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Irã e EUA disputam resgate de piloto americano após queda de caça

Bombardeios se intensificam em Teerã e Golfo, enquanto um militar continua desaparecido

Publicado em 4 de abril de 2026 às 12h32.

O Irã e os Estados Unidos travam uma corrida neste sábado, 4, para localizar um dos dois pilotos de um caça americano derrubado na República Islâmica, em meio à sexta semana de conflito, que inclui ataques a uma usina petroquímica iraniana e à central nuclear de Bushehr.

De acordo com veículos de comunicação iranianos, Washington e Tel Aviv ampliaram seus alvos nos últimos dias. Cinco pessoas ficaram feridas no bombardeio da planta petroquímica de Mahshahr (sudoeste), e um agente de segurança morreu nas instalações de Bushehr, sem danos à usina, afirmam as fontes.

Ainda na manhã deste sábado, o norte de Teerã apareceu coberto por uma densa nuvem de fumaça cinza, cuja origem ainda não foi esclarecida. Um jornalista da AFP ouviu múltiplas explosões na área atingida na véspera.

Ataques também foram relatados na fábrica de cimento de Bandar Khamir (sul), que manteve suas operações, e em um posto fronteiriço com o Iraque, segundo a imprensa iraniana.

Corrida pelo piloto

O F-15E foi abatido na sexta-feira pelo sistema de defesa antiaérea da Guarda Revolucionária iraniana, segundo um porta-voz militar. Um dos tripulantes conseguiu se ejetar e foi resgatado pelas forças especiais, enquanto o segundo continua desaparecido, conforme veículos americanos.

O ex-piloto da Força Aérea dos EUA, Houston Cantwell, explicou à AFP que, em operações desse tipo, a prioridade do piloto é “esconder-se” em locais estratégicos, como clareiras ou construções, para facilitar o resgate, enquanto as forças especiais se mantêm em alerta, mas sem se lançar em “missões suicidas”.

O New York Times e o Washington Post confirmaram imagens e vídeos de aeronaves e helicópteros americanos sobrevoando a região a baixa altitude, enquanto a televisão estatal iraniana divulgou fotos dos supostos destroços e prometeu “recompensa generosa” a quem entregar o piloto.

O exército iraniano também informou ter atingido outra aeronave americana, um A-10 Thunderbolt II de apoio aéreo, que acabou caindo no Golfo. Conforme relata o jornal The New York Times, o único piloto de um avião americano derrubado próximo ao Estreito de Ormuz foi resgatado "são e salvo".

Após um período de silêncio, a Casa Branca se limitou a afirmar que o presidente Donald Trump foi "informado" sobre o incidente. Em entrevista à NBC, Trump disse que isso não altera "em nada" as supostas negociações com Teerã para buscar uma solução para a guerra, que já provoca impactos na economia global.

Desde o início do conflito, iniciado em 28 de fevereiro com ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, nenhum soldado americano morreu ou foi capturado em território iraniano. No entanto, 13 militares morreram no Kuwait, na Arábia Saudita e no Iraque. O confronto deixou milhares de mortos, a maior parte no Irã e no Líbano.

Bombardeios e represálias no Golfo

O Irã manteve ataques a países do Golfo com presença de interesses americanos. No Bahrein, destroços de drones interceptados feriram quatro pessoas, e em Dubai, dois prédios sofreram danos, incluindo o da empresa americana Oracle.

No Estreito de Ormuz, parcialmente bloqueado por Teerã, um segundo navio turco conseguiu atravessar, segundo Ancara. A cerca de 500 km dali, a ilha de Kharg, ponto crucial para a indústria energética do Irã, concentra 90% das exportações de petróleo bruto do país em condições normais.

Donald Trump ameaçou destruir a ilha caso não haja acordo para encerrar o conflito e Teerã não reabra imediatamente o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente. Em 13 de março, os EUA afirmaram ter bombardeado alvos militares em Kharg, poupando instalações petrolíferas.

Apesar da guerra, as exportações de petróleo a partir da ilha aumentaram, segundo a agência iraniana ISNA, que cita Musa Ahmadi, chefe da Comissão de Energia do Parlamento.

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