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Trump diz esperar acordo com o Irã após ameaça de guerra regional

Declarações foram feitas durante conversa com jornalistas e divulgadas pela agência AFP

Donald Trump: "Esperamos chegar a um acordo. Se não conseguirmos, então descobriremos se ele tinha razão ou não.” (Jim WATSON /AFP)

Donald Trump: "Esperamos chegar a um acordo. Se não conseguirmos, então descobriremos se ele tinha razão ou não.” (Jim WATSON /AFP)

Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 16h06.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo, 1º, que espera alcançar um acordo com o Irã, após o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, advertir que um eventual ataque de Washington contra a República Islâmica poderia desencadear uma guerra regional.

Ao ser questionado sobre a ameaça feita por Khamenei, Trump minimizou a retórica do líder iraniano: “É claro que ele vai dizer isso.” As declarações foram feitas durante conversa com jornalistas e divulgadas pela agência AFP.

O republicano acrescentou que ainda vê espaço para a diplomacia. “Esperamos chegar a um acordo. Se não conseguirmos, então descobriremos se ele tinha razão ou não.”

Irã e EUA

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, afirmou neste domingo que as recentes ameaças dos EUA não intimidam o povo iraniano e advertiu que qualquer confronto armado poderá se transformar em uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio.

“Os americanos devem saber que, se iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional”, disse Khamenei, ao se dirigir a milhares de pessoas reunidas por ocasião do aniversário do retorno do aiatolá Ruholá Khomeini ao Irã, em 1979 — dez dias antes da vitória da Revolução Islâmica.

Durante o discurso, o líder político e religioso mais poderoso do Irã garantiu que o país não pretende iniciar um conflito, mas que responderá com firmeza a qualquer ataque.

“Não seremos nós os que começaremos uma guerra, mas daremos um golpe firme em qualquer um que nos atacar”, declarou, em referência às ameaças de Washington.

Nos últimos dias, os Estados Unidos enviaram uma frota liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Golfo Pérsico, como demonstração de força diante das tensões com Teerã em torno do programa nuclear iraniano.

Ainda assim, o presidente americano, Donald Trump, tem afirmado que prefere buscar uma solução diplomática. “O Irã está negociando conosco e veremos se podemos fazer algo; caso contrário, veremos o que acontece”, declarou Trump, segundo a EFE.

Khamenei minimizou os movimentos militares americanos e rejeitou o tom beligerante de Trump. “Este senhor afirma constantemente que enviaram porta-aviões e outras coisas. Com essas ameaças, não se pode assustar o povo iraniano”, disse o aiatolá.

Durante o pronunciamento, o líder iraniano também acusou os Estados Unidos e Israel de estarem por trás dos protestos antigovernamentais registrados entre 28 de dezembro e 11 de janeiro.

Segundo Khamenei, as manifestações tinham características de um golpe de Estado. “Atacaram a polícia, centros governamentais, a Guarda Revolucionária, bancos, mesquitas e até incendiaram o Corão. Isso se assemelhava a um golpe”, afirmou.

O governo classificou os protestos como atos terroristas. A repressão às manifestações resultou na morte de 3.117 pessoas, conforme números oficiais.

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