Tempestade de inverno nos EUA: neve, gelo e frio extremo provocam mortes, apagões e cancelamentos em diversas regiões (Dimitrios Kambouris /Getty Images/Getty Images)
Repórter
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 06h48.
Uma tempestade de inverno de grandes proporções, acompanhada por temperaturas polares, atingiu nesta segunda-feira, 26, grande parte dos Estados Unidos pelo terceiro dia consecutivo, deixando ao menos 23 mortos, cortes no fornecimento de energia e milhares de voos cancelados, segundo autoridades locais e serviços meteorológicos.
Uma massa de ar ártico considerada potencialmente mortal segue avançando do Novo México ao Maine, combinando nevascas intensas, ventos fortes e frio extremo, o que deve atrasar a retomada das atividades em diversas regiões ao longo da semana.
De acordo com um balanço compilado a partir de dados oficiais e da imprensa local, as mortes estão associadas a hipotermia, acidentes de trânsito e ocorrências envolvendo trenós, veículos 4x4 e máquinas de remoção de neve. Em Nova Jersey, um homem foi encontrado morto sob a neve, com uma pá nas mãos. Já em Nova York, outras oito pessoas morreram durante a queda abrupta de temperatura, embora as causas ainda estejam sob investigação.
O fornecimento de energia começou a ser restabelecido em parte do país, mas, até a noite desta segunda-feira, quase 600 mil clientes permaneciam sem eletricidade, segundo o site Poweroutage.us. Estados do sul, como Tennessee, Texas, Mississippi e Louisiana, foram especialmente afetados — regiões pouco acostumadas a enfrentar frio intenso e acúmulo de gelo.
O Serviço Meteorológico Nacional (NWS) informou que cerca de 190 milhões de pessoas estavam sob algum tipo de alerta de frio extremo. As previsões indicam que temperaturas negativas devem alcançar áreas tão ao sul quanto a Costa do Golfo, especialmente durante a noite.
Na região dos Grandes Lagos, os termômetros marcaram níveis capazes de provocar congelamento da pele em poucos minutos. Em partes de Minnesota e Wisconsin, as temperaturas chegaram a -30,6°C na madrugada desta segunda-feira, com a sensação térmica agravada pelo vento.
No fim de semana, quase metade dos estados americanos registrou ao menos 30 centímetros de neve. O maior acúmulo foi observado no Lago Bonito, no Novo México, onde a neve chegou a 78,7 centímetros, segundo dados oficiais.
Em Nashville, capital do Tennessee, o prefeito Freddie O’Connell afirmou que árvores continuavam caindo devido ao peso do gelo acumulado nos galhos, provocando novos apagões mesmo em áreas onde a energia já havia sido restabelecida. Equipes de polícia e bombeiros lideram uma força-tarefa para localizar moradores sem eletricidade e encaminhá-los a abrigos aquecidos — medida adotada também por diversos outros municípios.
Relatos de motoristas ilustram a gravidade da situação. Na Carolina do Sul, Gary Winthorpe contou a uma emissora local que presenciou uma caminhonete sair da pista e cair em uma vala em uma rodovia coberta de gelo. “Fiquei com muito medo”, afirmou.
Meteorologistas associam o fenômeno a uma deformação do vórtice polar, massa de ar gelado que normalmente permanece sobre o Polo Norte, mas que se deslocou para latitudes mais ao sul. Cientistas avaliam que perturbações mais frequentes nesse sistema podem ter relação com as mudanças climáticas.
Segundo Allison Santorelli, meteorologista do NWS, a recuperação tem sido dificultada pela ampla área afetada. Estados do norte, mais preparados para eventos invernais severos, não conseguiram deslocar recursos para o sul. “Muitos desses lugares não têm meios nem estrutura para lidar com eventos desse tipo”, disse. “Estamos especialmente preocupados com as pessoas que ainda estão sem eletricidade.”
Ao menos 20 estados e o Distrito de Columbia declararam estado de emergência, permitindo a mobilização de recursos extras. As nevascas deixaram estradas intransitáveis e provocaram o cancelamento de ônibus, trens e milhares de voos, ampliando o impacto do fenômeno sobre a população e a economia.
*Com informações da AFP