EXAME Agro

Ameaça de tarifaço de Trump pode deixar Irã sem milho do Brasil

Atualmente, o país ocupa a 11ª posição entre os principais parceiros comerciais do agronegócio nacional

Colheita de milho: Somente o milho respondeu por 67,9% das vendas brasileiras ao mercado iraniano no ano passado.

Colheita de milho: Somente o milho respondeu por 67,9% das vendas brasileiras ao mercado iraniano no ano passado.

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 11h43.

A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas a países que mantêm relações comerciais com o Irã gera preocupação entre associações de produtores brasileiros de soja e milho.

Juntos, os dois grãos representaram 87,2% das exportações do Brasil ao país do Oriente Médio em 2025. Apesar do risco de prejuízos, entidades acreditam que os efeitos serão mais severos para o Irã, que depende desses insumos.

"Pode ser mais um daqueles blefes do Trump — e torcemos para ser, ao menos no que diz respeito à questão dos alimentos. Seria uma medida desumana, considerando que poucos países no mundo têm milho excedente para exportação", diz Paulo Bertolini, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho).

Na segunda-feira, 12, Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos originários de países que mantêm laços comerciais com o Irã. A medida, segundo ele, visa aumentar a pressão sobre o governo iraniano, que enfrenta uma onda de protestos populares.

A tarifa, afirmou, entra em vigor “imediatamente”, embora ainda não esteja claro o que será considerado como “fazer negócios” com o Irã — o que abre margem para interpretações e incertezas no comércio internacional.

Somente o milho respondeu por 67,9% das vendas brasileiras ao mercado iraniano no ano passado, com exportações superiores a US$ 1,9 bilhão. A soja representou 19,3%, somando cerca de US$ 563 milhões.

No total, o comércio entre os dois países movimentou quase US$ 3 bilhões em 2025, embora o Irã tenha representado apenas 0,84% das exportações brasileiras.

Atualmente, o país ocupa a 11ª posição entre os principais parceiros comerciais do agronegócio nacional.[/grifar]

Segundo Trump, a tarifa, entra em vigor “imediatamente”, embora ainda não esteja claro o que será considerado como “fazer negócios” com o Irã — o que abre margem para interpretações e incertezas no comércio internacional.

Comércio entre os países

A produção mundial de milho é concentrada em três países: Estados Unidos, Brasil e Argentina, que juntos respondem pela maior parte do comércio internacional. O Irã é considerado um consumidor estável do milho brasileiro, com compras entre 3 e 4 milhões de toneladas anuais desde 2020.

Em 2025, o volume surpreendeu, ultrapassando 7 milhões de toneladas, o que correspondeu a quase US$ 2 bilhões em negócios.

Com poucas alternativas de fornecedores, o país teria dificuldades em substituir o Brasil. A Ucrânia, que poderia atender parte dessa demanda, enfrenta limitações em função da guerra com a Rússia, desde 2022.

Além de soja e milho, o Brasil exporta ao Irã outros produtos do agronegócio, como açúcares e melaços (6,5%), farelo de soja e alimentos para animais (6,2%), além de farinhas de carne.

No caso da carne de frango, o volume exportado foi mínimo: apenas 51 toneladas em 2025, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Por outro lado, as importações brasileiras provenientes do Irã foram bem mais modestas: em 2025, somaram cerca de US$ 84 milhões, com destaque para adubos e fertilizantes, que representaram 79% do total.

Também foram importadas pequenas quantidades de frutas, nozes, pistaches e uvas secas.

Especificamente entre os fertilizantes, o Brasil importou 184 mil toneladas de ureia, um dos principais insumos usados no cultivo do milho — o país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome.

Brasil defende soberania do Irã

O governo brasileiro declarou nesta terça-feira, 13, que a decisão sobre o futuro do Irã é uma responsabilidade exclusiva dos iranianos, no contexto das manifestações em curso no país.

Em nota emitida pelo Itamaraty, o governo que também expressou preocupação com a escalada dos protestos iniciados em 28 de dezembro, em diferentes regiões iranianas.

"O governo brasileiro acompanha, com preocupação, a evolução das manifestações que ocorrem, desde o dia 28 de dezembro, em diversas localidades do Irã. O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas".

Acompanhe tudo sobre:MilhoSojaBrasilIrã - PaísEstados Unidos (EUA)

Mais de EXAME Agro

Por que as ações da dona da Tortuga caíram após venda de 2,2 bilhões de euros

Com El Niño no radar, soja avança no Brasil, mas clima no RS preocupa setor

JBS avança no Oriente Médio com joint venture e aporte de US$ 150 milhões

Super Bowl: 3 horas de jogo e 1,5 bilhão de asas de frango no prato dos EUA