Repórter
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 14h36.
Última atualização em 20 de janeiro de 2026 às 14h57.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou novamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante visita a Rio Grande (RS), nesta terça-feira, 20. Segundo Lula, o líder norte-americano tenta exercer influência global por meio das redes sociais.
Ele afirmou que Trump "quer governar o mundo pelo Twitter" (atual X) e destacou que "todo dia o mundo comenta o que ele publica".
"Vocês já perceberam uma coisa, que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter? É fantástico. Todo dia ele fala uma coisa e todo dia o mundo fala da coisa que ele falou. Vocês acham que é possível? É possível tratar o povo com respeito se eu não olhar na cara de vocês, se eu achar que vocês são objetos, e não um ser humano", declarou Lula, durante cerimônia de entregas de unidades habitacionais em Rio Grande (RS).
Foi a primeira vez que Lula mencionou diretamente Donald Trump em uma crítica desde que os dois países restabeleceram diálogo diplomático formal, em outubro do ano passado. Nem mesmo durante a operação americana na Venezuela, que resultou na tentativa de captura de Nicolás Maduro, o presidente brasileiro citou o nome do líder norte-americano.
Na ocasião, o governo brasileiro optou por criticar a ação dos Estados Unidos de forma indireta. Lula afirmou que a iniciativa ultrapassava “uma linha aceitável” e defendeu uma resposta da comunidade internacional. Ainda assim, o comunicado oficial, com 153 palavras, não mencionava Trump nem os Estados Unidos nominalmente.
Os imóveis entregues nesta terça-feira pelo presidente Lula são focados em famílias com renda bruta mensal de até R$ 2.850, enquadradas na faixa 1 do programa "Minha Casa, Minha Vida".
Na modalidade conhecida como "entidades", os próprios beneficiários atuam na organização e execução dos projetos, em parceria com organizações da sociedade civil.
Após as enchentes no Rio Grande do Sul, o governo federal liberou R$ 6,5 bilhões em créditos extraordinários por meio do "Minha Casa, Minha Vida Reconstrução". Segundo o governo federal, a modalidade "Compra Assistida" possibilitou que mais de 9,5 mil famílias desabrigadas adquirissem novos imóveis.
Os presidentes Donald Trump e Lula, durante reunião na Malásia, em 26 de outubro (Andrew Reynolds/AFP/AFP)
Em 26 de outubro, Lula teve uma reunião presencial com Trump em Kuala Lumpur, na Malásia. O encontro ocorreu antes do governo americano recuar na decisão tarifária ao Brasil. Na época, Trump assinou uma ordem executiva que removeu a tarifa adicional de 40% sobre mais de 200 itens exportados pelo Brasil, que anulou os efeitos do tarifaço de 2025 sobre diversos itens, como carne, café, frutas, castanhas e vários outros produtos agrícolas.
Na ocasião do encontro, Lula afirmou que teve um bom diálogo com o presidente norte-americano.
"Tive uma ótima reunião com o presidente Trump. Discutimos, de forma franca e construtiva, a agenda comercial e econômica bilateral. Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras", disse.
Por sua vez, Trump também classificou como positiva a conversa com o presidente brasileiro e ressaltou que há espaço para negociações.
"Acho que seremos capazes de fazer alguns acordos muito bons que temos conversado, e acho que ao final teremos um relacionamento muito bom. Eles podem oferecer muito e nós podemos oferecer muito". declarou Trump após a reunião.