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Supostos drones de cartéis mexicanos levam EUA a fechar espaço aéreo no Texas

Militares americanos afirmam ter interceptado drones ligados a cartéis mexicanos na cidade de El Paso; governo mexicano nega registros e pede esclarecimentos.

Drones de cartéis: a presidente mexicana Claudia Sheinbaum afirmou não ter conhecimento de ocorrências de drones próximas à fronteira com os EUA (José Méndez/EFE)

Drones de cartéis: a presidente mexicana Claudia Sheinbaum afirmou não ter conhecimento de ocorrências de drones próximas à fronteira com os EUA (José Méndez/EFE)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 16h02.

As tensões entre Estados Unidos e México voltaram a escalar nesta quarta-feira, 11. Durante a manhã, o espaço aéreo e o aeroporto da cidade de El Paso, no Texas, foram fechados após forças militares norte-americanas afirmarem que haviam interceptado drones de cartéis mexicanos.

O governo mexicano afirmou que não possui relatos da presença de drones criminosos operando na fronteira com os Estados Unidos, como alegado por Washington.

"Não há nenhuma informação sobre o uso de drones na fronteira", declarou a presidente mexicana Claudia Sheinbaum em sua coletiva de imprensa desta quarta-feira. Ela acrescentou que seu governo está aberto a compartilhar informações com os Estados Unidos.

Forças militares dos EUA afirmam que interceptaram drones mexicanos

A informação de que haviam drones de cartéis mexicanos no espaço aéreo de El Paso veio das forças militares dos EUA. Um funcionário americano afirmou à agência de notícias AFP, sob condição de anonimato, que os drones entraram no espaço aéreo dos Estados Unidos.

As forças militares “tomaram medidas para desativar os drones”, após o que o Pentágono concluiu, junto à agência reguladora da aviação (FAA), que “não havia nenhuma ameaça ao transporte comercial”, indicou essa fonte.

A FAA alertou, em 16 de janeiro, para a “atividade militar” no espaço aéreo de certas regiões, especialmente perto do México e de vários países da América Central e do Sul, e instou a redobrar a precaução.

A agência mencionou “situações potencialmente perigosas” que poderiam também perturbar os sistemas de navegação por satélite. Seu alerta abrangia um período de sessenta dias.

Essa denúncia vem em um contexto de atividade militar na América Latina com a justificativa de interromper o narcotráfico. O Pentágono iniciou em setembro do ano passado uma campanha de ataques contra supostas lanchas de traficantes no Caribe e no Pacífico, que, até o momento, já matou dezenas de vítimas.

Fechamento do aeroporto de El Paso

Durante o fechamento do espaço aéreo, o aeroporto de El Paso, um dos mais importantes do sul dos Estados Unidos, foi um dos principais afetados.

A FAA havia anunciado de madrugada o fechamento do aeroporto por dez dias, uma medida excepcional. Todas as companhias aéreas, entre elas Southwest, Delta, United e American Airlines, tiveram de suspender as chegadas e partidas de seus voos à cidade, fronteiriça com a mexicana Ciudad Juárez.

A restrição de sobrevoo do espaço aéreo entrou em vigor partir das 03h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira e também afetava a localidade vizinha de Santa Teresa, no Novo México.

Ela abrangia voos de carga e comerciais e se estendia até uma altitude de 18.000 pés (5.500 m) sobre o aeroporto, em um raio de 10 milhas náuticas (18,5 km).

Após algumas horas, no entanto, o espaço aéreo e o aeroporto voltaram à normalidade. “O fechamento temporário do espaço aéreo sobre El Paso foi suspenso. A aviação comercial não está ameaçada. Todos os voos retomam sua operação normal”, declarou a FAA no X.

“Ninguém no governo local nem na base militar local recebeu um aviso de mais de alguns minutos, nem mesmo o prefeito”, declarou ao Wall Street Journal o representante democrata de El Paso Chris Canales. “Nunca tínhamos visto algo tão radical”, explicou.

Reação do governo mexicano

Após o ocorrido, Sheinbaum reiterou que está aberta a ampliar a cooperação no combate ao narcotráfico. Seu governo entregou dezenas de chefes e integrantes de cartéis à Justiça americana e afirma ter aumentado as apreensões de fentanil, a droga que mais causa problemas de saúde nos Estados Unidos.

"Vamos descobrir exatamente por que (o espaço aéreo) foi fechado", acrescentou Sheinbaum durante a coletiva de imprensa desta manhã, recusando-se a apresentar qualquer hipótese.

Ela disse que seu governo sempre manteve "comunicação constante" com Washington e que podem colaborar na investigação deste incidente.

"Se a FAA (agência reguladora de aviação dos EUA) ou qualquer outra área do governo americano tiver alguma informação, pode perguntar ao governo do México", declarou.

Donald Trump e o 'narcoterrorismo'

O presidente Donald Trump afirmou em várias ocasiões desde que iniciou seu segundo mandato que está disposto a intervir a qualquer momento contra alvos que qualifica como “narcoterroristas” em qualquer país ao sul da fronteira.

“Os cartéis mandam no México. É muito, muito triste ver e observar o que aconteceu nesse país”, declarou o presidente recentemente à rede Fox News.

As ações mais numerosas ocorreram próximas à costa caribenha da Venezuela e ao Pacífico colombiano. Um dos principais resultados dessa campanha, que ocorre há um semestre, foi a prisão do mandatário venezuelano Nicolás Maduro, no dia 3 de janeiro deste ano.

A justificativa por trás da captura foram acusações de que Maduro, sua esposa, seu filho e seus cúmplices participaram de uma conspiração de tráfico de cocaína e mantiveram parcerias com cartéis considerados grupos terroristas.

O processo criminal contra Maduro segue pelo sistema judiciário norte-americano como qualquer outro apresentado em Nova York, com base nas evidências e na legislação americana.

Com informações da AFP

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