Repórter
Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 16h43.
Delegações da Rússia e da Ucrânia iniciaram nesta terça-feira, em Genebra, uma nova rodada de negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos, uma semana antes do aniversário de quatro anos da invasão em larga escala lançada por Moscou em fevereiro de 2022. As conversas, previstas para dois dias, ocorrem enquanto os combates seguem intensos na linha de frente e ataques aéreos continuam atingindo cidades ucranianas.
O líder da delegação ucraniana, Rustem Umerov, divulgou imagens das três equipes reunidas em uma mesa em formato de ferradura, com russos e ucranianos posicionados frente a frente. Na cabeceira estavam o enviado norte-americano Steve Witkoff e o genro do presidente dos EUA, Jared Kushner, diante das bandeiras dos EUA, Rússia, Ucrânia e Suíça. Segundo Umerov, a pauta do encontro inclui temas de segurança e questões humanitárias.
"Os ucranianos trabalharão sem expectativas excessivas", disse o chefe da delegação.
As perspectivas de avanço são consideradas baixas. Segundo uma fonte com conhecimento das negociações ouvida pela Associated Press sob anonimato, ambas as partes permanecem firmes em questões centrais, como o futuro dos territórios ocupados pela Rússia e as garantias de segurança exigidas por Kiev. Os EUA estabeleceram junho como prazo para um possível acordo.
Entre os pontos mais delicados está o destino de cerca de 20% do território ucraniano atualmente ocupado ou reivindicado pela Rússia — incluindo a Crimeia, anexada em 2014, e áreas do leste e sul do país. Moscou exige que a Ucrânia ceda o controle da região do Donbass e retire tropas de zonas ainda sob autoridade de Kiev em Donetsk, demanda rejeitada pelo governo ucraniano.
Chefes militares dos três países também estão em Genebra para debater como funcionaria o monitoramento de um eventual cessar-fogo e quais mecanismos seriam necessários para implementá-lo. Em rodadas anteriores, realizadas em Abu Dabi, eles analisaram a criação de uma zona desmilitarizada e canais diretos de comunicação entre as forças envolvidas.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, pediu cautela e afirmou que não há expectativa de resultados imediatos, destacando que as conversas devem continuar na quarta-feira. Moscou divulgou poucos detalhes sobre os encontros anteriores e novamente designou como chefe da delegação o assessor presidencial Vladimir Medinsky, que liderou as negociações diretas em Istambul em 2022.
Enquanto as delegações discutiam em Genebra, a guerra seguia ativa ao longo da linha de frente, de aproximadamente 1.250 quilômetros. Durante a madrugada, segundo o presidente Volodymyr Zelensky, a Rússia lançou quase 400 drones de longo alcance e 29 mísseis contra 12 regiões da Ucrânia, deixando nove feridos — entre eles, crianças.
Zelensky afirmou que dezenas de milhares de moradores da cidade portuária de Odessa, no sul do país, ficaram sem aquecimento e abastecimento de água após os ataques. Em publicação nas redes sociais, declarou:
“Quanto mais esse mal vier da Rússia, mais difícil será chegar a qualquer acordo com eles. Os parceiros precisam entender isso. Antes de tudo, isso diz respeito aos Estados Unidos.”
O presidente disse ainda que Moscou deve ser “responsabilizada” pelos bombardeios, que, segundo ele, minam os esforços americanos por um acordo de paz.
“Concordamos com todas as propostas realistas dos Estados Unidos, começando por um cessar-fogo incondicional e de longo prazo”, escreveu Zelensky.
O ministro ucraniano das Relações Exteriores, Adrii Sibiga, também criticou os ataques:
“O alcance do desprezo da Rússia pelos esforços de paz: um ataque massivo com mísseis e drones justamente antes da próxima rodada de negociações.”
A Rússia, por sua vez, afirmou ter destruído mais de 150 drones ucranianos no sul do país e na Crimeia. Uma autoridade de segurança ucraniana disse, sob anonimato, que o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) utilizou drones de longo alcance para atingir o terminal de petróleo Tamanneftegaz, na região de Krasnodar, e a fábrica Metafrax Chemicals, na região de Perm, a mais de 1.600 quilômetros da fronteira.
Desde fevereiro de 2022, a guerra se tornou o conflito mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com centenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e vastas áreas do leste e sul da Ucrânia devastadas pelos combates.
Com informações da AFP