Vladimir Putin: visita dá sequência às conversas sobre o plano dos Estados Unidos para encerrar o conflito na Ucrânia (GAVRIIL GRIGOROV/AFP)
Repórter
Publicado em 29 de dezembro de 2025 às 13h49.
Última atualização em 29 de dezembro de 2025 às 13h50.
Segundo o Kremlin, o suposto ataque na noite de domingo poderia levar Moscou a “revisar” sua posição nas tratativas caso fique comprovada a responsabilidade ucraniana.
De Kiev, o presidente Volodimir Zelensky reagiu chamando a acusação de “mais uma mentira da Federação Russa” e afirmando que a narrativa serve para preparar o terreno para novos bombardeios, “provavelmente contra a capital e possivelmente contra prédios do governo”.
Na leitura ucraniana, associar Kiev a um ataque direto a uma residência presidencial é parte de uma estratégia russa para justificar futuras escaladas militares.
O aumento da tensão ocorre em paralelo ao discurso público de que as negociações estão em fase final. No fim de semana, o presidente americano Donald Trump recebeu Zelensky em Mar-a-Lago, na Flórida, e afirmou que um novo plano de paz entre Rússia e Ucrânia está “95% concluído”.
A Casa Branca informou ainda que Trump teve um “telefonema positivo” com Putin sobre a guerra, descrito como construtivo pela porta-voz Karoline Leavitt, enquanto Moscou ecoa a avaliação de avanços nas conversas.
O contraste é evidente: de um lado, Trump e o Kremlin falam em negociações em estágio avançado; de outro, Moscou ameaça reavaliar sua postura após o suposto ataque de drones, nega qualquer recuo no campo de batalha e mantém bombardeios em larga escala contra a capital ucraniana.
Em paralelo à troca de acusações, Washington e Kiev discutem o desenho das garantias de segurança que dariam sustentação a um eventual acordo.
Os Estados Unidos ofereceram um pacote com duração de 15 anos, enquanto Zelensky insiste em um compromisso bem mais longo, de até 50 anos, como forma de desestimular novas tentativas russas de tomar território ucraniano pela força.
Sem essas garantias, o presidente ucraniano afirma que “realisticamente, esta guerra não terminará”. Ele reforça que a proteção externa é vista em Kiev como condição para encerrar o conflito.
O pacote de segurança integra um plano mais amplo, de 20 pontos, negociado entre Washington e Kiev e ainda não aceito pela Rússia.
O documento prevê reafirmação da soberania ucraniana, um acordo de não agressão, cessar-fogo com monitoramento internacional e um programa de reconstrução econômica estimado em centenas de bilhões de dólares, além de medidas humanitárias como troca de prisioneiros e devolução de civis deportados.
Esse desenho tem impacto direto na política interna ucraniana. Zelensky já afirmou que a lei marcial, em vigor desde o início da invasão russa, em 2022, só será suspensa quando a Ucrânia obtiver garantias formais de segurança dos aliados ocidentais.
Segundo ele, não é possível considerar o fim real da guerra enquanto o país ainda conviver com o risco de novos ataques, cenário que, na visão de Kiev, só mudará com compromissos firmes de proteção por parte de EUA, Europa e da Otan.
Com informações da AFP e da agência Efe.