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Visto da embaixadora brasileira nos EUA é revogado pelo Departamento de Estado

Sanção ocorre após decisão do Brasil de negar vistos a Riley Barnes e Samuel Samson

Maria Luiza Ribeiro Viotti: embaixadora brasileira teve seu visto revogado  (Agência Senado)

Maria Luiza Ribeiro Viotti: embaixadora brasileira teve seu visto revogado (Agência Senado)

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 17h46.

Última atualização em 4 de agosto de 2026 às 19h27.

A embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, teve seu visto revogado pelo Departamento de Estado do país nesta terça-feira, 4. A informação foi confirmada pela EXAME com o governo Lula. Reservadamente, um integrante do governo disse que Viotti poderia, a princípio, permanecer nos EUA mesmo sem visto

Segundo autoridades do Departamento de Estado dos Estados Unidos, a revogação do visto foi motivada pela ausência da concessão do agrément — autorização diplomática necessária para a posse de um embaixador estrangeiro — ao republicano Daniel "Danny" Perez, indicado pelo presidente Donald Trump em 1º de junho para chefiar a embaixada americana em Brasília. A confirmação de Perez pelo Senado americano acabou sendo adiada diante da falta desse aval do governo brasileiro.

Em entrevista coletiva a jornalistas, um alto funcionário do Departamento de Estado afirmou que a medida não equivale à expulsão da embaixadora brasileira e que o visto poderá ser restabelecido caso o impasse diplomático seja solucionado.

De acordo com a AFP, o representante também disse que Washington poderá adotar medidas recíprocas caso persistam restrições a diplomatas americanos, embora tenha afirmado que essa "não é a situação" desejada pelo governo dos Estados Unidos.

A sanção ocorre logo após a decisão do Brasil de negar vistos a Riley Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado americano, e a Samuel Samson, subsecretário-adjunto, que viriam ao país em uma missão diplomática e se reuniriam com Flávio Bolsonaro.

Viotti é a primeira mulher a chefiar a missão diplomática brasileira em Washington e está no cargo desde junho de 2023.

Planalto já se preparava para sanções

O governo brasileiro já esperava o anúncio de novas sanções diplomáticas contra o Brasil por parte do governo dos Estados Unidos. O cenário considerado mais factível pelo governo brasileiro era que os EUA recusem ou revoguem vistos a oficiais brasileiros, como já ocorreu com a embaixadora.

Há também a possibilidade de que os americanos voltem a sancionar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito da Lei Magnitsky. A norma americana, voltada a punir condenados por corrupção e violadores dos direitos humanos, bloqueia ativos nos Estados Unidos, revoga seus vistos e impede que empresas americanas mantenham relação com os sancionados.

Moraes e a esposa, Viviane Barsi de Moraes, chegaram a ser incluídos no rol de punidos pela Magnitsky no ano passado, mas foram retirados da lista em dezembro de 2025. O blogueiro Paulo Figueiredo, que tem influência junto à Secretaria de Estado americana, já solicitou formalmente o retorno da sanção.

Como a EXAME noticiou, os dois funcionários americanos solicitaram reuniões com autoridades brasileiras para abordar urnas eletrônicas e a embaixada dos EUA no Brasil informou que a comitiva se encontraria com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O perfil ideológico dos dois funcionários do Departamento americano acendeu um alerta no governo brasileiro, que decidiu negar o visto por considerar que ambos teriam como objetivo corroborar teorias da conspiração sobre o processo eleitoral brasileiro, em sintonia com o discurso bolsonarista.

Tarifaço, sanções e observadores da eleição brasileira

As tensões entre Washington e Brasília escalaram no último mês. Desde o anúncio do governo Trump de novas tarifas adicionais de 25% sobre boa parte das importações brasileiras, que passaram a valer no dia 22 de julho, a relação entre os governos tem se deteriorado.

Com a nova taxa de 12,5%, por acusações de trabalho forçado, 48,7% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos estão sujeitas a algum tipo de tarifa adicional, sendo que 3,9 mil produtos brasileiros serão taxados em 37,5%, representando 25,5% de toda a pauta exportadora. Os EUA são o segundo maior destino dos produtos brasileiros, apenas atrás da China.

Além das questões comerciais, o governo Trump tem adotado medidas políticas consideradas hostis pelo Planalto.

De acordo com reportagem do The Washington Post do dia 20 de julho, o Departamento de Estado dos Estados Unidos pretendia enviar a Brasília os secretários-assistentes Riley M. Barnes e Samuel Samson, ambos nomeados pelo governo Trump, para levantar questionamentos sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas e produzir um relatório crítico ao sistema brasileiro. Em resposta, o Itamaraty negou visto aos diplomatas no dia 24.

Dias depois, o governo Trump anunciou que as sanções aplicadas ao Brasil em julho de 2025 serão prorrogadas por mais um ano, mas a medida não tem efeito prático imediato. A sobretaxa foi aplicada no escopo da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (Ieepa, na sigla em inglês) no contexto da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, no ano passado.

Apesar de a medida não ter efeito prático imediato na economia, a Presidência da República repudiou a ação norte-americana, afirmando que "a declaração reitera argumentos infundados e inverídicos de que o Brasil constitui uma 'ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional'."

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