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Guerra no Irã: como unidade de elite da Marinha pode mudar o conflito

Grupo MEU teria capacidade de dominar ilha Kharg e abrir espaço para retomada de controle no Golfo Pérsico

Helicópteros Super Stallion em base da Marinha americana em San Diego, nos EUA, usados pelos fuzileiros navais ( K.C. Alfred / The San Diego Union-Tribune via Getty Images)

Helicópteros Super Stallion em base da Marinha americana em San Diego, nos EUA, usados pelos fuzileiros navais ( K.C. Alfred / The San Diego Union-Tribune via Getty Images)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 23 de março de 2026 às 17h10.

Última atualização em 23 de março de 2026 às 17h12.

Em meio ao impasse na Guerra do Irã, uma opção à disposição do presidente Donald Trump é enviar um destacamento do grupo Marine Expeditionary Unit (MEU), uma unidade de elite da Marinha americana.

O MEU poderia ser usado para ocupar a ilha Kharg, que concentra a exportação de gás e petróleo do Irã, ou para tentar ajudar a recuperar o controle do Golfo Pérsico, onde a navegação está bloqueada pelos iranianos.

Um grupo do MEU é composto por 2.200 a 2.400 militares, em formações que reúnem pessoal de várias especialidades. "Ele é formado por capacidades encontradas ao redor da Marinha, como pilotos de [caças] F-35 de um lado, muito técnicos e sofisticados, e, de outro, jovens soldados com um rifle", disse Sam Mundy, tenente-general da reserva da Marinha americana, durante debate do think tank Middle East Institute.

Segundo a ABC News, a 31ª unidade do MEU já foi enviada ao Oriente Médio na semana passada.

Ilha Kharg

No caso da ilha Kharg, os marines poderiam localizar e dominar as rotas de saída do petróleo iraniano. "Eles poderiam impedir os iranianos de exportar, a menos que tivermos algum controle sobre isso". disse Mundy.

Já o uso do MEU para liberar o Estreito de Ormuz teria de ser acompanhado de várias outras unidades militares. "Teria de ser um esforço conjunto e empregar todos os ativos disponíveis do Comando Central", disse o general.

"Os fuzileiros navais poderiam conduzir algumas operações que permitiriam às outras forças entrarem no estreito. Há várias ilhas que ajudam a controlar o tráfego lá. Mas eles fariam parte de uma campanha muito maior, que envolverá uma forte pegada de aviação e uma enorme parte naval, em presença constante", explica.

Como comparação, Mundy aponta que, na invasão do Iraque, por exemplo, foram necessários 90 mil soldados no início da operação que derrubou o governo de Saddam Hussein. Uma unidade MEU conta com cerca de 2.000 militares.

O general pondera, ainda, que o envio de tropas especiais pode demorar. Os EUA já enviaram uma unidade para o Oriente Médio, mas a formação e o deslocamento de novas unidades que ainda estejam longe da região podem levar até três semanas para se deslocarem até o local do conflito.

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