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Petro diz que EUA bombardearam laboratório de cocaína na Venezuela

Trump havia dito que país destruiu “grande instalação” em um cais usado para carregar barcos com drogas

Donald Trump e Gustavo Petro: presidente colombiano se manifesta após fala de republicano (JOAQUIN SARMIENTO and Mandel NGAN / AFP)

Donald Trump e Gustavo Petro: presidente colombiano se manifesta após fala de republicano (JOAQUIN SARMIENTO and Mandel NGAN / AFP)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 31 de dezembro de 2025 às 09h28.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou na noite de terça-feira, 30, que os Estados Unidos bombardearam um laboratório de produção de cocaína na cidade venezuelana de Maracaibo.

É a primeira confirmação, por um chefe de Estado da região, de que o ataque descrito dias antes por Donald Trump de fato atingiu uma instalação em solo venezuelano.

Segundo Petro, o alvo estaria ligado à guerrilha colombiana do Exército de Libertação Nacional (ELN), que opera na fronteira entre os dois países.

Até então, o que se tinha eram apenas afirmações públicas de Trump. O republicano disse na segunda-feira, 29, que os EUA haviam destruído uma “grande instalação” em um cais usado para carregar barcos com drogas, possivelmente na costa venezuelana, mas sem indicar coordenadas, tipo de alvo ou qual órgão americano conduziu a operação.

Por que isso aconteceu?

Ao comentar o caso na rede social X, Petro afirmou: “Sabemos que Trump bombardeou um laboratório, em Maracaibo, tememos que misturem ali a pasta de coca para transformá-la em cocaína”, sem esclarecer se se tratava exatamente do mesmo ataque citado pelo presidente americano.

Na mesma publicação, ele vinculou a instalação ao ELN, dizendo que a guerrilha “controla a produção de cocaína” na região de Catatumbo, na fronteira com a Venezuela, e acusando o grupo de “permitir, com seu tráfico de drogas e seu dogma mental, invadir a Venezuela”.

O centro de estudos Insight Crime, especializado em crime organizado, já aponta há anos que o ELN atua tanto na Colômbia quanto na Venezuela, financiando-se com o tráfico de drogas e extorsões em regiões de fronteira.

A versão de Trump é que “houve uma grande explosão na área do atracadouro onde as embarcações são carregadas com drogas” e que a estrutura “não existe mais”.

Ele evitou dizer se a ação foi conduzida por militares ou por uma operação secreta da CIA, repetindo apenas que tinha autorizado ataques contra a rede de narcotráfico que Washington associa ao chamado Cartel de los Soles, supostamente ligado ao governo de Nicolás Maduro.

[grifar]Desde setembro, os Estados Unidos mantêm uma campanha de bombardeios no Caribe e no Pacífico contra embarcações acusadas de transportar drogas, operação que já provocou mais de 100 mortes e agora parece dar o primeiro passo para ataques sistemáticos em terra.

Em paralelo, Trump ordenou o bloqueio a todos os petroleiros sancionados que entrem ou saiam da Venezuela, com apreensão de pelo menos dois navios que transportavam petróleo venezuelano.

Maduro fala em “notícias falsas”

Do lado venezuelano, a estratégia tem sido não confirmar nem desmentir diretamente a operação citada por Trump e, agora, por Petro.

Em ato público transmitido pela TV estatal, Maduro acusou os EUA de espalharem “notícias falsas” sobre a Venezuela em meio à mobilização aeronaval americana no Caribe, mas não mencionou um ataque específico nem apresentou uma versão alternativa sobre a explosão descrita por Washington.

Maduro afirmou que “tudo o que dizem é mentira” e destacou ações da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), que, segundo ele, abateu nove aeronaves supostamente ligadas ao narcotráfico no estado do Amazonas, fronteira com Brasil e Colômbia.

*Com informações de AFP e EFE

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