Petróleo: preço da commodity dispara e se aproxima dos US$ 120 em meio à crise no Oriente Médio (makhnach/Freepik)
Redação Exame
Publicado em 2 de maio de 2026 às 14h52.
A petrolífera japonesa Taiyo Oil adquiriu um carregamento de petróleo bruto russo, segundo comunicados oficiais divulgados neste sábado, 2.
Trata-se da primeira compra de Tóquio junto a Moscou desde o início da crise no Estreito de Ormuz, desencadeada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
De acordo com um funcionário do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, ouvido pela agência Kyodo, a produção de petróleo do projeto Sakhalin-2, na Rússia, deve ser interrompida em breve, o que acelerou a decisão de compra por parte do país asiático.
A aquisição faz parte da estratégia japonesa de diversificação de fontes de energia e ocorre no contexto da suspensão temporária das sanções dos Estados Unidos ao petróleo russo.
Segundo o jornal Nikkei, o negócio — realizado pela quarta maior refinaria do Japão — é pontual e foi feito a pedido da Agência Japonesa de Recursos Naturais e Energia.
Em comunicado citado pela agência russa Tass, a Taiyo Oil afirmou que a operação “não diz respeito a futuras compras” de petróleo do campo de Sakhalin-2, reforçando o caráter excepcional da transação.
O conflito iniciado em 28 de fevereiro, com ações militares de Israel e Estados Unidos contra o Irã, levou ao fechamento quase total do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas globais de petróleo.
A interrupção no fluxo de petróleo afetou especialmente países asiáticos, altamente dependentes da região.
Além disso, o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos a portos e navios iranianos agravou a crise de abastecimento, elevando a volatilidade no mercado global de energia.
Altamente dependente do Oriente Médio — responsável por cerca de 90% de suas importações de petróleo — o Japão tem adotado medidas emergenciais para garantir o abastecimento.
Entre elas, estão a liberação de reservas estratégicas e a concessão de subsídios para conter a alta dos combustíveis.
Na sexta-feira, o governo japonês começou a disponibilizar volumes equivalentes a 20 dias de consumo de suas reservas estatais, apesar de possíveis atrasos logísticos. Esta é a segunda liberação desse tipo desde o início do conflito.