Repórter
Publicado em 3 de março de 2026 às 16h10.
Última atualização em 3 de março de 2026 às 16h14.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter determinado ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, que "cortasse todo o comércio com a Espanha" após o governo espanhol negar o uso de bases militares no país para a campanha de bombardeios contra o Irã.
“Eu disse a Scott para cortar todas as relações comerciais com a Espanha”, declarou Trump na terça-feira, durante reunião com o chanceler alemão Friedrich Merz, na Casa Branca.
Trump não detalhou de que forma executaria a medida, que envolveria implicações nas relações entre Estados Unidos e União Europeia. Em seguida, ele indicou que poderia impor um embargo total a produtos espanhóis, embora não tenha confirmado se adotaria a iniciativa.
"A Espanha não tem absolutamente nada que precisemos além de um povo excelente", disse Trump. "Eles têm um povo excelente, mas não têm uma liderança excelente."
Presidente dos EUA, Donald Trump, se reúne com o chanceler alemão Friedrich Merz no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, em 3 de março de 2026. (Andrew Caballero-Reynolds/AFP via Getty Images) ( ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/Getty Images)
A manifestação ocorreu após o fechamento do mercado acionário espanhol. O ETF iShares MSCI Spain recuava 5,7% às 18h32. Em Madri, o índice local reduziu perdas que chegaram a 6,8%, em sessão marcada por preocupações com inflação na Europa.
Neste domingo, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, classificou a operação conduzida por EUA e Israel como uma “intervenção militar injustificada e perigosa, fora do direito internacional”. O governo espanhol informou a Washington que as duas bases militares no sul do país não poderiam ser utilizadas na ofensiva, sob o argumento de que o tratado que regula as instalações não contempla esse tipo de ação.
“Queremos ações militares sempre sob a Carta das Nações Unidas e com esforço coletivo”, disse o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albarés, em entrevista à Bloomberg. “Um mundo baseado em regras previsíveis é melhor do que um mundo em que a força é a única regra.”
A tensão ocorre em meio à cobrança de Trump para que aliados da OTAN elevem os gastos com defesa para 5% do Produto Interno Bruto (PIB), proposta rejeitada por Madri. Em outubro de 2025, o presidente americano afirmou que a Espanha deveria receber uma “punição comercial” por causa da divergência.
“Eu poderia amanhã parar — ou hoje, melhor ainda — parar tudo o que tem a ver com a Espanha, todos os negócios com a Espanha, tenho o direito de parar, embargos, fazer o que eu quiser com isso”, continuou Trump. “E podemos fazer isso com a Espanha.”
Já Scott Bessent declarou, durante o encontro, que acredita que Trump possui base legal para embargar produtos espanhóis, sem indicar se a medida será adotada.
Friedrich Merz manifestou apoio à cobrança para que a Espanha aumente os gastos com defesa. “Estamos tentando convencer a Espanha a atingir a meta de gastos da OTAN”, afirmou o chanceler, ao lado de Trump. “A Espanha é a única que não está disposta a aceitar isso, e estamos tentando convencê-los de que isso faz parte da nossa segurança comum, que todos temos que cumprir esses números.”
Na reunião, Trump também criticou o Reino Unido por não autorizar o uso da base de Diego Garcia em ataques contra o Irã, afirmando estar “surpreso”, mas sem anunciar medida comercial semelhante.
“Esta não é a era de Churchill. Devo dizer que o Reino Unido tem sido muito, muito pouco cooperativo com aquela ilha estúpida que eles têm”, disse.
Em entrevista ao jornal britânico The Sun, Trump apontou que as relações entre Washington e Londres "já não são mais as mesmas". A fala foi publicada dias depois do episódio envolvendo a base utilizada pelos americanos.
No mês anterior, a Suprema Corte dos EUA derrubou a utilização, por Trump, de uma lei de poderes de emergência para aplicar as chamadas tarifas recíprocas em escala global.
Após a decisão, o presidente anunciou uma nova taxa global de 10%, com possibilidade de elevação para 15%, e sinalizou que as tarifas continuarão no centro da política comercial americana.