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Quem governa a Venezuela após captura de Nicolás Maduro?

Opositores dizem estar prontos para assumir o poder; vice de Maduro, porém, é nome forte do chavismo

Venezuela: sucessão indefinida (Juan BARRETO / AFP)

Venezuela: sucessão indefinida (Juan BARRETO / AFP)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 13h21.

A Venezuela amanheceu sem presidente neste sábado, 3. Nicolás Maduro foi capturado por militares americanos e colocado em navio, junto com a esposa, rumo à Nova York, onde deve responder por acusações de narcoterrorismo. Ele estava há 12 anos no poder, em um terceiro mandato questionado por observadores internacionais e um cenário inóspito para seus opositores.

Com Maduro fora de cena, fica a pergunta: quem governará a Venezuela? A resposta não é fácil.

A Venezuela tem uma constituição que determina eleições diretas em um prazo de até 30 dias. Maduro tem uma vice-presidente, Delcy Rodríguez, nome forte do chavismo com extenso currículo político, que assumiria o poder interinamente. Mas, de acordo com a agência Reuters, ela estaria fora da Venezuela no momento, mais precisamente na Rússia.

Seu irmão, Jorge Rodríguez, é presidente da Assembleia Legislativa, e pela ordem, ficaria no comando do país até um novo presidente ser eleito. Mas a Venezuela, como se sabe, não é conhecida por seguir os padrões da democracia.

A situação também abre espaço para uma nova tentativa de golpe militar, como a que ocorreu em 2022 e tirou o então presidente Hugo Chávez do poder um breve tempo, menos de 48 horas.

Preparados para tomar o poder

Maria Corina Machado, principal líder da oposição, disse que seu grupo está pronto para tomar o poder na Venezuela, após a prisão do presidente Nicolás Maduro, feita por militares dos EUA.

"Hoje estamos preparados para fazer valer nosso mandato e tomar o poder. Permaneçamos vigilantes, ativos e organizados até que se concretize a Transição Democrática. Uma transição que precisa de TODOS nós", disse Corina, em uma carta pública.

"Vamos restabelecer a ordem, libertar os presos políticos, construir um país excepcional e trazer nossos filhos de volta para casa. Lutamos por anos, entregamos tudo o que tínhamos, e valeu a pena. O que tinha que acontecer está acontecendo", afirmou.

"Esta é a hora dos cidadãos. Daqueles que arriscamos tudo pela democracia no dia 28 de julho. Daqueles que escolhemos Edmundo González Urrutia como legítimo Presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante-em-Chefe da Força Armada Nacional por todos os oficiais e soldados que a integram", disse.

Em julho de 2024, houve eleições presidenciais na Venezuela. O governo da Venezuela apontou Nicolás Maduro como vencedor, mas a oposição reuniu atas de várias sessões eleitorais, que apontavam vitória de Edmundo González. Assim, diversos países, incluindo os EUA, não reconheceram a vitória de Maduro.

González deixou a Venezuela após ameaças. Corina deixou a Venezuela em dezembro para receber o Prêmio Nobel da Paz, na Noruega, e permaneceu no país.

Em entrevista à Fox News, o presidente dos EUA, Donald Trump, evitou apoiar diretamente uma tomada de poder pelos opositores. "Temos que dar uma olhada nisso agora", afirmou.

"A Venezuela tem uma vice-presidente, como todos sabem. Quer dizer, não sei que tipo de eleição eles tiveram,  mas, você sabe, a eleição de Maduro foi uma desgraça", completou.

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