Brasil

Acredito que Cleitinho estará comigo, diz governador de Minas sobre disputa à reeleição

Com menos de 10% nas pesquisas, Mateus Simões aposta na força da máquina e em uma aliança da direita para crescer até outubro

Mateus Simões: "Se o trabalho estiver aprovado e caminhando na direção que a população deseja, os votos aparecem"

Mateus Simões: "Se o trabalho estiver aprovado e caminhando na direção que a população deseja, os votos aparecem"

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 9 de julho de 2026 às 15h38.

Última atualização em 9 de julho de 2026 às 15h43.

Governador de Minas Gerais e pré-candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD) trabalha para consolidar sua candidatura como herdeiro político de Romeu Zema. Para isso, tenta unir a direita mineira em torno de seu nome e superar um desafio adicional: tornar-se mais conhecido do eleitorado.

Em entrevista exclusiva à EXAME em seu gabinete na Cidade Administrativa, ele se mostrou confiante com um possível arco de alianças com o senador Cleitinho (Republicanos), líder nas pesquisas para o governo do estado, e com o PL do senador Flávio Bolsonaro (PL).

"Continuo acreditando que estarei junto com o Cleitinho. Nós nunca disputamos eleição um contra o outro. Sempre estivemos do mesmo lado", afirma. 

Eleito vice de Romeu Zema em 2022, Simões assumiu o governo após a desincompatibilização do aliado para disputar a Presidência da República.

Simões diz que conversa pelo menos uma vez por semana com Cleitinho para tentar fechar uma aliança, além de conversas com nomes do PL no estado, como o deputado Nikolas Ferreira (PL).

Segundo Simões, o desenho ideal prevê o PL com uma vaga ao Senado, PP e União Brasil com outra e uma chapa em que Cleitinho e Zema participem da escolha do candidato a vice. O nome mais cotado para vice é Gleidson Azevedo (Republicanos), irmão gêmeo do senador do Republicanos.

"Durante muito tempo, eu disse que o nome lógico era o do irmão dele (Cleitinho), que estava no grupo político do governador Zema. Depois, ele acabou saindo do Novo no fim do prazo, mas continuo acreditando nessa composição", diz.

Já em relação ao PL, o pré-candidato à reeleição vê um complicador: as candidaturas de Flávio e Zema à presidência.

"Apesar de eu ter certeza de que a liderança do partido em Minas prefere uma chapa unificada, existe a questão das candidaturas nacionais, de Romeu Zema e de Flávio Bolsonaro, que talvez impeça isso", afirma. 

O governador ainda é do PSD, que tem Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab como chapa para disputa à presidência, mas já deixou claro que o seu candidato é o Zema.

Enquanto aguarda a definição das alianças nas convenções, Simões aposta que chegará competitivo à campanha, independentemente dos adversários. Hoje, aparece com menos de 10% das intenções de voto nas pesquisas.

Nas últimas semanas, antes do início das restrições impostas pelo calendário eleitoral, o governador intensificou agendas pelo interior de Minas para aumentar sua exposição e reforçar o discurso de continuidade da gestão iniciada por Zema.

"É por isso que sempre digo que, para quem está no cargo, é mais fácil, porque o remédio é trabalhar. Se o trabalho estiver aprovado e caminhando na direção que a população deseja, os votos aparecem. Se não estiver, não aparecem. Então, pelo sim e pelo não, é só trabalhar", diz.

Leia a entrevista com Mateus Simões, governador de Minas Gerais

Como o senhor está vendo o cenário eleitoral em Minas hoje? O senhor ainda não tem concorrentes definidos. Tem vários pré-candidatos pulverizados. 

Eu fico até preocupado. Não sei se isso é sinal de que a função é muito ruim ou de que está muito difícil ganhar de mim, porque ninguém se colocou efetivamente.

Uma das questões colocadas é sobre uma possível aliança olhando para a centro-direita. Como estão essas conversas? O senhor mantém diálogo aberto com o PL e o Cleitinho? É uma preocupação fechar isso até as convenções?

Com o senador Cleitinho, eu converso pelo menos uma vez por semana. Inclusive, já conversei com ele esta semana. Com o PL, mais do que conversar, eu me encontro com as lideranças do partido com muita frequência. Seja com o deputado Domingos Sávio — devo ter falado com ele seis ou sete vezes no último mês —, seja com o deputado Nikolas Ferreira, com quem também converso com frequência, seja com os deputados que compõem a base. Quase todos os deputados estaduais do PL, com exceção de três, fazem parte da minha base de governo. Então, estamos juntos o tempo todo discutindo diversos assuntos. E, claro, não tem como conversar sobre tudo isso sem falar do elefante na sala. Eu continuo muito otimista com a possibilidade de fazermos uma unificação, porque não há mais nada que eu possa fazer. Fiz o meu máximo.

