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Irã diz que vai atacar bases americanas se EUA intervirem em protestos

Alerta ocorre após ameaças de Donald Trump de apoiar manifestantes e relatos de retirada parcial de pessoal militar

Pessoas se reúnem para um protesto contra a onda de ataques israelenses contra o Irã no centro de Teerã, em 13 de junho de 2025 (Atta Kenare/AFP)

Pessoas se reúnem para um protesto contra a onda de ataques israelenses contra o Irã no centro de Teerã, em 13 de junho de 2025 (Atta Kenare/AFP)

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 08h55.

O governo do Irã alertou países vizinhos que abrigam tropas dos Estados Unidos de que irá retaliar bases militares americanas caso Washington leve adiante ameaças de intervir nos protestos em curso no país.

A informação foi dada por um alto funcionário iraniano à Reuters nesta quarta-feira, 14.

Segundo três diplomatas ouvidos pela agência internacional, parte do pessoal foi orientada a deixar a base aérea de Al Udeid, no Catar, principal instalação militar dos EUA na região. As fontes afirmaram que se trata de um ajuste de postura, e não de uma evacuação ordenada em larga escala, como ocorreu antes de um ataque iraniano com mísseis no ano passado.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem ameaçando intervir em apoio aos manifestantes no Irã, onde grupos de direitos humanos relatam milhares de mortos em uma repressão que atinge um dos maiores movimentos de protesto já registrados contra o regime clerical.

De acordo com uma avaliação israelense citada pela Reuters, Trump já teria decidido intervir, embora o escopo e o momento da ação ainda não estejam definidos.

EUA promete 'ações muito fortes' em caso de execuções

Em entrevista à CBS News, Trump prometeu “ações muito fortes” caso o Irã execute manifestantes e incentivou a continuidade dos protestos. O funcionário iraniano afirmou que Teerã pediu a aliados regionais que impeçam qualquer ataque americano e alertou que bases dos EUA em países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia seriam alvos em caso de ofensiva contra o Irã.

Em um discurso no Detroit Economic Club, no Michigan, ele incentivou novamente a continuidade das manifestações contra Teerã e pediu à população que "guarde os nomes dos assassinos".

"A todos os patriotas iranianos, continuem protestando, tomem as instituições se vocês puderem, e guardem os nomes dos assassinos e dos que estão maltratando vocês. Eles vão pagar um preço muito alto", concluiu o presidente, que disse que "uma morte [de manifestante] já é demais".

Desde o final de dezembro de 2025, o Irã enfrenta uma das manifestações mais intensas de sua história recente, motivada por uma crise econômica agravada por inflação alta, desvalorização da moeda e aumento do custo de vida.

Os protestos ganharam força em diversas cidades e províncias, com a adesão de estudantes e outros grupos sociais. As demandas, inicialmente econômicas, passaram a incluir críticas ao sistema político vigente.

Tarifas aos parceiros comerciais do Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira, 12 de janeiro, que vai aplicar tarifa de 25% aos produtos provenientes de países que fecharem negócios com o Irã. A decisão eleva a pressão sobre o governo iraniano, que enfrenta uma onda de protestos em diversas regiões do país.

Em uma publicação na rede social Truth Social, o republicano afirmou que a decisão é definitiva e que as taxações podem entrar em vigor imediatamente. Até o momento, não há documentos oficiais publicados que detalhem o escopo da medida.

"Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América. Esta ordem é final e irrecorrível", diz o texto.

A medida foi anunciada em meio aos protestos que se espalham pelo Irã desde 28 de dezembro. O cenário expõe uma combinação de crise econômica com a inflação elevada, repressão estatal e tensão geopolítica que leva o regime do aiatolá Ali Khamenei de volta ao centro das atenções internacionais.

Não há clareza sobre os critérios utilizados para definir o que constitui "fazer negócios com o Irã". Os principais parceiros comerciais de Teerã incluem China, Turquia e Índia.

Em ocasiões anteriores, o governo Trump impôs tarifas de até 50% sobre produtos indianos em resposta à compra de petróleo russo. Já uma tarifa adicional de 25% sobre mercadorias chinesas pode afetar o acordo firmado com Pequim no final do ano passado.

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