, Donald Trump. A informação foi divulgada pelo republicano em entrevista concedida nesta quinta-feira, 22 de janeiro, à emissora Fox News.
Durante a entrevista, Trump reiterou o interesse em anexar a ilha ao território norte-americano. A Groenlândia, atualmente sob administração autônoma, pertence à Dinamarca. Segundo o presidente, a proposta está inserida em um plano estratégico de segurança nacional.
Entre os objetivos, está a criação de um sistema de defesa aérea batizado de "Domo de Ouro", inspirado no modelo israelense conhecido como Domo de Ferro, ou Iron Dome, utilizado para interceptação de mísseis.
O projeto sugere o uso da posição geográfica da Groenlândia para fortalecer a capacidade de defesa dos EUA no Ártico, região de crescente interesse geopolítico e militar.
"Tudo passa pela Groenlândia. Se os bandidos começarem a atirar, tudo passa pela Groenlândia. É algo extremamente valioso. É incrível. Sabe, Ronald Reagan teve essa ideia há muito tempo, mas não tínhamos a tecnologia necessária naquela época. O conceito era ótimo, mas não havia tecnologia. Agora temos uma tecnologia inacreditável", declarou Trump.
E acrescentou: "Quer dizer, estamos falando sobre isso, os detalhes estão sendo negociados agora, mas essencialmente é acesso total. Sem um fim, sem prazo limite".
Em discurso realizado nesta quarta-feira, 21, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, Donald Trump voltou a defender que os Estados Unidos sejam os responsáveis pela Groenlândia. No entanto, ele afirmou que a anexação não ocorreria por meio de força militar.
Mais tarde, em encontro com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, Trump mencionou avanços em uma negociação envolvendo tanto a Groenlândia quanto o Ártico. A aliança militar é composta por ambos os países envolvidos, Estados Unidos e Dinamarca.
De acordo com o jornal The New York Times, a proposta em discussão contempla a cessão de partes do território da ilha ao governo norte-americano para instalação de bases militares.
No mesmo dia, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse que está aberto a ampliar a cooperação com os Estados Unidos, mas rejeitou qualquer possibilidade de transferência de soberania da ilha ao governo norte-americano.
Nielsen destacou a disposição para discutir uma presença ampliada dos EUA no território, sinalizando abertura para acordos em áreas estratégicas.
Apesar da disposição para o diálogo, o premiê groenlandês classificou a soberania da ilha como uma "linha vermelha" e reforçou que não aceitará qualquer proposta que envolva a cessão, total ou parcial, do governo da Groenlândia. A negativa ocorre após Trump ter anunciado, na noite de quarta-feira, um suposto entendimento com o secretário-geral da ONU, Mark Rutte, envolvendo o futuro da ilha.
O Exército da Dinamarca deslocou unidades de elite para a Groenlândia na tarde de quarta-feira como parte de uma operação militar que envolve também outros países europeus. A movimentação foi anunciada pelas Forças Armadas dinamarquesas e busca ampliar a presença no Ártico, região de interesse estratégico crescente.
A Groenlândia, território autônomo dinamarquês, tem sido alvo de interesse internacional, inclusive dos Estados Unidos durante o governo Donald Trump, que chegou a propor a compra da ilha. A operação atual é parte do exercício Arctic Endurance, iniciado na semana passada e que reúne forças militares de diferentes países europeus.
A fragata "Peter Willemoes", da Dinamarca, passou a integrar o exercício nesta quarta-feira, enquanto no Atlântico Norte, a embarcação francesa "Bretagne" realiza manobras conjuntas com o navio dinamarquês "Thetis", como foi informado pelo Comando Ártico.
O governo da Groenlândia publicou nesta quarta-feira um guia de orientações à população para cenários de crise, tratado como medida preventiva. O ministro da Autossuficiência, Peter Borg, definiu o documento como uma “apólice de seguro”, destacando que o ideal é que não precise ser utilizado.
Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que não pretendia usar força militar para tomar controle da Groenlândia, mas reiterou o desejo de negociar a aquisição da ilha de forma imediata.