Trump divulga foto de Nicolás Maduro após prisão (Truth Social/DonaldTrump/Reprodução)
Redação Exame
Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 17h19.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, a deputada Cilia Flores, devem comparecer nesta segunda-feira a um tribunal federal em Nova York, na primeira audiência nos Estados Unidos desde que foram capturados e levados ao país. A sessão marcará o início formal do processo judicial contra o casal em território americano.
Segundo informações da Agência EFE, um porta-voz do Tribunal do Distrito Sul de Nova York confirmou que Maduro e Flores serão apresentados ao juiz federal Alvin K. Hellerstein, em Manhattan, às 12h no horário local (14h em Brasília).
De acordo com a EFE, ambos estão detidos desde a noite de sábado no Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn, uma prisão federal de segurança máxima que abriga réus envolvidos em processos criminais de alta complexidade.
A audiência ocorre após o governo dos Estados Unidos anunciar, no sábado, a captura de Maduro em Caracas, em uma operação que incluiu ataques aéreos contra alvos na Venezuela.
Maduro responde nos Estados Unidos a quatro acusações federais: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, além de conspiração para possuir esses armamentos com o objetivo de apoiar atividades criminosas e colaborar com organizações classificadas por Washington como terroristas.
As denúncias foram formuladas em 2020 pela Promotoria do Distrito Sul de Nova York e reafirmadas neste sábado. Elas sustentam que o presidente venezuelano teria comandado, por anos, uma estrutura que utilizava o tráfico internacional de drogas como instrumento de ataque aos Estados Unidos.
Cilia Flores, por sua vez, é acusada de participar de operações de apoio logístico e financeiro à mesma rede criminosa, conforme documentos judiciais citados pela imprensa americana e mencionados pela EFE.
Em procedimentos desse tipo, os réus costumam ser apresentados inicialmente a um juiz para a leitura formal das acusações, confirmação de identidade e definição de medidas preliminares, como prisão preventiva, fiança ou designação de defesa legal.
Segundo o The New York Times e a emissora CBS, a expectativa é que Maduro e Flores permaneçam presos sem direito à fiança enquanto o processo judicial avança.
Neste domingo, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, divulgou na rede social X um comunicado conjunto com o Departamento de Justiça, o FBI e a Agência Antidrogas (DEA) detalhando a operação que levou à captura do casal. De acordo com a EFE, o texto afirma que a ação exigiu meses de planejamento e teve como objetivo garantir a transferência segura dos acusados para responder às acusações federais.
O comunicado ressalta que todos os procedimentos foram conduzidos “em estrita conformidade com a lei americana” e que a operação deu suporte a uma investigação criminal em curso relacionada ao tráfico de drogas e crimes associados, que, segundo Washington, alimentam a violência e a crise das drogas na região.
Bondi afirmou ainda que “todas as opções legais foram consideradas para resolver a situação de forma pacífica” e atribuiu o desfecho da operação à continuidade das supostas atividades criminosas dos acusados.
Maduro chegou a Nova York na noite de sábado a bordo de uma aeronave militar. Inicialmente, foi levado a um prédio federal da DEA antes de ser transferido para o Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn.