Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, disse que foi alcançado um acordo para a libertação de reféns mantidos em Gaza. O acerto deverá permitir o avanço acordo de cessar-fogo com o Hamas, que foi travado após o governo israelense pedir a renegociação de alguns pontos.
Ainda nesta sexta-feira, 17, Netanyahu deve reunir seu gabinete de segurança e o governo para aprovar formalmente o acordo, segundo informações da Associated Press (AP). A votação deve acontecer no sábado, 18.
O tratado de cessar-fogo foi inicialmente anunciado na quarta-feira, 15, e desde então passou por novas negociações.
A declaração de Netanyahu veio após um adiamento na votação na quinta-feira, causado por acusações do gabinete israelense de que o Hamas teria tentado modificar os termos do acordo em busca de mais concessões. Em resposta, Izzat al-Rishq, representante do Hamas, negou as alegações e reafirmou o compromisso do grupo com o cessar-fogo.
O acordo traz a possibilidade de encerrar um conflito iniciado em outubro de 2023, que já causou mais de 100 mortes desde o início das negociações de paz, incluindo ao menos 27 crianças, conforme dados da Defesa Civil de Gaza.
Se aprovado, o acordo deve entrar em vigor no próximo domingo, e Netanyahu já anunciou a criação de uma força-tarefa para organizar a recepção dos reféns. Além disso, as famílias dos reféns foram informadas sobre os avanços nas negociações, aumentando a expectativa de um desfecho positivo.
Divisões no governo israelense
Enquanto o cessar-fogo é celebrado por parte da população, especialmente pelas famílias dos reféns, a proposta enfrenta forte oposição dentro do governo de Netanyahu, colocando em risco a estabilidade da coalizão governante.
Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional e líder do partido de ultradireita Poder Judaico, classificou o acordo como irresponsável e ameaçou renunciar, acompanhado por membros de seu partido. Bezalel Smotrich, ministro das Finanças e também crítico do tratado, reforçou sua oposição, indicando que seu partido poderia abandonar o governo caso as operações militares não sejam retomadas após seis semanas de cessar-fogo.
Se as renúncias se concretizarem, a coalizão de Netanyahu no parlamento israelense cairá de 68 para 62 assentos, um número ainda suficiente para governar, mas que enfraqueceria consideravelmente sua posição política.