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'Falta prioridade para avançar com plano de fertilizantes', diz Tereza Cristina

Senadora afirma que ausência de estratégia do governo trava produção nacional e mantém dependência externa

Senadora Tereza Cristina: “O Brasil não tem um projeto de país. Se tivesse, esse seria um tema prioritário”, afirmou. (Pedro França/Agência Senado)

Senadora Tereza Cristina: “O Brasil não tem um projeto de país. Se tivesse, esse seria um tema prioritário”, afirmou. (Pedro França/Agência Senado)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 23 de março de 2026 às 17h41.

Última atualização em 23 de março de 2026 às 17h46.

A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP) afirmou que a falta de prioridade do governo tem impedido o avanço do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), criado para reduzir a dependência do Brasil de insumos importados. A declaração foi feita após evento em São Paulo, nesta segunda-feira, 23.

“O Brasil não tem um projeto de país. Se tivesse, esse seria um tema prioritário”, afirmou. Para a senadora, cabe ao Executivo dar o “pontapé inicial”, criando regras claras para atrair investimentos e destravar o setor.

Segundo ela, o plano — lançado em 2022 com a meta de reduzir a dependência externa de 85% para 50% até 2050 — não avançou como esperado. “Acho que é falta de prioridade, de estratégia, de o Brasil saber o que é necessário”, disse.

Desde o início do conflito no Oriente Médio, os preços dos fertilizantes subiram mais de 30%, o que aumenta a exposição do agronegócio brasileiro a riscos externos.

Para a senadora, a elevada dependência de importações deixa o país vulnerável a pressões geopolíticas e à volatilidade de preços.

“Não é possível um país como o nosso, que é uma potência do agro, viver com uma dependência monumental”, afirmou. Ela destacou que os solos brasileiros são naturalmente pobres e exigem o uso intensivo desses insumos.

Atualmente, o Brasil importa a maior parte dos fertilizantes que consome, com fornecedores como China, Rússia, Nigéria e países do Oriente Médio. Em 2025, o consumo chegou a 49 milhões de toneladas, sendo 43 milhões importadas.

Segundo estimativas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), há previsão de investimentos públicos e privados superiores a R$ 25 bilhões até 2030, o que pode reduzir a dependência externa para menos de 70% até o fim da década.

Para Tereza Cristina, o avanço do plano depende de vontade política para que as metas sejam alcançadas.

“Como o agronegócio é um dos principais motores da economia, o governo precisa agir e definir o que é necessário para viabilizar as empresas no Brasil. Quando o país compreender essa urgência, essas iniciativas poderão finalmente sair do papel”, afirmou.

Fertilizantes no Brasil

A ex-ministra apontou que o país tem capacidade de ampliar a produção doméstica, mas enfrenta entraves estruturais e regulatórios. Segundo ela, há projetos parados há anos que poderiam reduzir a dependência externa.

“Temos potássio, fosfato e nitrogenados, mas há questões ambientais e de viabilidade econômica travando esses projetos”, afirmou.

Ela citou, por exemplo, uma usina de fertilizantes nitrogenados em Três Lagoas (MS) que está praticamente pronta, mas segue inativa.

Para a senadora, a produção de fertilizantes deve ser tratada como tema de segurança nacional, mesmo que nem sempre seja economicamente rentável no curto prazo.

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