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Papa defende trabalho que dá "dignidade" frente às finanças

"Não podemos ignorar que uma economia estruturada dessa maneira mata, porque obedece apenas ao dinheiro", disse o papa

Papa Francisco em Genebra, na Suíça 21/06/2018 REUTERS/Denis Balibouse (Denis Balibouse/Reuters)

Papa Francisco em Genebra, na Suíça 21/06/2018 REUTERS/Denis Balibouse (Denis Balibouse/Reuters)

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AFP

Publicado em 7 de setembro de 2018 às 09h38.

O papa Francisco convocou uma reconciliação com o trabalho, que traz riqueza e "dignidade", frente às finanças a serviço do dinheiro, em uma entrevista ao jornal econômico "Il Sole 24 Ore", publicada nesta sexta-feira (7).

"Quem é excluído não é apenas explorado, mas também totalmente rejeitado (...) Não podemos ignorar que uma economia estruturada dessa maneira mata, porque põe no centro e obedece apenas ao dinheiro", disse o papa argentino nesta entrevista, apresentada como a primeira concedida a um jornal econômico e financeiro.

"O dinheiro, o verdadeiro, faz-se com o trabalho. É o trabalho que confere dignidade ao homem, não o dinheiro", garantiu.

"Quando as pessoas não estão mais no centro, quando fazer dinheiro se torna o objetivo primário e único, estamos fora de toda ética, e é assim que se criam estruturas de pobreza, escravidão e desperdício", acrescentou Jorge Bergoglio.

Em alusão à Europa e ao desemprego, o papa considera que esta situação é o resultado de um "sistema econômico que já não é capaz de criar trabalho, porque pôs no centro um ídolo que se chama dinheiro".

Em várias ocasiões, o papa Francisco já criticou o que ele chama de "cultura do desperdício", que, em nome do dinheiro, exclui os mais pobres, os mais fracos, as periferias, e asfixia o planeta.

Do ponto de vista ambiental, o papa considera que "o trabalho que resta por fazer continua sendo grande".

É imperativo, segundo ele, promover um "desenvolvimento integral, reduzir as desigualdades (...) e abandonar o consumismo".

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