Mas quais são as indicações? 

Sempre disse que o PL pode vir e que terá garantida uma vaga ao Senado. Também sempre disse ao Cleitinho que, vindo para a chapa, ele teria condições de definir, junto com o governador Romeu Zema, quem seria o meu vice. Durante muito tempo, eu disse que o nome lógico era o do irmão dele, que estava no grupo político do governador Zema. Depois, ele acabou saindo do Novo no fim do prazo, mas continuo acreditando nessa composição. Se isso vai acontecer ou não, aí já é um imponderável. Também não fico sofrendo por antecipação.

Mas isso hoje não está descartado?

Não. Continuo acreditando. Sempre me perguntam: "Mateus, o que você acha que vai acontecer?". Eu continuo acreditando que estaremos juntos. Talvez a dificuldade tenha mais relação com o PL do que com o Cleitinho. Continuo acreditando que estarei junto com o Cleitinho. Nós nunca disputamos eleição um contra o outro. Sempre estivemos do mesmo lado. Entramos na política praticamente ao mesmo tempo, em 2016. Ele foi eleito vereador em Divinópolis e eu estava aqui. Depois ele foi eleito deputado estadual quando nós vencemos a eleição para o governo. Ele não apoiou nenhum adversário nosso. Depois foi eleito senador quando nós elegemos o governador Zema para o segundo mandato. Trabalhamos juntos também na campanha do presidente Bolsonaro. Nunca estivemos em lados diferentes. Não vejo motivo para isso acontecer agora."Ah, mas ele disse que vai decidir depois da Copa." A Copa está acabando. Em algum momento ele vai decidir.

E qual é o ponto sobre o PL? 

Agora, o PL também tem outro problema. Apesar de eu ter certeza de que a liderança do partido em Minas prefere uma chapa unificada, existe a questão das candidaturas nacionais, de Romeu Zema e de Flávio Bolsonaro, que talvez impeça isso. É natural que eles tenham dois pré-candidatos colocados: Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg, e Vittorio Medioli, ex-prefeito de Betim. São pessoas com quem tenho boa relação. Eles nos apoiaram na eleição, eu os apoiei durante todo o período de governo. Alguém falou que seria uma "briga de amigos". Eu disse que nem é briga. Se acontecer, será uma disputa entre pessoas que sempre foram muito próximas ao longo da vida política. Do outro lado, não tem ninguém.

E a esquerda? 

A esquerda não conseguiu encontrar um candidato. Acho que eles têm convicção de que não há a menor possibilidade de ganhar a eleição em Minas Gerais. As pessoas confundem Lula com a esquerda mineira. São coisas diferentes. A esquerda não ganha eleição em Minas Gerais. Tanto é que ninguém quer ser candidato. A Marília Campos já disse que não será candidata. Os deputados do PT também não querem correr o risco de abrir mão dos seus mandatos para disputar uma eleição que acreditam não ter chance de vencer. Então, deixo que eles decidam do lado deles. Meu pai dizia que a gente só joga as cartas que estão na própria mão. As cartas do adversário, é ele quem joga. Do nosso lado, sigo conversando com o Cleitinho e Nikollas para tentar unir a centro-direita.

Cleitinho indicaria o seu vice? 

Eu acho que o desenho é este: o PL com uma vaga ao Senado; PP e União Brasil com outra vaga ao Senado; o PSD encabeçando a chapa ao governo; e o vice definido numa composição entre Cleitinho e Zema. Esse é o desenho que defendo desde novembro do ano passado, quando União Brasil e PP fecharam apoio comigo. Eu apertei a mão dos presidentes nacionais desses partidos em novembro. Faz sete meses que me perguntam se União Brasil e PP vão permanecer comigo. Gente, isso é política. A única coisa que temos é a nossa palavra. Se as pessoas forem incapazes de sustentar a própria palavra, eu vou sustentar a minha. Eu prometi ao presidente Bolsonaro, em setembro do ano passado, antes de ele ser preso, que, se eles apoiassem minha reeleição, teriam uma vaga ao Senado. Esse compromisso está mantido. Se eles vão cumprir aquilo que o Bolsonaro disse que fariam, aí é uma decisão deles. Com União Brasil e PP acontece a mesma coisa. Faz sete meses que digo que eles continuarão comigo. E onde eles estão hoje? Exatamente onde estavam há sete meses: comigo.

