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Macron diz que os EUA estão 'desrespeitando as normas internacionais'

O presidente francês fez essas declarações durante seu tradicional discurso aos embaixadores franceses em todo o mundo

Macron: 'os Estados Unidos são uma potência consolidada, mas estão se distanciando progressivamente de alguns de seus aliados' (ROBERTO SCHMIDT/AFP)

Macron: 'os Estados Unidos são uma potência consolidada, mas estão se distanciando progressivamente de alguns de seus aliados' (ROBERTO SCHMIDT/AFP)

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 10h41.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira, 8, que os Estados Unidos estão "desrespeitando as normas internacionais" e "se distanciando progressivamente" de alguns aliados, em um contexto diplomático de crescente "agressividade neocolonial".

As declarações de Macron foram feitas durante seu tradicional discurso aos embaixadores franceses em todo o mundo. Neste ano, o evento ocorre logo após o ataque dos EUA à Venezuela e da captura de Nicolás Maduro; além das ameaças de Donald Trump de anexar a Groenlândia.

"Os Estados Unidos são uma potência consolidada, mas estão se distanciando progressivamente de alguns de seus aliados e desrespeitando as normas internacionais que ainda promoviam até recentemente", disse Macron no Palácio do Eliseu.

"As instituições multilaterais funcionam de forma cada vez pior. Estamos evoluindo para um mundo de grandes potências com uma verdadeira tentação de dividir o mundo", acrescentou o presidente francês, que disse "rejeitar o novo colonialismo, o novo imperialismo".

Posição da França sobre a captura de Maduro

Embora a França tenha comemorado o fim da "ditadura de Maduro", o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, afirmou na terça-feira, 6, que a operação militar dos EUA é "ilegal" e "contraria a Carta das Nações Unidas".

Antes, na segunda-feira, o próprio Macron afirmou que o “método” empregado pelos Estados Unidos não contou com o apoio nem com a aprovação do governo francês.

“Defendemos o direito internacional e a liberdade dos povos. O método empregado não conta com o apoio nem com a aprovação” da França, declarou Macron perante o Executivo francês.

A posição foi reforçada após críticas dirigidas ao presidente francês, especialmente por partidos de esquerda, que apontaram uma reação inicial considerada tímida. Segundo esses críticos, Macron não teria mencionado, em um primeiro momento, os métodos adotados por Washington, avaliados como contrários aos princípios do Direito Internacional.

Reforma da governança global

No discurso aos diplomatas, Macron afirmou ainda que a União Europeia deve proteger seus interesses e defendeu a "consolidação" da regulamentação europeia do setor tecnológico, que tem sido alvo de críticas nos Estados Unidos, e a aceleração da agenda de preferências comerciais europeias.

A França, que detém a presidência do G7 este ano, também buscará promover uma "reforma da governança global", assegurou aos embaixadores.

O presidente francês fez um apelo para que "os grandes países emergentes que desejam participar" também se unam a esse objetivo.

Macron já havia defendido uma reforma do Conselho de Segurança da ONU para incluir as potências emergentes e expressou seu apoio à inclusão do Brasil como membro permanente desse órgão.

*Com informações da AFP e EFE

 

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