STAN LEE: o criador dos personagens mais conhecidos da Marvel faleceu em 2018. (Erika Goldring/Getty Images)
Redatora
Publicado em 28 de julho de 2026 às 18h17.
Última atualização em 28 de julho de 2026 às 18h18.
Antes de morrer aos 95 anos, Stan Lee, criador de diversos super-heróis da Marvel, teve seus últimos anos registrados pelo entusiasta de quadrinhos Jon Bolerjack. O que começou como um documentário em 2014 para mostrar a rotina da lenda dos quadrinhos acabou revelando um suposto esquema de exploração ao qual Lee teria sido submetido.
Lançado nos streamings nesta terça-feira, 28, 'Stan Lee: The Final Chapter' retrata o quadrinista, então com mais de 90 anos, submetido a uma agenda exaustiva de convenções e longas sessões de autógrafos.
O filme também reúne denúncias de pessoas próximas sobre a atuação de dois ex-agentes e levanta questionamentos sobre a forma como o criador da Marvel foi tratado nos últimos anos de vida.
Um dos ex-agentes chegou a ser acusado, em 2019, um ano após a morte de Lee, de fraude, roubo e privação ilegal de liberdade.
Em entrevista à AFP durante a Comic-Con de San Diego, onde o filme foi exibido, Bolerjack afirmou ter sofrido pressão, direta e indireta, de um ex-administrador da editora e de empresas que preferiu não nomear, para que o documentário não fosse lançado.
"Existe o fator vergonha: há quem soubesse de parte do que acontecia, mas desviava o olhar", disse o diretor. "Se você quer o rosto do Stan em uma lancheira, quer que as pessoas tenham pensamentos felizes em torno dele. É mais fácil vender o Stan se ele estiver feliz."
Nascido em 1922 em Nova York, Stanley Martin Lieber entrou ainda adolescente na Timely Comics, que mais tarde se tornaria a Marvel. Foi lá que adotou o nome Stan Lee e ajudou a criar alguns dos personagens mais conhecidos da cultura pop, heróis com poderes extraordinários mas também com dilemas comuns, fórmula que conquistou gerações de fãs.
O documentário mostra um Lee de temperamento afável, mas com pouco faro para negócios. "Ninguém tomou decisões comerciais piores do que eu", diz o próprio Lee em uma cena, ao relembrar um acordo com a Disney.
Aconselhado por um advogado, ele teria abrido mão de royalties sobre os personagens da Marvel em troca de um pagamento único de US$ 6 milhões, dos quais metade teria ficado com o próprio advogado.
A Disney comprou a Marvel Entertainment em 2009 por US$ 4 bilhões.
Segundo Bolerjack, Lee nunca guardou rancor pelo episódio. "Ele sabia que tinha feito um mau negócio e nunca tentou culpar a Disney por isso."
O diretor revelou ainda que Kevin Feige, presidente da Marvel Studios, visitou Lee um mês antes de sua morte. "Foi muito gentil. Sei que Stan gostou muito e se sentiu especial por ele ter se dado ao trabalho de ir até lá."
Bolerjack descreve os últimos dias de Lee como um período vivido "em paz", embora ainda se questione se o quadrinista chegou a compreender de fato o que havia acontecido com ele.
Para o diretor, o documentário não é sobre uma celebridade que foi enganada, mas sobre um risco que pode atingir qualquer pessoa. "Isso sempre vai acontecer. Aconteceu com Elvis Presley e vai acontecer de novo."
Com informações da AFP