E o Zema nessa história? O senhor já deu declarações que foram interpretadas como se fosse melhor para ele não disputar a Presidência. Isso gerou certo ruído.

O governador até brincou comigo, porque a minha frase foi outra. Eu disse que, para mim, seria mais conveniente que Zema e Flávio estivessem juntos. Em nenhum momento falei que ele não deveria ser candidato. Quando digo que seria mais conveniente, é porque, se isso acontecer, em Minas estará todo mundo junto. Aí essa discussão acaba. Hoje só existe esse debate envolvendo Cleitinho, Flávio Roscoe e Vittorio Medioli porque não estamos todos na mesma chapa. Estão dizendo que eu defendo isso. Não. Eu sou a pessoa errada para opinar, porque, para mim, obviamente seria mais conveniente.

Então, o que o senhor acha que o Zema deveria fazer?

Acho que o Zema deveria governar o Brasil por um motivo muito simples e evidente. Em 2018, Minas encerrava um ciclo de péssima gestão do PT, que quase quebrou o estado de forma irreversível. A eleição foi disputada entre esse governo, que levava Minas à falência, e um grupo político que já carregava um desgaste natural de anos no poder. O Brasil vive hoje algo semelhante. Estamos encerrando um ciclo em que o governo Lula caminha para um déficit fiscal de cerca de R$ 1 trilhão em quatro anos. Isso equivale ao PIB de Minas Gerais. Vejo uma situação parecida com a que Minas viveu em 2018 e sei o que o Zema foi capaz de fazer naquele contexto. Por isso, acho que seria um exccpicional presidente da República.

Com isso, o senhor não faria campanha com Flávio Bolsonaro? 

Não. Meu candidato é o governador Zema. Achei que você iria perguntar se eu iria fazer campanha com o Caiado e o Kassab. Eles sabem do meu compromisso. Aliás, ele sempre foi muito correto nisso. Toda vez que vem a Minas, diz que o candidato dele ao governo é Mateus Simões e que respeita o fato de o meu candidato à Presidência ser Romeu Zema. Quem não tem lealdade não pode querer o voto de ninguém. Eu tenho lealdade ao governador Zema. Gilberto Kassab também fala a mesma coisa. Ele é presidente do meu partido e candidato a vice na chapa do Caiado. Sempre diz que estaremos juntos no segundo turno. Mas também reconhece que não poderia pedir que eu fizesse outra coisa. Minha ida para o PSD foi construída pelo próprio Zema junto ao Kassab. Então não existe nenhuma possibilidade de eu fazer campanha contra o governador do meu Estado. Ele é o meu candidato.

O senhor ainda é pouco conhecido. Mesmo com esse cenário fragmentado, ainda aparece abaixo dos dois dígitos nas pesquisas. Qual será a estratégia da campanha?

Primeiro, as pessoas só começam a prestar atenção na eleição em agosto. Na última pesquisa da Quaest divulgada pela Globo, 75% dos mineiros disseram que ainda não sabiam em quem votar. Dos 25% que disseram já saber, metade afirmou que ainda pode mudar de voto. Ou seja, praticamente ninguém decidiu. Eu estou tranquilo porque, na prática, apenas cerca de 12% do eleitorado realmente escolheu um candidato. Entre os demais, mais de 60% ainda nem me conhecem. O brasileiro e mineiro simplesmente não presta atenção na eleição antes disso. É o fenômeno de Ricardo Nunes em São Paulo, Fuad, em Belo Horizonte, e o Anastasia, em Minas. Todos apareciam abaixo dos dois dígitos nas pesquisas feitas em julho, antes do início oficial da campanha.

Então, qual é a estratégia? 

A estratégia é a mesma: esperar a eleição começar e lembrar às pessoas que o incumbente, a pessoa que está propondo avançar com o projeto atual, que é o projeto que Zema começou, é o vice dele, que é o governador nesse momento, Mateus Simões. Os outros vão apresentar outras propostas e o eleitor vai comparar. É por isso que sempre digo que, para quem está no cargo, é mais fácil, porque o remédio é trabalhar. Se o trabalho estiver aprovado e caminhando na direção que a população deseja, os votos aparecem. Se não estiver, não aparecem. Então, pelo sim e pelo não, é só trabalhar.

Acompanhe tudo sobre:Eleições 2026Minas Gerais

Mais de Brasil

Lula cresce entre independentes e Flávio perde força na direita: os detalhes da Quaest

Inmet emite aviso laranja para tempestades no Rio Grande do Sul

Michelle 'não pode desistir no meio do caminho', diz Celina sobre disputa ao Senado no DF

Moraes nega pedido para que Javier Milei visite Jair Bolsonaro