(Daniel Torok/The White House/Getty Images)
Repórter
Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 07h08.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 20, que “adoraria” envolver a líder opositora venezuelana María Corina Machado no processo de transição política da Venezuela após a queda de Nicolás Maduro. A declaração marca uma mudança de postura do republicano, que até agora vinha mantendo a opositora fora de seus planos para o período pós-Maduro.
Trump elogiou Corina Machado ao comentar o encontro recente entre os dois na Casa Branca. “É uma mulher incrivelmente gentil que fez algo realmente incrível”, disse o presidente a jornalistas. “Estamos conversando com ela, talvez possamos envolvê-la de alguma forma, eu adoraria.”
A sinalização ocorre após a líder opositora presentear Trump com a medalha do prêmio Nobel da Paz, recebida por ela em dezembro, gesto que simbolizou uma aproximação política entre os dois.
Até então, Corina Machado havia sido preterida nas articulações conduzidas por Washington, que passaram a incluir Delcy Rodríguez, apontada como herdeira do poder na Venezuela no cenário pós-Maduro. Delcy firmou acordos energéticos com os Estados Unidos, comprometeu-se a libertar presos políticos e iniciou um processo de reaproximação diplomática após o rompimento das relações em 2019.
A presidente interina anunciou o recebimento dos primeiros US$ 300 milhões provenientes da venda de petróleo venezuelano aos Estados Unidos. Segundo o governo, os recursos serão injetados no mercado cambial para tentar estabilizar a moeda. Delcy também nomeou um novo responsável pela captação de investimentos internacionais e passou a fazer acenos a petroleiras americanas interessadas em operar no país.
Trump afirmou ainda que conversou por telefone com Delcy Rodríguez, a quem classificou como “formidável”.
Nicolás Maduro foi deposto em 3 de janeiro, durante uma incursão militar dos Estados Unidos que incluiu bombardeios em Caracas e regiões próximas. O ex-presidente chavista foi detido junto com a esposa, Cilia Flores, e transferido para Nova York, onde enfrenta acusações de narcotráfico.
Corina Machado não estava na Venezuela no dia da operação. Após mais de um ano na clandestinidade, ela deixou o país em uma ação organizada para comparecer à cerimônia do Nobel da Paz em Oslo, em 10 de dezembro. Apesar do atraso, participou do evento, encontrou apoiadores e deu início a uma agenda internacional.
Após o encontro, Corina Machado afirmou que os países da região precisam ouvir suas populações. “Todos os Estados-membros da OEA devem ouvir seu povo, porque eu sei que os povos deste hemisfério estão conosco”, declarou. Segundo ela, a Venezuela vive um processo de reconstrução institucional. “Estamos em um caminho à frente rumo à reinstitucionalização e à democracia.”
*Com informações da AFP