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Trump diz 'vamos ver o que acontece' sobre acordo envolvendo a Groenlândia

Mais cedo, em Davos, presidente americano disse que não pretende usar força para tomar ilha da Dinamarca

Trump em Davos: presidente descarta uso da força para tomar Groelândia. (Mandel NGAN/AFP)

Trump em Davos: presidente descarta uso da força para tomar Groelândia. (Mandel NGAN/AFP)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 12h40.

Última atualização em 22 de janeiro de 2026 às 18h13.

Questionado sobre como imagina um acordo em que os Estados Unidos adquiririam a Groenlândia, Donald Trump respondeu: “Vamos ver o que acontece”. A fala foi feita durante uma sessão de perguntas e respostas no Fórum Econômico Mundial (WEF), em Davos, nesta quarta-feira, 21.

O presidente afirmou que a Dinamarca gasta “centenas de milhões por ano” para administrar a vasta ilha ártica, mas alegou que “eles não gastaram o dinheiro”.

Na prática, a Dinamarca concede um repasse anual de cerca de US$ 670 milhões à Groenlândia.

O subsídio representa aproximadamente metade do orçamento do território e é apontado como o principal obstáculo à independência da ilha, já que pesquisas indicam que a maioria dos groenlandeses não está disposta a aceitar uma queda no padrão de vida.

Mais cedo, Trump declarou que não deseja usar a força para tomar a Groenlândia da Dinamarca. O republicano defendeu que a incorporação da ilha — que, segundo ele, estava “disponível desde que foi descoberta” — seria um imperativo estratégico para Washington.

“As pessoas pensaram que eu usaria a força. Eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não vou usar a força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia”, afirmou.

Segundo Trump, “só os Estados Unidos podem proteger este... pedaço gigante de gelo, desenvolvê-lo e melhorá-lo”.

Ele acrescentou que busca “negociações imediatas” para a compra da Groenlândia pelos EUA, “assim como adquirimos muitos outros territórios ao longo de nossa história”.

A fala ocorre em meio à escalada de tensões entre os Estados Unidos e a Europa em torno da Groenlândia. O gabinete de Trump classificou a Dinamarca como “irrelevante”, enquanto líderes europeus alertam que será necessário abandonar a cautela diante da postura agressiva da Casa Branca.

Antes de deixar os EUA, Trump afirmou que "não há volta atrás" em seu plano de tomar a Groenlândia da Dinamarca. Questionado sobre até onde estaria disposto a ir em sua busca pela ilha ártica, respondeu: “Vocês vão descobrir”.

Já o presidente francês, Emmanuel Macron, que teve mensagens vazadas por Trump na terça-feira, 20, classificou a ofensiva do republicano como uma forma de "colonialismo". Em resposta, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, criticou o que chamou de "declarações inflamatórias" por parte do líder francês.

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