Pessoas se reúnem ao redor de um veículo destruído e de escombros após um ataque aéreo israelense na Rua Al-Rashid, na Cidade de Gaza, em Gaza, em 13 de dezembro de 2025. ((Abood Abusalama / Middle East Images / AFP via Getty Images)/Getty Images)
Repórter
Publicado em 30 de dezembro de 2025 às 12h43.
Israel anunciou nesta terça-feira que vai suspender a atuação de mais de duas dezenas de organizações humanitárias na Faixa de Gaza, incluindo Médicos Sem Fronteiras (MSF), por não atenderem às novas exigências para registro de entidades internacionais no território. As informações são da AP.
Segundo o Ministério de Assuntos da Diáspora, as organizações que terão suas permissões canceladas a partir de 1º de janeiro não cumpriram os requisitos para compartilhar informações sobre equipe, financiamento e operações. A pasta acusou a MSF, uma das maiores entidades de saúde em Gaza, de não esclarecer funções de funcionários que Israel afirma ter ligação com o Hamas e outros grupos armados.
Organizações internacionais criticaram as regras, classificando-as como arbitrárias e alertando para riscos à segurança das equipes. De acordo com o governo israelense, cerca de 25 entidades — aproximadamente 15% das ONGs que atuam em Gaza — não tiveram suas autorizações renovadas.
A MSF não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário da AP. Israel já havia acusado membros da organização de envolvimento em atividades militares em 2024, o que a entidade negou.
Entre as organizações afetadas estão o Conselho Norueguês para Refugiados, a CARE International, o Comitê Internacional de Resgate e divisões de grandes instituições de caridade como Oxfam e Caritas. Essas entidades prestam serviços como distribuição de alimentos, assistência médica, apoio a pessoas com deficiência, educação e saúde mental.
Israel e grupos humanitários têm divergido sobre o volume de ajuda que entra em Gaza. O governo afirma cumprir os compromissos previstos no cessar-fogo iniciado em 10 de outubro, mas as organizações dizem que os números são insuficientes para atender a mais de 2 milhões de palestinos no território devastado.
No início do ano, Israel alterou o processo de registro das entidades, exigindo listas completas de funcionários, incluindo palestinos que atuam em Gaza. Algumas organizações se recusaram a fornecer esses dados por receio de retaliações e por leis europeias de proteção de dados.
Israel também acusa centenas de militantes palestinos de trabalharem para a UNRWA, principal agência da ONU para assistência aos palestinos. A entidade nega envolvimento com grupos armados e afirma agir rapidamente para afastar suspeitos.
Após meses de críticas do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e aliados, Israel proibiu a atuação da UNRWA em seu território em janeiro. Os Estados Unidos, antes maior doador da agência, suspenderam o financiamento ao órgão.