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Macron diz que França não aprova 'método' utilizado para derrubar Maduro

Macron tem sido alvo de críticas, especialmente da esquerda francesa, por sua reação inicial, que não mencionou os métodos empregados por Washington

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 10h56.

Última atualização em 5 de janeiro de 2026 às 11h02.

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o “método” empregado pelos Estados Unidos para derrubar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, não contou com o apoio nem com a aprovação do governo francês.

A declaração foi feita durante uma reunião do Conselho de Ministros, segundo informou a porta-voz do governo, Maud Bregeon, nesta segunda-feira, 5.

“Defendemos o direito internacional e a liberdade dos povos. O método empregado não conta com o apoio nem com a aprovação” da França, declarou Macron perante o Executivo francês.

A posição foi reforçada após críticas dirigidas ao presidente francês, especialmente por partidos de esquerda, que apontaram uma reação inicial considerada tímida. Segundo esses críticos, Macron não teria mencionado, em um primeiro momento, os métodos adotados por Washington, avaliados como contrários aos princípios do Direito Internacional.

Em resposta aos questionamentos, Maud Bregeon afirmou que a posição francesa ficou clara ao longo do fim de semana e voltou a ser reiterada pelo presidente. "A França, através da voz do ministro das Relações Exteriores (no sábado e no domingo) e do presidente da República hoje no Conselho de Ministros, diz claramente que a ação americana é contrária ao direito internacional", afirmou.

A porta-voz respondeu ainda a perguntas sobre o fato de a França não ter adotado uma postura semelhante à de outros países, como a Espanha, que rejeitaram de forma imediata a ação americana. Segundo ela, o governo francês considera que sua posição foi explicitada de maneira inequívoca nos pronunciamentos oficiais.

Nem aprovação nem desaprovação

O presidente francês também reiterou hoje, como fez no sábado em sua questionada mensagem nas redes sociais, que "Maduro é um ditador, e sua saída é uma boa notícia para os venezuelanos. Ele confiscou a liberdade de seu povo e roubou as eleições de 2024", segundo a porta-voz do governo.

O presidente americano, Donald Trump, republicou no sábado essa mensagem de Macron em suas redes sociais, agradecendo o que interpretou como um apoio do chefe de Estado francês.

"Não há nem aprovação nem desaprovação, não é o papel da França", sustentou hoje a porta-voz governamental.

Da mesma forma, Macron manteve a posição de que "a França apoia a soberania popular, e esta soberania popular se expressou em 2024" nas eleições presidenciais venezuelanas e, "se houvesse uma transição, o vencedor de 2024 deveria desempenhar um papel central", disse, em alusão a Edmundo González Urrutia.

Por fim, o presidente francês assegurou que a França continuará trabalhando com os países da região, de acordo com a porta-voz do governo.

*Com informações da EFE

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