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Trump diz que vai impor tarifa de 25% a qualquer país que faça negócios com o Irã

Medida ocorre em meio aos protestos que se espalham pelo Irã desde 28 de dezembro

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 19h07.

Última atualização em 12 de janeiro de 2026 às 22h35.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira, 12 de janeiro, que vai aplicar tarifa de 25% aos produtos provenientes de países que fecharem negócios com o Irã. A decisão eleva a pressão sobre o governo iraniano, que enfrenta uma onda de protestos em diversas regiões do país.

Em uma publicação na rede social Truth Social, o republicano afirmou que a decisão é definitiva e que as taxações podem entrar em vigor imediatamente. Até o momento, não há documentos oficiais publicados que detalhem o escopo da medida.

"Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América. Esta ordem é final e irrecorrível", diz o texto.

Medida foi anunciada em meio aos protestos que se espalham pelo Irã desde 28 de dezembro. O cenário expõe uma combinação de crise econômica com a inflação elevada, repressão estatal e tensão geopolítica que leva o regime do aiatolá Ali Khamenei de volta ao centro das atenções internacionais.

Quem são os parceiros comerciais do Irã?

Não há clareza sobre os critérios utilizados para definir o que constitui "fazer negócios com o Irã". Os principais parceiros comerciais de Teerã incluem China, Turquia e Índia.

Em ocasiões anteriores, o governo Trump impôs tarifas de até 50% sobre produtos indianos em resposta à compra de petróleo russo. Já uma tarifa adicional de 25% sobre mercadorias chinesas pode afetar o acordo firmado com Pequim no final do ano passado.

As manifestações no Irã foram impulsionadas inicialmente por uma crise cambial e pelo agravamento das condições econômicas. Com o passar das semanas, os protestos passaram a direcionar críticas ao regime, representando o maior desafio ao governo desde a Revolução Islâmica de 1979.

Relatos apontam que centenas de milhares de pessoas participaram dos atos no último fim de semana. O número de mortos já ultrapassa 500, com mais de 10 mil detidos, segundo a Bloomberg.

Trump manifestou apoio aos manifestantes e alertou o governo iraniano sobre o uso da força contra a população. Em entrevista à Fox News, afirmou que os Estados Unidos reagiriam “com muita força” se o Irã continuasse reprimindo os protestos.

Diálogo com Teerã

Neste domingo, Trump declarou que líderes iranianos teriam sinalizado interesse em iniciar negociações, mas não divulgou detalhes. Segundo o presidente, o governo norte-americano avalia possíveis respostas, inclusive opções militares, em articulação com aliados.

“Estamos analisando isso com muita seriedade. Os militares estão analisando, e estamos considerando algumas opções muito fortes”, declarou. “Estou recebendo informações a cada hora e tomaremos uma decisão.”

Fontes da Casa Branca afirmaram à Bloomberg que Trump foi orientado sobre diferentes alternativas de ação militar, incluindo ataques a alvos não militares. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, teria iniciado contatos com Steve Witkoff, enviado de Trump para o Oriente Médio.

Teerã alertou tanto os Estados Unidos quanto Israel contra novas tentativas de intervenção. Os dois países foram responsabilizados por ataques anteriores a instalações nucleares iranianas. Não há relações diplomáticas formais entre Irã e EUA há décadas.

As ameaças norte-americanas ocorrem poucos dias após um ataque dos EUA na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro. Um eventual conflito envolvendo Irã e Israel poderia gerar repercussões na região e ameaçar a segurança do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de energia.

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