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Irã ameaça fechar o Estreito de Ormuz após novos ataques dos EUA

Fonte ouvida por emissora iraniana afirma que Teerã também promete atacar dois alvos inimigos para cada alvo iraniano atingido

Ormuz: EUA atacou Irã e ameaça abertura de Estreito (Constantine Johnny/Getty Images)

Ormuz: EUA atacou Irã e ameaça abertura de Estreito (Constantine Johnny/Getty Images)

Publicado em 9 de julho de 2026 às 15h02.

Última atualização em 9 de julho de 2026 às 15h47.

O Irã ameaçou fechar novamente o Estreito de Ormuz após novos ataques realizados pelos Estados Unidos contra o país nesta quinta-feira, 9.

Segundo uma fonte ouvida por uma emissora estatal iraniana, Teerã também pretende atingir ao menos dois alvos inimigos para cada alvo do país que foi atacado e "não fará distinção entre forças americanas e aliados na região".

A ameaça marca uma mudança na estratégia iraniana.

O controle sobre o Estreito de Ormuz passou a ser tratado por Teerã como sua principal ferramenta de pressão sobre Washington, superando até mesmo o programa nuclear, tema que dominou as disputas entre os dois países nas últimas décadas.

Segundo a Reuters, que ouviu duas fontes graduadas do governo iraniano, o estreito se tornou a “arma de ouro” do país. A avaliação em Teerã é que o controle da passagem marítima foi determinante para levar os Estados Unidos à mesa de negociações após os confrontos deste ano e que abrir mão dessa vantagem significaria perder seu principal instrumento de negociação.

Responsável pela passagem de cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, o Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. A rota é utilizada por grandes exportadores da região, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque, Catar e o próprio Irã.

Por que os Estados Unidos voltaram a atacar o Irã

Os Estados Unidos realizaram uma nova ofensiva contra o Irã na terça-feira, 7, poucos dias após o acordo provisório que havia interrompido os confrontos entre os dois países.

Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), a operação foi uma resposta aos ataques iranianos contra três embarcações comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz e teve como objetivo reduzir a capacidade militar de Teerã de ameaçar a passagem.

Os bombardeios atingiram mais de 80 alvos, entre eles sistemas de defesa aérea, radares costeiros, centros de comando e controle, bases de mísseis antinavio e embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica posicionadas nas proximidades do estreito.

A resposta iraniana veio poucas horas depois.

Teerã lançou ataques contra instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait e voltou a endurecer o discurso sobre o controle do Estreito de Ormuz, considerado uma das rotas mais estratégicas para o comércio mundial de petróleo.

A nova escalada colocou sob pressão o memorando de entendimento firmado em junho para interromper o conflito e ampliou as divergências entre Washington e Teerã sobre quem deve exercer autoridade sobre a principal passagem marítima do Golfo Pérsico.

Mercado monitora impacto sobre o petróleo

A nova ameaça voltou a elevar as preocupações sobre a oferta global de petróleo. Como cerca de 20% do consumo mundial da commodity passa pelo Estreito de Ormuz, qualquer interrupção da navegação pode afetar diretamente os preços internacionais.

Apesar da escalada das tensões, os contratos futuros inverteram o sinal ao longo desta quinta-feira, 9.

Por volta das 14h, o petróleo Brent para setembro, referência global, caía 2,60%, cotado a US$ 75,99 por barril. O WTI para agosto recuava 2,37%, para US$ 71,82 por barril.

Mais cedo, dados de rastreamento marítimo mostraram que o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz permaneceu bastante reduzido após a retomada dos ataques americanos. Apenas dois navios haviam cruzado a passagem nas primeiras horas do dia, segundo análise da Kpler divulgada pelo Valor Econômico.

Apesar da volatilidade dos últimos dias, os preços da commodity seguem abaixo dos picos registrados desde o início da guerra.

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