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Após reunião na Casa Branca, María Corina Machado diz ter entregado Nobel a Trump

Apesar da declaração da venezuelana, não há confirmação do presidente norte-americano

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 20h53.

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A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou ter entregado sua medalha do Prêmio Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante uma reunião realizada nesta quinta-feira, 15 de janeiro. O encontro ocorre em meio a movimentações diplomáticas que podem influenciar os rumos da política venezuelana.

Segundo Machado, o gesto simboliza um reconhecimento ao que chamou de "compromisso com a liberdade do povo venezuelano". O Instituto Nobel Norueguês, porém, informou que a premiação é intransferível, e que a honraria continua oficialmente atribuída à líder opositora.

Não houve confirmação imediata de Trump sobre ter aceitado a medalha. Durante a semana, o republicano declarou à agência Reuters que não solicitou a condecoração, embora anteriormente tenha manifestado interesse público no prêmio.

O encontro entre os dois ocorreu durante um almoço de cerca de uma hora — o primeiro compromisso presencial entre María Corina Machado e Trump. Depois da reunião, a opositora venezuelana participou de encontros com mais de uma dezena de senadores republicanos e democratas no Capitólio, onde frequentemente encontra interlocutores mais receptivos.

Sem apoio para assumir o poder

Durante a visita, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump via a reunião com interesse, mas mantinha uma visão "realista" sobre a ausência de base política suficiente para Machado liderar a Venezuela no curto prazo.

A opositora vive atualmente fora do país, após deixar a Venezuela em dezembro, por meio de uma rota marítima alternativa, e busca manter relevância nas decisões futuras sobre a governança nacional.

O contexto político venezuelano se transformou após a captura de Nicolás Maduro, no início de janeiro, em uma operação conduzida por forças norte-americanas. Desde então, figuras da oposição, representantes da diáspora e aliados políticos têm reiterado expectativas por uma transição democrática.

O senador democrata Chris Murphy, que participou da reunião com Machado, relatou que a líder comparou a atual repressão na Venezuela ao período anterior sob Maduro. Ele classificou Delcy Rodríguez, presidente interina e ex-vice de Maduro, como uma figura "habilidosa", com poder crescente apoiado por Trump.

Rodríguez foi elogiada publicamente por Trump, que, em entrevista recente, afirmou que "ela tem sido muito boa de lidar". O presidente também destacou o interesse dos EUA em garantir acesso ao petróleo venezuelano e em apoiar a reconstrução econômica do país.

Paralelamente, Rodríguez anunciou que pretende propor reformas para o setor petrolífero nacional.

Machado foi impedida de disputar as eleições presidenciais de 2024 por decisão da Suprema Corte venezuelana, dominada por aliados de Maduro. Segundo observadores internacionais, Edmundo González, apoiado por Machado, teria vencido as eleições com ampla vantagem, embora o governo atual tenha declarado vitória e mantido o poder.

Nas últimas semanas, Caracas anunciou a libertação de dezenas de presos políticos, mas entidades de direitos humanos contestam a abrangência da medida e consideram que o número foi superestimado.

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