Mundo

Jurista Sergio Mattarella é o novo presidente da Itália

Sergio Mattarella foi eleito pelo Parlamento para um período de sete anos


	Sergio Mattarella: é o novo presidente da Itália, eleito pelo Parlamento
 (REUTERS/Press Officer Presidenza della Repubblica/Reuters)

Sergio Mattarella: é o novo presidente da Itália, eleito pelo Parlamento (REUTERS/Press Officer Presidenza della Repubblica/Reuters)

DR

Da Redação

Publicado em 31 de janeiro de 2015 às 16h38.

Priorizar nos meus resultados Google

O jurista Sergio Mattarella, considerado um político íntegro, defensor da legalidade, foi eleito neste sábado pelo Parlamento da Itália como o novo presidente da República

Mattarella, de 73 anos, eleito após a quarta rodada de votação, quando precisava apenas da maioria simples, recebeu 665 votos, superando amplamente os 505 necessários.

A vitória de Mattarella, juiz da Corte Constitucional, que iniciou a vida política há 30 anos dentro da outrora poderosa Democracia Cristã e foi ministro de vários governos, foi garantida pelo Partido Democrático (PD), a maior força política do país, que uniu forças e influência para impor o jurista como candidato.

A eleição do novo presidente foi recebida com muitos aplausos pela maioria dos 1009 "grandes eleitores": 630 deputados, 315 senadores, 5 senadores vitalícios e 58 representantes de 20 regiões.

"Bom trabalho. Mattarella presidente! Viva a Itália!", escreveu no Twitter o primeiro-ministro Matteo Renzi.

Pouco depois do anúncio do resultado, o novo presidente fez as primeiras declarações à imprensa.

"Meu primeiro pensamento eu dedico aos compatriotas que sofrem e nutrem esperanças", disse.

O novo presidente assumirá o cargo oficialmente na terça-feira, durante uma cerimônia solene no Parlamento.

Mattarella, conhecido por ser um católico praticante, íntegro e austero, recebeu imediatamente um telegrama de felicitações do papa Francisco.

"Que possa trabalhar a serviço da unidade e da concórdia do país", escreveu o pontífice, que costuma observar uma distância prudente da vida política italiana.

O 12º presidente da República italiana foi eleito para um período de sete anos e é a única pessoa com o direito de dissolver o Parlamento e convocar eleições legislativas antecipadas, faculdades concedidas pelo regime parlamentar italiano.

A eleição de um respeitado jurista, constitucionalista experiente, com um passado inatacável, que sofreu pessoalmente como siciliano os horrores da máfia, é considerada uma jogada política exemplar do premier Matteo Renzi, que confirma assim a posição de líder indiscutível do PD.

Mattarella, "o homem da legalidade" para Renzi

"Ele é o homem da legalidade, da batalha contra a máfia", definiu Renzi, ao apresentar Mattarella há quatro dias como o candidato da esquerda.

Renzi, de 40 anos, ex-prefeito de Florença, conseguiu o respalto de todo seu partido e também convenceu a esquerda radical, assim como boa parte dos moderados de centro-direita, com os quais negociou até a sexta-feira, isolando Silvio Berlusconi, que por 20 anos foi o protagonista da política italiana e era contrário à eleição de Mattarella.

O declínio do magnata e ex-premier Berlusconi é evidente, já que os votos em branco, a recomendação aos parlamentares de seu partido, Força Itália, chegaram a apenas 105, um número inferior ao de representantes da formação.

A ruptura entre Renzi e Berlusconi, que respaldou nos últimos meses as reformas propostas pelo jovem primeiro-ministro, muda completamente o panorama político e abre uma nova fase para a Itália.

A jogada de Renzi, que a imprensa elogiou por sua transparência, provocou a revolta de Berlusconi, que se sentiu "traído", de acordo com assessores.

Entre os críticos do novo chefe de Estado também está o movimento contrário ao sistema Cinco Estrelas, cujo líder, o humorista Beppe Grillo, chamou Mattarella de "homem dos mil tons de cinza".

"Mattarella é um homem leal, correto, sensível, conhece as instituições e é imparcial", declarou o atual presidente, Giorgio Napolitano, de quase 90 anos, que renunciou ao cargo em meados de janeiro por sua idade e por motivos de saúde.

O sucessor de Napolitano, um político experiente, católico e reservado, que em 2011 se tornou juiz da Corte Constitucional, é um antigo adversário de Berlusconi.

No fim dos anos 80, renunciou ao cargo de ministro para protestar contra a aprovação da lei que concedia ao magnata três canais de televisão, um gestou que Renzi elogiou a apresentar a candidatura.

Sergio Mattarella é o primeiro siciliano que chega ao lendário palácio do Quirinale, sede da presidência.

Acompanhe tudo sobre:Países ricosEuropaItáliaPiigsEleições

Mais de Mundo

Trump diz que os EUA terão 'presença militar' na Groenlândia em acordo com a Dinamarca

Trump proíbe acesso de CNN, MS NOW e Politico à Casa Branca por ‘fake news’ sobre governo

Aos 70 anos, Feira de Cantão terá 32 mil empresas na 140ª edição

Eleições nos EUA iniciam votação antecipada em disputa pelo controle do Congresso